Saúde Masculina

Sexo Após Menopausa Masculina (Andropausa): Guia

P Paula Camargo
02 Jun 2026 6 min leitura 10 visualizacoes
Sexo Após Menopausa Masculina (Andropausa): Guia

Este artigo é informativo e não substitui consulta médica/psicológica.

O Que É a Andropausa

O termo "andropausa" — ou menopausa masculina — refere-se ao declínio gradual e progressivo dos níveis de testosterona que ocorre nos homens a partir dos 30–40 anos, à taxa aproximada de 1–2% ao ano. Ao contrário da menopausa feminina, que representa uma interrupção abrupta da produção hormonal ovárrica, a andropausa é um processo lento, silencioso e altamente variável entre indivíduos. Clinicamente, o termo preferido pelos especialistas é Hipogonadismo de Início Tardio (LOH — Late-Onset Hypogonadism) ou Deficiência Androgénica do Envelhecimento Masculino (ADAM).

O impacto na vida sexual é uma das manifestações mais marcantes e mais faladas — mas também das menos endereçadas clinicamente. Muitos homens normalizam as alterações sexuais associadas à andropausa como "parte de envelhecer", sem saberem que existem opções de avaliação e tratamento eficazes.

Níveis de Testosterona: Quando Há Problema?

Os valores de referência para a testosterona total no homem adulto situam-se, segundo a maioria dos laboratórios, entre 300 e 1000 ng/dL. A Associação Europeia de Urologia (EAU) e a Sociedade Americana de Endocrinologia utilizam o limiar de 300 ng/dL de testosterona total como critério diagnóstico para hipogonadismo — embora este número deva sempre ser interpretado em contexto clínico, juntamente com os sintomas.

O diagnóstico de deficiência androgénica clinicamente significativa exige a presença simultânea de:

  • Níveis séricos de testosterona total consistentemente abaixo de 300 ng/dL (confirmados em pelo menos duas amostras matinais, em jejum);
  • Sintomas clínicos compatíveis, incluindo diminuição do desejo sexual, disfunção eréctil, fadiga persistente, alterações de humor, perda de massa muscular e diminuição da densidade óssea.

É importante notar que os sintomas sozinhos, sem confirmação laboratorial, não são suficientes para o diagnóstico — e que os valores laboratoriais sem sintomas também não justificam tratamento.

O Que Muda na Vida Sexual

A redução da testosterona produz um conjunto de alterações sexuais que se instalam progressivamente:

  • Diminuição do desejo sexual (libido): O interesse em sexo reduz-se de forma gradual. Muitos homens descrevem que ainda respondem a estimulação directa, mas que o pensamento espontâneo sobre sexo diminuiu significativamente.
  • Alterações da função erécti: A testosterona contribui para a saúde do tecido erécti e para a resposta ao óxido nítrico. Níveis baixos podem reduzir a rigidez e a frequência das erecções espontâneas, incluindo as nocturnas.
  • Redução do volume ejaculatório e da intensidade do orgasmo: Estas alterações são frequentemente descritas pelos próprios homens mas raramente verbalizadas ao médico por vergonha.
  • Aumento do tempo para atingir o orgasmo: Esta alteração pode ser percepcionada negativamente pelo próprio e pelo parceiro, mas pode também ser vivida como positiva quando enquadrada adequadamente.
  • Maior necessidade de estimulação directa: O período de latência entre a estimulação e a resposta erécti aumenta com a idade, tornando o foreplay mais importante do que antes.

Terapia de Reposição de Testosterona (TRT): O Que Diz a Evidência

A Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) é uma opção terapêutica estabelecida para homens com hipogonadismo confirmado laboratorialmente e com sintomas significativos. A EAU publicou directrizes actualizadas sobre a TRT, que resumem a evidência disponível:

  • A TRT melhora o desejo sexual, a função erécti e o bem-estar geral em homens com hipogonadismo confirmado;
  • Não aumenta de forma clinicamente significativa o risco de cancro da próstata em homens sem doença prostática preexistente;
  • Está contraindicada em homens com cancro da próstata ou mama activos, eritrocitose não tratada, ou com desejo de fertilidade futura (a TRT suprime a espermatogénese);
  • As formas de administração disponíveis incluem gel transdérmico (mais comum), injecções intramusculares e sistemas de adesivo. A escolha depende das preferências do doente e do perfil de segurança individual.

Importante: a TRT em homens com testosterona normal-baixa mas acima dos 300 ng/dL, sem sintomas claros, é controversa e não é recomendada pelas directrizes actuais. A automedicação com testosterona — incluindo com formulações obtidas sem prescrição — é perigosa e não deve ser considerada.

Dinâmica do Casal na Andropausa

As alterações sexuais da andropausa afectam inevitavelmente a dinâmica do casal. O parceiro pode interpretar a redução do desejo como rejeição pessoal, ou o homem pode evitar a intimidade por medo de não corresponder às expectativas. Este ciclo de evitamento e ansiedade de desempenho agrava frequentemente as dificuldades sexuais de origem hormonal.

A comunicação aberta sobre as alterações em curso é o primeiro passo para uma adaptação saudável. Muitos casais descobrem que a andropausa representa uma oportunidade para reinventar a sua vida sexual — com maior ênfase no foreplay, na intimidade sensorial e em formas de prazer que não dependem exclusivamente da erecção e da penetração.

Em Lisboa, há uma variedade de acompanhantes em Lisboa com experiência em acompanhar homens em diferentes fases da vida, incluindo aqueles que atravessam as mudanças próprias da meia-idade e da andropausa.

Estilo de Vida e Testosterona: O Que Pode Controlar

Antes e em paralelo com qualquer avaliação médica, existem modificações de estilo de vida com impacto demonstrável nos níveis de testosterona e na função sexual:

  • Exercício de resistência (musculação): É o tipo de exercício com maior impacto positivo nos níveis de testosterona. Treinos de intensidade moderada a elevada, 3–4 vezes por semana, produzem aumentos mensuráveis.
  • Sono de qualidade: A maior parte da testosterona é produzida durante o sono. Privação crónica de sono reduz os níveis em 10–15%.
  • Redução do excesso de peso: O tecido adiposo converte testosterona em estrogénio. A perda de gordura visceral aumenta os níveis de testosterona livre disponível.
  • Redução do stress crónico: O cortisol é antagónico à testosterona. A gestão eficaz do stress tem impacto hormonal directo.
  • Moderação no álcool: O consumo excessivo de álcool prejudica a produção testicular de testosterona.

Quando Consultar um Médico

Se experiencia uma ou mais das seguintes situações de forma persistente (mais de 3 meses), deve consultar o médico de família ou um urologista/endocrinologista:

  • Diminuição marcada do desejo sexual;
  • Dificuldades erécti persistentes;
  • Fadiga inexplicável e perda de motivação;
  • Alterações de humor (irritabilidade, tristeza, falta de energia);
  • Perda de massa muscular e aumento da gordura abdominal sem alteração da dieta.

A avaliação laboratorial é simples — uma colheita de sangue matinal para testosterona total (e, quando indicado, testosterona livre, LH, FSH e prolactina) — e permite confirmar ou excluir uma causa hormonal tratável.

Referências

  1. European Association of Urology (2024). EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health: Male Hypogonadism. uroweb.org
  2. Mayo Clinic (2024). Male hypogonadism: Symptoms and causes. mayoclinic.org
  3. NHS UK (2024). Testosterone deficiency (male hypogonadism). nhs.uk
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