Peyronie: Tratamentos, Cirurgia e Ondas de Choque
Este artigo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, contacte um urologista ou ligue para a linha SNS 24 (808 24 24 24).
O Que É a Doença de Peyronie?
A doença de Peyronie é uma condição urológica caracterizada pela formação de placas de tecido fibroso (cicatricial) no interior do pénis, conduzindo a curvatura, dor durante a erecção e, frequentemente, disfunção eréctil. Afecta entre 3% e 9% dos homens adultos, sendo mais prevalente na faixa dos 40 aos 70 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade.
A condição tem impacto considerável na qualidade de vida e na vida sexual, pelo que o diagnóstico precoce é determinante para melhorar o prognóstico. Se reside no Porto e procura apoio especializado, pode também consultar acompanhantes no Porto para suporte emocional durante o processo de recuperação.
Causas e Factores de Risco
A origem exacta da doença de Peyronie ainda não é totalmente conhecida, mas a teoria mais aceite aponta para microtraumatismos repetidos no tecido eréctil, que desencadeiam uma resposta inflamatória anómala e consequente fibrose.
- Traumatismo peniano: Dobramento do pénis durante a actividade sexual ou desportiva.
- Predisposição genética: Associação com a doença de Dupuytren (contratura palmar).
- Doenças autoimunes: Lupus, artrite reumatóide e outras condições inflamatórias sistémicas.
- Diabetes mellitus: Altera a cicatrização e aumenta o risco de fibrose.
- Hipertensão e tabagismo: Comprometem a circulação peniana.
- Cirurgia prostática: Prostatectomia radical pode preceder o aparecimento da doença.
Fases da Doença
A doença de Peyronie evolui tipicamente em duas fases distintas:
Fase Activa (Aguda)
Dura entre 6 e 18 meses. Caracteriza-se por dor durante as erecções, formação progressiva da placa e agravamento da curvatura. É durante esta fase que a doença está em evolução e o tratamento conservador tem maior relevância.
Fase Crónica (Estável)
A dor cessa, a curvatura estabiliza e a placa pode calcificar. Nesta fase, a cirurgia correctiva pode ser considerada se a deformidade impedir a actividade sexual.
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas pode ser complementado por exames imagiológicos:
- Ecografia peniana com Doppler: Identifica a localização e extensão da placa, bem como o fluxo sanguíneo eréctil.
- Fotografias documentais: O doente pode ser solicitado a fotografar a erecção para avaliar o grau de curvatura.
- Injecção intracavernosa: Indução de erecção farmacológica para avaliação objectiva em contexto clínico.
Opções de Tratamento
Tratamento Conservador (Fase Activa)
Na fase activa, o objectivo é travar a progressão e reduzir a inflamação. As opções incluem:
- Vitamina E oral: Antioxidante com efeito modesto; frequentemente usada como adjuvante.
- Pentoxifilina: Melhora a microcirculação e inibe a síntese de colagénio tipo I.
- Colagenase de Clostridium histolyticum (CCH): Injecção intralesional aprovada pela EMA que dissolve as fibras de colagénio da placa. Requer múltiplas sessões e técnica especializada.
- Verapamil intralesional: Bloqueador dos canais de cálcio injectado directamente na placa; resultados variáveis.
Ondas de Choque Extracorporais (ESWT)
A terapia por ondas de choque de baixa intensidade é uma opção não invasiva crescentemente utilizada na fase activa. As ondas acústicas estimulam a vascularização local e podem reduzir a placa. Vários estudos clínicos demonstram melhoria da dor e da função eréctil, embora o efeito sobre a curvatura seja mais modesto. O tratamento é ambulatório, sem anestesia, e efectuado em várias sessões.
Cirurgia Correctiva (Fase Crónica)
Indicada quando a curvatura é superior a 30–45 graus, impede a penetração ou quando existe disfunção eréctil associada não responsiva a medicação. As principais técnicas são:
- Plicatura de Nesbit: Encurtamento do lado convexo do pénis para corrigir a curvatura. Técnica simples, com bons resultados, mas pode resultar em ligeiro encurtamento.
- Enxerto (incisão e enxertia): Incisão na placa e preenchimento com enxerto. Preserva o comprimento, mas tem maior risco de disfunção eréctil pós-operatória.
- Prótese peniana inflável: Indicada quando existe disfunção eréctil grave associada. Resolve simultaneamente a curvatura e a disfunção.
Recuperação e Resultados
A recuperação cirúrgica dura entre 4 e 8 semanas, com retoma gradual da actividade sexual. A satisfação pós-operatória é elevada — estudos reportam taxas de satisfação entre 70% e 90%. A disfunção eréctil pós-cirúrgica é o principal risco e deve ser discutida exaustivamente com o urologista antes da decisão.
Impacto na Vida Sexual
A doença de Peyronie provoca frequentemente ansiedade de desempenho, vergonha e evitamento da intimidade. O acompanhamento psicossexual em paralelo com o tratamento urológico melhora significativamente os resultados. Muitos homens recorrem a companhia especializada no Porto como forma de manter a autoestima e a proximidade emocional durante a fase de tratamento.
Quando Consultar um Urologista
Procure avaliação especializada se:
- Sentir dor persistente durante as erecções
- Notar curvatura progressiva do pénis
- Identificar um nódulo ou placa endurecida sob a pele peniana
- A curvatura impedir ou dificultar a relação sexual
- Desenvolver disfunção eréctil associada
Perguntas Frequentes
A doença de Peyronie cura-se sozinha?
Em cerca de 10–15% dos casos há resolução espontânea. Na maioria, a doença estabiliza mas não reverte sem tratamento. A intervenção precoce na fase activa tem melhores resultados.
As ondas de choque eliminam a placa?
As ondas de choque podem reduzir a placa e a dor, mas raramente a eliminam por completo. São mais eficazes na melhoria da função eréctil e redução da dor do que na correcção da curvatura.
A cirurgia é definitiva?
Na grande maioria dos casos, sim. Recidivas são raras após cirurgia bem indicada e executada.
A doença afecta a fertilidade?
A doença de Peyronie em si não afecta a produção de espermatozóides. Contudo, a disfunção eréctil associada pode dificultar a concepção natural.
É possível ter relações durante a fase activa?
Depende do grau de curvatura e da presença de dor. O urologista avaliará caso a caso e aconselhará sobre posições ou técnicas que minimizem o traumatismo.
O tratamento com colagenase está disponível em Portugal?
Sim, a CCH (Xiapex) está disponível em centros urológicos especializados em Portugal, embora não seja comparticipada pelo SNS.
Qual o tempo mínimo de espera antes de optar pela cirurgia?
Recomenda-se aguardar pelo menos 12 meses após a estabilização da doença (fase crónica) antes de avançar para cirurgia electiva.
Conclusão
A doença de Peyronie é tratável e não deve ser motivo de resignação. Com acompanhamento urológico adequado, existe uma variedade crescente de opções terapêuticas — desde tratamentos conservadores e ondas de choque até cirurgia correctiva — que permitem recuperar a função sexual e a qualidade de vida. O primeiro passo é sempre a consulta especializada.
Referências
- NHS UK (2024). Peyronie's disease. nhs.uk
- Mayo Clinic (2025). Peyronie's disease — Symptoms and causes. mayoclinic.org
- PubMed / NCBI (2023). Extracorporeal shock wave therapy for Peyronie's disease: systematic review. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
- DGS — Direcção-Geral da Saúde (2024). Saúde do Homem. dgs.pt
- SNS 24 (2025). Doenças do pénis e próstata — Informação ao cidadão. sns24.gov.pt