Andropausa: O Que É e Como Afecta os Homens

Actualizado a 16 Jun 2026
Andropausa
A andropausa — também conhecida como menopausa masculina ou hipogonadismo tardio — refere-se ao declínio gradual dos níveis de testosterona nos homens a partir dos 40-50 anos. Embora menos abrupta do que a menopausa feminina, a andropausa pode ter um impacto significativo na saúde, no bem-estar e na vida sexual.

O Que É a Andropausa

A andropausa é o termo popular para designar o declínio progressivo da produção de testosterona que ocorre naturalmente com o envelhecimento masculino. Ao contrário da menopausa feminina, que marca o fim abrupto da fertilidade, a andropausa é um processo gradual que se estende ao longo de anos ou décadas.

A partir dos 30 anos, os níveis de testosterona diminuem cerca de 1% a 2% por ano. Na maioria dos homens, esta redução é subtil e não causa sintomas significativos. No entanto, em alguns casos — estimados entre 10% a 25% dos homens acima dos 50 anos — o declínio é suficientemente acentuado para provocar sintomas que afectam a qualidade de vida.

O termo médico mais preciso é hipogonadismo tardio ou deficiência androgénica do envelhecimento masculino (DAEM).

Sintomas da Andropausa

Os sintomas variam de homem para homem e podem ser confundidos com sinais normais de envelhecimento ou outras condições:

Sintomas Sexuais

  • Diminuição do desejo sexual (libido)
  • Dificuldade em obter ou manter erecções (disfunção eréctil)
  • Redução da qualidade dos orgasmos
  • Menor volume de ejaculação
  • Diminuição das erecções matinais espontâneas

Sintomas Físicos

  • Fadiga e perda de energia
  • Perda de massa muscular e força
  • Aumento da gordura corporal, especialmente abdominal
  • Diminuição da densidade óssea (risco de osteoporose)
  • Afrontamentos e suores nocturnos (menos comuns do que na menopausa feminina)
  • Perda de pilosidade corporal

Sintomas Psicológicos

  • Alterações de humor e irritabilidade
  • Dificuldade de concentração e perda de memória
  • Sentimentos de tristeza ou depressão
  • Perda de motivação e confiança
  • Perturbações do sono (insónia)

Diagnóstico

O diagnóstico da andropausa baseia-se na combinação de sintomas clínicos e análises laboratoriais:

  • Análises ao sangue — A medição da testosterona total e livre no sangue é o exame fundamental. Deve ser realizado de manhã (os níveis são mais altos entre as 7h e as 10h) e repetido em pelo menos duas ocasiões diferentes.
  • Valores de referência — Consideram-se valores baixos abaixo de 300 ng/dL de testosterona total, embora os limites variem entre laboratórios e guidelines.
  • Outros exames — LH, FSH, prolactina, SHBG, hemograma e perfil lipídico podem ser solicitados para excluir outras causas.
  • Avaliação clínica — O médico avalia os sintomas, o historial clínico e exclui outras condições que mimetizam a andropausa (depressão, hipotiroidismo, diabetes, apneia do sono).

É fundamental consultar um urologista ou endocrinologista para um diagnóstico correcto. A autodiagnose é desaconselhada.

Tratamento

O tratamento depende da gravidade dos sintomas e dos valores de testosterona:

Terapia de Reposição de Testosterona (TRT)

Quando os níveis de testosterona são clinicamente baixos e os sintomas significativos, o médico pode prescrever reposição hormonal nas seguintes formas:

  • Gel tópico — Aplicação diária na pele (ombros, braços). A forma mais comum actualmente.
  • Injecções intramusculares — Administradas a cada 2-4 semanas (ou a cada 10-14 semanas na formulação de libertação prolongada).
  • Adesivos transdérmicos — Aplicação diária na pele.
  • Comprimidos — Formas orais mais recentes, com menor impacto hepático do que as fórmulas antigas.

Nota importante: A TRT tem contra-indicações (cancro da próstata, policitemia, apneia do sono grave) e efeitos secundários potenciais. Deve ser sempre prescrita e monitorizada por um médico especialista.

Alterações no Estilo de Vida

Medidas que ajudam a manter níveis saudáveis de testosterona e a atenuar os sintomas:

  • Exercício físico — Musculação e treino de alta intensidade (HIIT) são os mais eficazes para estimular a produção de testosterona
  • Alimentação equilibrada — Dieta rica em proteínas, gorduras saudáveis, zinco (marisco, carne, sementes) e vitamina D
  • Sono de qualidade — A testosterona é produzida maioritariamente durante o sono profundo. 7-9 horas por noite são recomendadas.
  • Gestão do stress — O cortisol (hormona do stress) inibe a produção de testosterona. Técnicas de relaxamento, meditação ou exercício regular ajudam.
  • Peso saudável — A obesidade reduz significativamente os níveis de testosterona. Perder peso pode, por si só, normalizar os valores.

Impacto na Vida Sexual

A andropausa pode afectar significativamente a vida sexual, mas não é uma sentença:

  • Desejo sexual — A diminuição da libido é tratável. A TRT e as alterações no estilo de vida podem restaurar o desejo.
  • Disfunção eréctil — Pode ter múltiplas causas (vascular, neurológica, psicológica) para além da queda de testosterona. O tratamento pode incluir TRT, inibidores da PDE5 (sildenafil/tadalafil) ou outras abordagens.
  • Fertilidade — Ao contrário da menopausa feminina, a andropausa não significa infertilidade. Muitos homens continuam férteis até idades avançadas, embora a qualidade espermática diminua.
  • Intimidade — A comunicação aberta com o parceiro sobre as mudanças físicas e emocionais é essencial para manter uma relação sexual satisfatória.

Quando Consultar um Médico

Deve procurar aconselhamento médico se:

  • Notou uma diminuição persistente do desejo sexual
  • Tem dificuldade em obter ou manter erecções com regularidade
  • Sente fadiga constante sem causa aparente
  • Perdeu massa muscular apesar de manter actividade física
  • Tem alterações de humor, irritabilidade ou sintomas depressivos inexplicados
  • As erecções matinais desapareceram ou diminuíram significativamente

O médico de família pode fazer a avaliação inicial e referenciar para urologia ou endocrinologia se necessário. Em Portugal, estes serviços estão disponíveis no SNS.

Saiba Mais

Para um guia completo sobre andropausa, sintomas, tratamento hormonal e impacto na vida sexual, leia o nosso artigo Andropausa: Sintomas, Tratamento e Vida Sexual.

Perguntas Frequentes

A andropausa é o declínio gradual dos níveis de testosterona que ocorre naturalmente nos homens a partir dos 40-50 anos. Também chamada menopausa masculina ou hipogonadismo tardio, pode causar sintomas como diminuição da libido, fadiga, perda de massa muscular e alterações de humor.
Não. A menopausa feminina é um evento abrupto que marca o fim da fertilidade. A andropausa é um declínio gradual da testosterona ao longo de anos. Os homens não perdem a fertilidade — podem continuar a produzir espermatozóides, embora em menor quantidade e qualidade.
Os níveis de testosterona começam a diminuir gradualmente a partir dos 30 anos (cerca de 1-2% por ano). Os sintomas manifestam-se tipicamente entre os 40 e os 60 anos, mas variam muito de homem para homem. Nem todos os homens desenvolvem sintomas significativos.
A andropausa é um processo natural, não uma doença. Os sintomas podem ser eficazmente tratados com terapia de reposição de testosterona (quando indicada) e alterações no estilo de vida — exercício físico, alimentação equilibrada, sono de qualidade e gestão do stress.
O médico de família pode fazer a avaliação inicial e pedir análises à testosterona. Se os valores forem baixos, será referenciado para um urologista ou endocrinologista. Em Portugal, estes serviços estão disponíveis no SNS.

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