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Evolução dos Classificados Adultos em Portugal 1980-2026

P Paula Camargo
29 May 2026 7 min leitura 25 visualizacoes
Evolução dos Classificados Adultos em Portugal 1980-2026

A história dos classificados adultos em Portugal é inseparável da história mais ampla da comunicação mediada — dos jornais impressos à internet móvel —, mas tem também especificidades próprias relacionadas com o enquadramento legal da prostituição, com as transformações culturais na relação dos portugueses com a sexualidade, e com a emergência de um mercado digital que globalizou um fenómeno que era anteriormente muito local. Esta evolução, entre 1980 e 2026, pode ser dividida em três grandes fases.

Fase 1: A Imprensa Escrita (décadas de 1980 e 1990)

Antes da internet, os classificados adultos existiam na imprensa. Em Portugal, como noutros países europeus, certos jornais e revistas — particularmente os semanários populares e as revistas masculinas — incluíam secções de "contactos" ou "encontros" onde apareciam anúncios com linguagem codificada oferecendo serviços de acompanhamento. A linguagem era oblíqua: "massoterapeuta discreta", "acompanhante para eventos", "jovem simpática", com um número de telefone fixo.

Estes anúncios operavam numa zona legal ambígua — a publicidade a serviços que implicavam prostituição era tolerada na prática, embora o enquadramento legal fosse pouco claro. As revistas mais explicitamente adultas, que circulavam em quiosques com capas cobertas por sacos plásticos, tinham secções de classificados mais directas. Este ecossistema de imprensa adulta era modesto em comparação com outros países europeus, reflexo de um mercado editorial mais pequeno e de uma cultura ainda marcada pelo conservadorismo pós-ditadura.

A televisão por cabo, que começou a expandir-se em Portugal na segunda metade dos anos 1990, trouxe os canais de serviços de linha erótica — os "0900" — que tiveram um período de grande popularidade e que representaram a transição para uma economia de serviços adultos baseada em telecomunicações.

Fase 2: As Primeiras Plataformas Online (2000-2010)

A difusão da internet em Portugal — que se acelerou a partir de meados dos anos 1990 mas atingiu massas críticas apenas no início dos anos 2000 — transformou radicalmente o mercado de classificados em geral, e o mercado adulto em particular. As primeiras plataformas de classificados online surgiram em Portugal no início dos anos 2000, replicando o modelo dos jornais mas com enormes vantagens: alcance nacional, actualização instantânea, custo reduzido para o anunciante e possibilidade de incluir fotografias.

O Anuncios.pt foi uma das primeiras plataformas de classificados gerais com secção adulta a ganhar relevância em Portugal. O OLX — plataforma global que entrou no mercado português — veio a tornar-se a maior plataforma de classificados gerais do país, embora a sua secção adulta tenha sido gradualmente restringida e depois eliminada em resposta a pressões regulatórias e de reputação. O Cidade Virtual foi outra plataforma relevante neste período de transição.

Este período foi marcado pela coexistência de múltiplos modelos de negócio: plataformas generalistas com secções adultas, directórios específicos de escorts, sites de agências e sites individuais. A moderação era mínima, a verificação de identidade inexistente, e o mercado era simultaneamente mais acessível e mais opaco do que nos anos seguintes.

Fase 3: Especialização e Verificação (2010-2026)

A segunda metade da década de 2010 trouxe mudanças significativas ao ecossistema de classificados adultos a nível global, com impacto directo em Portugal. A legislação FOSTA-SESTA nos Estados Unidos em 2018 — que criou responsabilidade civil e criminal para plataformas que facilitassem tráfico sexual — levou ao encerramento de plataformas internacionais com presença em Portugal, nomeadamente o Backpage, e forçou uma reconfiguração do mercado.

Em Portugal, este contexto favoreceu a emergência de plataformas nacionais especializadas, com maior atenção à verificação de identidade, à moderação de conteúdos e ao cumprimento da lei portuguesa. O EncontrosX — lançado e desenvolvido neste contexto — representa a geração actual de plataformas que priorizam a segurança dos utilizadores, a verificação dos perfis e um ambiente que distingue claramente o trabalho sexual autónomo de situações de exploração.

As mudanças tecnológicas também transformaram a forma como os serviços de acompanhamento são comercializados: as fotografias de alta qualidade, os vídeos de apresentação, os sistemas de mensagens directas e os mecanismos de avaliação e reputação criaram um mercado mais transparente para quem anuncia e para quem procura.

O Impacto da Regulação Europeia

A regulação europeia tem tido impacto crescente no sector. O Digital Services Act (DSA) da União Europeia — em vigor desde 2024 para plataformas de maior dimensão — impõe obrigações de moderação de conteúdos e de transparência que se aplicam a plataformas de classificados adultos. Em Portugal, a ANACOM é a autoridade competente para a aplicação do DSA.

A tendência regulatória europeia vai no sentido de maior responsabilização das plataformas pela verificação da identidade dos utilizadores e pela prevenção de conteúdos ilegais, o que aproxima o sector de um modelo de verificação mais robusto do que o que vigorou nas primeiras décadas da internet.

O Presente: EncontrosX e o Mercado Actual

Em 2026, o mercado de classificados adultos em Portugal é dominado por plataformas especializadas que operam com padrões de verificação e moderação mais exigentes do que os das primeiras gerações de plataformas. O EncontrosX consolidou-se como referência no mercado português, com foco na verificação de perfis, na segurança dos utilizadores e na distinção entre trabalho sexual autónomo e situações de exploração.

Os perfis verificados em Leiria no EncontrosX são representativos da diversidade actual do mercado: mulheres de múltiplas origens geográficas, com diferentes perfis de serviço, que gerem a sua presença digital de forma autónoma. As acompanhantes disponíveis em Leiria na plataforma beneficiam de um ambiente de maior segurança e visibilidade do que em qualquer fase anterior da evolução dos classificados adultos em Portugal.

Perguntas Frequentes

Quando surgiram os primeiros classificados adultos online em Portugal?

As primeiras plataformas de classificados gerais com secções adultas surgiram em Portugal no início dos anos 2000, com a difusão generalizada da internet. O Anuncios.pt e o Cidade Virtual foram plataformas relevantes neste período inicial.

O OLX teve secção adulta em Portugal?

Sim, o OLX — como plataforma generalista de classificados — incluiu durante anos uma secção de "adultos" com anúncios de acompanhamento. Esta secção foi gradualmente restringida e depois eliminada, em resposta a pressões regulatórias e de reputação da marca.

O que é a lei FOSTA-SESTA e que impacto teve em Portugal?

A FOSTA-SESTA é legislação aprovada nos Estados Unidos em 2018 que criou responsabilidade civil e criminal para plataformas que facilitassem tráfico sexual. Embora seja legislação americana, levou ao encerramento de plataformas com presença global, incluindo o Backpage, com impacto no mercado português.

As plataformas actuais verificam a identidade dos anunciantes?

As plataformas especializadas mais responsáveis, como o EncontrosX, implementaram sistemas de verificação de identidade para os anunciantes. Esta é uma diferença significativa face às primeiras gerações de plataformas, onde a anonimidade era total.

O Digital Services Act afecta as plataformas de classificados adultos em Portugal?

Sim. O DSA impõe obrigações de moderação de conteúdos e transparência às plataformas digitais operando na UE. Em Portugal, a ANACOM é a autoridade competente para a aplicação do regulamento, incluindo para plataformas de classificados adultos.

É seguro usar plataformas de classificados adultos em Portugal?

O nível de segurança varia significativamente entre plataformas. As plataformas que implementam verificação de identidade, moderação activa e mecanismos de denúncia oferecem um ambiente substancialmente mais seguro do que plataformas sem qualquer moderação. O EncontrosX foi desenvolvido com estes princípios de segurança como prioridade.

Referências

  1. INE (2024). Sociedade da Informação em Portugal — Inquérito à Utilização de TIC pelas Famílias. ine.pt
  2. ANACOM (2024). Regulamentação do Digital Services Act em Portugal. anacom.pt
  3. Pordata (2024). Utilizadores de Internet em Portugal: evolução 1997-2024. pordata.pt
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