Andropausa: O Que É e Como Afecta os Homens
O Que É a Andropausa
A andropausa é o termo popular para designar o declínio progressivo da produção de testosterona que ocorre naturalmente com o envelhecimento masculino. Ao contrário da menopausa feminina, que marca o fim abrupto da fertilidade, a andropausa é um processo gradual que se estende ao longo de anos ou décadas.
A partir dos 30 anos, os níveis de testosterona diminuem cerca de 1% a 2% por ano. Na maioria dos homens, esta redução é subtil e não causa sintomas significativos. No entanto, em alguns casos — estimados entre 10% a 25% dos homens acima dos 50 anos — o declínio é suficientemente acentuado para provocar sintomas que afectam a qualidade de vida.
O termo médico mais preciso é hipogonadismo tardio ou deficiência androgénica do envelhecimento masculino (DAEM).
Sintomas da Andropausa
Os sintomas variam de homem para homem e podem ser confundidos com sinais normais de envelhecimento ou outras condições:
Sintomas Sexuais
- Diminuição do desejo sexual (libido)
- Dificuldade em obter ou manter erecções (disfunção eréctil)
- Redução da qualidade dos orgasmos
- Menor volume de ejaculação
- Diminuição das erecções matinais espontâneas
Sintomas Físicos
- Fadiga e perda de energia
- Perda de massa muscular e força
- Aumento da gordura corporal, especialmente abdominal
- Diminuição da densidade óssea (risco de osteoporose)
- Afrontamentos e suores nocturnos (menos comuns do que na menopausa feminina)
- Perda de pilosidade corporal
Sintomas Psicológicos
- Alterações de humor e irritabilidade
- Dificuldade de concentração e perda de memória
- Sentimentos de tristeza ou depressão
- Perda de motivação e confiança
- Perturbações do sono (insónia)
Diagnóstico
O diagnóstico da andropausa baseia-se na combinação de sintomas clínicos e análises laboratoriais:
- Análises ao sangue — A medição da testosterona total e livre no sangue é o exame fundamental. Deve ser realizado de manhã (os níveis são mais altos entre as 7h e as 10h) e repetido em pelo menos duas ocasiões diferentes.
- Valores de referência — Consideram-se valores baixos abaixo de 300 ng/dL de testosterona total, embora os limites variem entre laboratórios e guidelines.
- Outros exames — LH, FSH, prolactina, SHBG, hemograma e perfil lipídico podem ser solicitados para excluir outras causas.
- Avaliação clínica — O médico avalia os sintomas, o historial clínico e exclui outras condições que mimetizam a andropausa (depressão, hipotiroidismo, diabetes, apneia do sono).
É fundamental consultar um urologista ou endocrinologista para um diagnóstico correcto. A autodiagnose é desaconselhada.
Tratamento
O tratamento depende da gravidade dos sintomas e dos valores de testosterona:
Terapia de Reposição de Testosterona (TRT)
Quando os níveis de testosterona são clinicamente baixos e os sintomas significativos, o médico pode prescrever reposição hormonal nas seguintes formas:
- Gel tópico — Aplicação diária na pele (ombros, braços). A forma mais comum actualmente.
- Injecções intramusculares — Administradas a cada 2-4 semanas (ou a cada 10-14 semanas na formulação de libertação prolongada).
- Adesivos transdérmicos — Aplicação diária na pele.
- Comprimidos — Formas orais mais recentes, com menor impacto hepático do que as fórmulas antigas.
Nota importante: A TRT tem contra-indicações (cancro da próstata, policitemia, apneia do sono grave) e efeitos secundários potenciais. Deve ser sempre prescrita e monitorizada por um médico especialista.
Alterações no Estilo de Vida
Medidas que ajudam a manter níveis saudáveis de testosterona e a atenuar os sintomas:
- Exercício físico — Musculação e treino de alta intensidade (HIIT) são os mais eficazes para estimular a produção de testosterona
- Alimentação equilibrada — Dieta rica em proteínas, gorduras saudáveis, zinco (marisco, carne, sementes) e vitamina D
- Sono de qualidade — A testosterona é produzida maioritariamente durante o sono profundo. 7-9 horas por noite são recomendadas.
- Gestão do stress — O cortisol (hormona do stress) inibe a produção de testosterona. Técnicas de relaxamento, meditação ou exercício regular ajudam.
- Peso saudável — A obesidade reduz significativamente os níveis de testosterona. Perder peso pode, por si só, normalizar os valores.
Impacto na Vida Sexual
A andropausa pode afectar significativamente a vida sexual, mas não é uma sentença:
- Desejo sexual — A diminuição da libido é tratável. A TRT e as alterações no estilo de vida podem restaurar o desejo.
- Disfunção eréctil — Pode ter múltiplas causas (vascular, neurológica, psicológica) para além da queda de testosterona. O tratamento pode incluir TRT, inibidores da PDE5 (sildenafil/tadalafil) ou outras abordagens.
- Fertilidade — Ao contrário da menopausa feminina, a andropausa não significa infertilidade. Muitos homens continuam férteis até idades avançadas, embora a qualidade espermática diminua.
- Intimidade — A comunicação aberta com o parceiro sobre as mudanças físicas e emocionais é essencial para manter uma relação sexual satisfatória.
Quando Consultar um Médico
Deve procurar aconselhamento médico se:
- Notou uma diminuição persistente do desejo sexual
- Tem dificuldade em obter ou manter erecções com regularidade
- Sente fadiga constante sem causa aparente
- Perdeu massa muscular apesar de manter actividade física
- Tem alterações de humor, irritabilidade ou sintomas depressivos inexplicados
- As erecções matinais desapareceram ou diminuíram significativamente
O médico de família pode fazer a avaliação inicial e referenciar para urologia ou endocrinologia se necessário. Em Portugal, estes serviços estão disponíveis no SNS.
Saiba Mais
Para um guia completo sobre andropausa, sintomas, tratamento hormonal e impacto na vida sexual, leia o nosso artigo Andropausa: Sintomas, Tratamento e Vida Sexual.