Acompanhantes Estrangeiras em Portugal: Romenas Ucranianas
O sector do acompanhamento em Portugal é marcado por uma significativa diversidade de origens. Para além da comunidade brasileira, que tem presença histórica e cultural particular, há uma presença crescente de mulheres originárias de países da Europa Central e Oriental — com destaque para a Roménia e a Ucrânia — bem como de outros países europeus, africanos e asiáticos. Cada grupo traz consigo um contexto migratório específico, motivações distintas e uma trajectória de integração que merece análise própria, sem recurso a generalizações que distorcem a realidade.
Romenas em Portugal: Contexto Migratório
A Roménia aderiu à União Europeia em 2007, o que confere aos seus cidadãos o direito de residência e trabalho em Portugal sem necessidade de visto. Os dados do INE mostram que a comunidade romena em Portugal cresceu de forma consistente após a adesão, com presença nos sectores da construção civil, agricultura sazonal, serviços domésticos e restauração. A Roménia é um dos países de origem com maior representação nos fluxos migratórios para o sul da Europa.
A situação económica da Roménia — que melhorou significativamente desde a adesão à UE, mas onde subsistem desigualdades regionais pronunciadas, particularmente entre as zonas rurais e as grandes cidades — continua a gerar emigração. Muitas mulheres romenas que chegam a Portugal têm formação académica ou experiência profissional nas suas áreas de origem que não encontra reconhecimento imediato no mercado de trabalho português, o que cria vulnerabilidades económicas nos primeiros anos de residência.
Uma parte destas mulheres trabalha no sector do acompanhamento. Como noutros grupos, este facto não define a comunidade. A grande maioria das mulheres romenas em Portugal trabalha noutros sectores. As que trabalham no acompanhamento fazem-no em condições variadas — algumas de forma autónoma e consciente, outras em situações de maior vulnerabilidade. As organizações de apoio activas em Lisboa documentam que a barreira linguística — o português é distante do romeno — é um factor adicional de isolamento nos primeiros anos de residência.
Ucranianas em Portugal: Uma Presença Reforçada pelo Conflito
A comunidade ucraniana em Portugal tem raízes que remontam ao início dos anos 2000, quando Portugal atravessava um período de crescimento económico e necessidade de mão-de-obra. Os ucranianos foram dos primeiros grandes grupos de imigrantes da Europa Oriental em Portugal — antes da adesão da Roménia e Bulgária à UE — e chegaram em dezenas de milhares para trabalhar na construção, nas obras públicas e na agricultura.
Com a invasão russa da Ucrânia em Fevereiro de 2022, Portugal acolheu uma nova vaga de deslocados ucranianos — maioritariamente mulheres e crianças —, com base na Directiva de Protecção Temporária da União Europeia. Os dados do INE e das entidades de acolhimento documentam que Portugal recebeu dezenas de milhares de beneficiários de protecção temporária ucraniana. Esta nova vaga tem um perfil demográfico distinto da imigração ucraniana anterior: mais mulheres, com maior nível de escolaridade média, muitas com filhos a cargo e sem o marido ou companheiro (retido na Ucrânia pelos deveres de defesa nacional).
As mulheres ucranianas deslocadas pela guerra enfrentam um contexto de vulnerabilidade específico: separação familiar, trauma de guerra, incerteza sobre o futuro, e necessidade de construir sustentabilidade económica num país desconhecido. Neste contexto, algumas transitaram para o trabalho sexual, incluindo o acompanhamento. Este fenómeno não deve ser lido como uma escolha meramente voluntária em muitos casos — a fronteira entre vulnerabilidade e autonomia é particularmente complexa em contextos de deslocamento forçado.
Outras Origens Europeias e Não-Europeias
O sector do acompanhamento em Portugal inclui também mulheres de outros países europeus — espanholas, italianas, húngaras, polacas — bem como de países africanos de língua portuguesa e de países asiáticos. Cada grupo tem dinâmicas próprias. As mulheres de países da UE beneficiam da liberdade de circulação e estabelecimento, o que reduz as vulnerabilidades associadas à situação documental. As mulheres de países terceiros enfrentam barreiras adicionais.
A diversidade de origens no sector reflecte a própria diversidade da imigração para Portugal, que se tornou num dos países europeus com maior proporção de residentes estrangeiros em relação à população total — uma transformação demográfica documentada pelos censos do INE e pelos relatórios anuais sobre migrações.
Factores Comuns e Especificidades
Independentemente da origem, as investigações sociológicas identificam factores comuns que influenciam a entrada no sector do acompanhamento: a ausência de redes de apoio no país de destino, a dificuldade de acesso ao mercado de trabalho formal, as barreiras linguísticas (para grupos não lusófonos), e a existência de redes de recrutamento — que podem ser neutras ou exploratórias, conforme os casos.
Os factores que distinguem os grupos incluem o estatuto legal de residência (UE vs. países terceiros), o nível de escolaridade, o contexto de partida (migração voluntária vs. deslocamento forçado) e a existência de redes comunitárias de apoio já estabelecidas no país de destino.
O EncontrosX disponibiliza anúncios de escorts em Setúbal de diversas origens, com verificação de identidade e um ambiente que prioriza a segurança. As mulheres que anunciam como acompanhantes na região de Setúbal na plataforma fazem-no de forma autónoma, com controlo total sobre os seus perfis.
Perguntas Frequentes
As cidadãs da UE podem trabalhar livremente como acompanhantes em Portugal?
Cidadãs da União Europeia têm direito de residência e trabalho em Portugal sem visto. O exercício individual de trabalho sexual não é crime em Portugal. Uma cidadã romena ou de outro país da UE pode exercer trabalho sexual de forma autónoma sem violar a lei portuguesa ou comunitária.
Quantas ucranianas vivem em Portugal desde 2022?
Os dados do INE e das autoridades de acolhimento indicam que Portugal recebeu dezenas de milhares de beneficiários de protecção temporária ucraniana desde Março de 2022. Os números exactos actualizam-se regularmente nos relatórios do INE e do AIMA.
Há risco de tráfico de mulheres entre as acompanhantes estrangeiras em Portugal?
O tráfico existe e é um crime grave. O Observatório do Tráfico de Seres Humanos publica relatórios anuais que documentam casos identificados em Portugal. Contudo, a maioria das mulheres estrangeiras no sector do acompanhamento não são vítimas de tráfico — são trabalhadoras sexuais em contextos de maior ou menor autonomia. A confusão sistemática entre os dois fenómenos prejudica tanto o combate ao tráfico como o respeito pelos direitos das trabalhadoras autónomas.
Que organizações apoiam mulheres imigrantes em situação de vulnerabilidade em Portugal?
Organizações como o ACM (Alto Comissariado para as Migrações), a APF (Associação para o Planeamento da Família), o Proyecto Integra e outras ONGs com presença em Lisboa e Porto prestam apoio jurídico, social e de saúde. Muitas têm serviços em vários idiomas, incluindo romeno e ucraniano.
O nível de escolaridade médio das mulheres ucranianas deslocadas é elevado?
Os dados disponíveis sobre os deslocados ucranianos em Portugal indicam um nível de escolaridade médio relativamente elevado, acima da média da imigração económica tradicional. Muitas têm formação universitária e experiência profissional qualificada, embora o reconhecimento de qualificações seja um processo moroso que cria dificuldades no acesso ao mercado de trabalho formal.
Como se compara o perfil das acompanhantes romenas e ucranianas?
Generalizações são metodologicamente problemáticas, dado que cada grupo é internamente heterogéneo. Contudo, as investigações disponíveis sugerem que as mulheres romenas têm presença mais longa e estabelecida no sector em Portugal, com redes comunitárias mais desenvolvidas, enquanto as ucranianas deslocadas desde 2022 representam um fenómeno mais recente, marcado pelas especificidades do deslocamento de guerra.