Contos Eróticos

Conto Erótico: O Voyeur da Varanda

P Paula Camargo
16 May 2026 4 min leitura 51 visualizacoes
Conto Erótico: O Voyeur da Varanda

O apartamento de Tomás ficava no quarto andar de um prédio da Mouraria, e a varanda dava directamente para um pátio estreito onde os edifícios ficavam tão próximos que havia uma intimidade arquitectónica involuntária. No prédio em frente, a mesma altura, havia um apartamento com varandim coberto de plantas e luz quente que entrava sempre com as cortinas abertas até tarde. Tomás reparara nisso no primeiro dia que ali vivera, há seis meses, e desde então era algo de que era vagamente consciente — como o ruído do trânsito ou o cheiro da padaria do rés-do-chão.

Foi numa terça-feira de novembro que tudo mudou. Tomás estava a trabalhar ao computador com a varanda entreaberta quando notou movimento na janela em frente. A cortina estava afastada mais do que o habitual, e a luz do interior iluminava uma figura feminina que se movia pela sala com uma naturalidade que era em si mesma uma forma de beleza.

A Descoberta

Tomás não se levantou para ver melhor. Ficou exactamente onde estava, com os olhos a desviar-se do ecrã por intervalos que foram ficando mais longos. A mulher — que ele não conhecia, que nunca tinha visto de perto — estava completamente alheia à sua existência. Tinha os cabelos preso de qualquer forma, usava uma t-shirt larga, e fazia as coisas da sua vida com a descontracção de quem está completamente sozinho.

Havia algo de vertiginoso naquela assimetria: ele a ver sem ser visto, ela completamente em si mesma sem saber que havia uma testemunha involuntária. Tomás reconheceu o que estava a sentir com algum desconforto. Não era desejo simples — era qualquer coisa mais complicada, uma mistura de curiosidade e de fascínio pela opacidade da vida das pessoas, pela forma como cada janela iluminada à noite é um fragmento de uma existência inteira que nunca se chegará a conhecer.

Fechou o portátil e foi para a cozinha.

O Encontro

Duas semanas depois, Tomás cruzou-se com ela nas escadas do seu próprio prédio. Ela estava a sair do apartamento mesmo ao lado do seu — tinha-se mudado recentemente, soube depois, para o andar de cima do seu. Chamava-se Catarina, trabalhava em design, e tinha aquele tipo de presença que é difícil de articular mas imediata de sentir: uma atenção genuína ao momento, uma forma de olhar que tornava o interlocutor mais consciente do que dizia.

Falaram durante dez minutos no patamar. Tomás não disse nada sobre as janelas. Mas quando subiu ao apartamento e se sentou na varanda, a consciência de que ela estava algures no mesmo edifício tinha uma textura completamente diferente da de uma desconhecida numa janela em frente.

A Confissão

Três meses e várias conversas nas escadas e um jantar partilhado mais tarde, Tomás contou-lhe. Com cuidado, com honestidade, sem drama — disse-lhe que durante semanas a tinha visto pela janela sem querer, e que isso o tinha feito sentir coisas que não sabia bem classificar. Catarina ouviu-o com uma atenção que não era julgamento.

— Eu sabia — disse ela, depois de um silêncio. — Havia noites que eu deixava a cortina aberta de propósito.

Tomás ficou em silêncio por um momento. A cidade lá fora continuava o seu ruído habitual.

— Porquê? — perguntou ele, finalmente.

Ela sorriu com uma honestidade que era, em si mesma, uma forma de intimidade.

— Porque toda a gente quer ser vista por alguém que não finge não estar a ver.

Se este conto de voyeurismo despertou a tua curiosidade sobre encontros reais, o EncontrosX é a plataforma de classificados adultos mais segura de Portugal. Explora os anúncios verificados e encontra o teu próximo encontro com privacidade total.

Partilhar:

Artigos Relacionados

A Noite na Casa de Swing: Conto Iniciático

A Noite na Casa de Swing: Conto Iniciático

Ana e Rodrigo são um casal jovem de Lisboa que decide explorar uma casa de swing em Cascais. Entre o nervosismo da estreia e a descoberta de um mundo de prazer partilhado, a noite muda-os para sempre.