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Entrevista: Gestor de Casa de Swing em Lisboa

P Paula Camargo
21 Apr 2026 9 min leitura 27 visualizacoes
Entrevista: Gestor de Casa de Swing em Lisboa

Os nomes foram alterados e detalhes biográficos compostos para proteger a privacidade. Esta entrevista é fictícia, baseada em arquétipos profissionais reais.

Preferiu ser identificado apenas como M., 53 anos. Gestor de um clube swinger na zona da Grande Lisboa há quinze anos — localização exacta não divulgada por razões que explicará. Homem de voz pausada e maneiras cautelosas, parece mais um director de hotel do que o responsável por um dos espaços de entretenimento adulto mais activos da região de Lisboa. Encontrámo-lo num café neutro, fora do bairro onde fica o clube. Aceitou responder a tudo desde que não houvesse referências que permitissem identificar o espaço.

A Entrada na Gestão

M., como é que chegou a gerir um clube swinger?

Percurso indirecto. Trabalhei durante vinte anos em hotelaria — gestão de restauração, depois de eventos. Conhecia bem o que é gerir um espaço noturno com público exigente, com necessidades de discreção elevadas, com logística complexa. Uma pessoa que conhecia da indústria hoteleira foi a primeira gestora do clube e precisava de um sócio com experiência operacional. Não era frequentador — conhecia o conceito, não era praticante. Entrei numa lógica puramente empresarial. Com o tempo, a dimensão humana do negócio tornou-se mais interessante do que a operacional. Hoje estou cá tanto pelo negócio como pela convicção de que espaços como este têm um papel social real.

Que papel social é esse?

Oferecer um espaço seguro, supervisionado e com regras claras para adultos explorarem a sua sexualidade de formas que não têm outro contexto disponível. A alternativa ao clube organizado não é a ausência de comportamento — é o comportamento sem supervisão, sem segurança, sem regras. Há festas privadas em apartamentos sem qualquer protocolo, há encontros arranjados online sem verificação nenhuma. O clube tem estrutura. Tem staff formado. Tem regras aplicadas. Isso faz diferença real na segurança e na experiência das pessoas que nos frequentam.

O Perfil dos Frequentadores

Quem são as pessoas que frequentam o clube?

O perfil dominante são casais heterossexuais entre os 35 e os 55 anos, com rendimentos acima da média — o nível de preços do clube não é acessível para todos. Dentro desse grupo, há muita diversidade de profissões: tenho médicos, advogados, engenheiros, professores, empresários. Tenho também um grupo crescente de casais bissexuais — sobretudo em que a mulher é bissexual — e um segmento de solteiros, que têm condições de entrada mais exigentes para garantir equilíbrio de género. O que me surpreendeu no início, vindo de fora da comunidade, foi o quão "normais" são as pessoas. Não há um estereótipo válido — há uma diversidade humana que reflecte a diversidade real da sexualidade.

Nota diferenças entre frequentadores mais jovens e mais velhos?

Sim, e são interessantes. Os mais velhos, que entraram neste meio nos anos noventa ou dois mil, têm frequentemente perfis mais rígidos — papéis mais definidos, menos abertura a variações de género ou orientação, mais reserva nas interacções sociais antes de chegar às áreas privativas. Os mais jovens chegam geralmente mais informados — leram sobre não-monogamia consensual, têm um vocabulário mais preciso sobre limites e consentimento, e há muito menos drama de género nas dinâmicas. Muitos casais jovens chegam como projecto conjunto igualitário — não é "a fantasia do marido que a mulher tolera", que era um padrão muito frequente há quinze anos.

Há frequentadores que se tornam habitués de longa data?

Muitos. Tenho casais que frequentam o clube há dez ou doze anos — desde a abertura. Há um núcleo de membros que conheço pelo nome, que conheço os filhos que foram para a universidade, que sei quando houve uma doença na família. Não é um contexto de relação profunda — mas há uma continuidade que cria uma espécie de comunidade. Alguns destes casais têm amizades reais que nasceram aqui. Encontram-se fora do clube para jantares, para férias. O espaço foi o ponto de encontro, mas a relação extravasou.

As Regras

Quais são as regras fundamentais do clube?

São simples mas aplicadas com rigor absoluto. Primeira: o não é definitivo e não precisa de justificação. Qualquer pessoa pode recusar qualquer interacção com qualquer outra pessoa, a qualquer momento, sem explicação. Segunda: preservativo obrigatório em todos os actos penetrativos, sem excepção. Não há negociação sobre isto. Terceira: zero fotografias ou gravações — o espaço tem câmeras nas entradas e zonas comuns, e toda a gente assina na entrada que compreende esta regra. Quarta: álcool moderado — não servimos shots, o open bar tem limite por pessoa, e alguém que chega visivelmente embriagado não entra. Quinta: higiene pessoal rigorosa — temos instalações de banho que pedimos que sejam usadas antes de entrar nas áreas privativas.

Como garante o cumprimento dessas regras? O que acontece quando são violadas?

Temos staff de monitorização em todas as áreas. A equipa foi formada especificamente para intervir de forma discreta mas eficaz. Uma violação menor — alguém que se torna demasiado insistente — é resolvida por um elemento da equipa que se aproxima e reencaminha. Uma violação grave — desrespeito explícito por um "não", comportamento agressivo — resulta em expulsão imediata e banimento permanente. Ao longo de quinze anos, as expulsões permanentes foram cerca de vinte e cinco. Não é um número elevado, mas cada uma foi determinante — porque a reputação de um clube como este depende de as pessoas saberem que as regras são reais, não decorativas.

Desafios Operacionais

Quais são os maiores desafios de gerir este tipo de espaço?

Três grandes áreas. A primeira é o enquadramento legal — operar dentro da lei numa área que não tem legislação específica em Portugal exige permanente atenção a regulamentos colaterais: licenciamento, ASAE, regulamentos municipais. Funcionamos como associação privada de acesso restrito, o que nos dá protecção legal considerável, mas o ambiente regulatório pode mudar. Tenho advogado de confiança sempre consultado. A segunda é a gestão de conflitos dentro da comunidade — ciúmes, expectativas não alinhadas entre parceiros, mal-entendidos. Não somos terapeutas, mas intervimos quando necessário e às vezes esse papel é inevitável. A terceira é simplesmente a logística operacional: limpeza de nível hospitalar, renovação de consumíveis, manutenção de um ambiente que mantenha qualidade consistente.

A pandemia afectou o clube?

Foi devastador, como para qualquer espaço de entretenimento. Fechámos dezasseis meses. Mantivemos a renda e os custos fixos sem rendimento. Quando reabrimos em meados de 2021, tínhamos perdido cerca de um terço dos membros activos — parte por separação dos casais durante o confinamento, parte por mudança de cidade ou país, parte por simples perda do hábito. Reconstruir a comunidade demorou dois anos. O que foi surpreendente foi a qualidade dos novos membros que chegaram a partir de 2022: mais jovens, mais informados, com uma clareza sobre o que procuravam que raramente via antes. A pandemia parece ter acelerado em muita gente uma reflexão sobre o que querem realmente das suas vidas.

Que conselhos daria a um casal que está a considerar visitar um clube de swing pela primeira vez?

Cinco conselhos que dou frequentemente. Primeiro: conversem muito antes de entrar — não só "queres?" mas "o que estamos dispostos a fazer?", "o que está fora de questão?", "o que fazemos se um de nós quiser sair antes?". Segundo: a primeira visita é de observação — não há qualquer obrigação de participar, e um bom clube não pressiona ninguém. Terceiro: escolham um espaço com reputação verificável — perguntem em comunidades online, leiam referências, não entrem em nenhum sítio que não vos permita visitar antes de pagar quota. Quarto: estabeleçam uma palavra de código entre vós para comunicar desconforto sem drama público. Quinto: façam o debriefing depois — falem sobre o que sentiram, o que gostaram, o que não gostaram. É uma experiência que merece ser processada em conjunto.

A Cena Swinger em Lisboa

Como avalia a cena swinger em Lisboa comparada com outras cidades europeias que conhece?

Estamos a melhorar mas ainda estamos atrás. Berlim, Amesterdão, Paris — têm uma tradição mais longa, uma aceitação social maior, e espaços com investimento muito mais significativo. Em Lisboa há uma cena activa mas relativamente pequena, muito dependente de um núcleo de pessoas que se conhecem. O que mudou nos últimos cinco anos é a qualidade dos espaços — há menos garagem improvisada e mais espaços com investimento real em decoração, higiene e experiência. A digitalização ajudou: plataformas como o EncontrosX — casais e swing em Lisboa ajudaram a criar pontos de encontro online que se traduzem em frequentadores mais informados nos espaços físicos. O crescimento vai continuar, mas depende de uma normalização social que ainda está em curso em Portugal.

Há um aspecto desta actividade que o surpreendeu positivamente ao longo de quinze anos?

A consistência das relações. Esperava um mundo de volatilidade — pessoas que vêm uma vez, casais que se separam dramaticamente, dramas constantes. O que encontrei foi muita estabilidade. Os casais que duram nesta cena são geralmente aqueles que têm comunicação muito boa entre si — e a comunicação que exige este estilo de vida é um treino que fortalece a relação em todas as outras áreas. Já perdi a conta ao número de pessoas que me disseram que a forma como aprenderam a comunicar sobre limites e desejos no contexto do swing transformou a qualidade da comunicação no seu casamento em geral. É um efeito colateral que não esperava e que me satisfaz genuinamente.

Reflexão Final

M. despediu-se com uma observação que resume bem quinze anos neste mundo: "Gerir este espaço ensinou-me mais sobre seres humanos do que qualquer outra coisa que fiz profissionalmente. As pessoas, quando se sentem seguras, são extraordinárias."

Para quem tem curiosidade sobre a cena swinger em Lisboa e quer conhecer casais com interesses semelhantes, o EncontrosX — anúncios de casais e swing em Lisboa tem uma comunidade activa onde pode começar a explorar com a discrição que M. considera fundamental.

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