Saúde Masculina

Peyronie: Tratamentos, Cirurgia e Ondas de Choque

P Paula Camargo
03 May 2026 7 min leitura 23 visualizacoes
Peyronie: Tratamentos, Cirurgia e Ondas de Choque

Este artigo é informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, contacte um urologista ou ligue para a linha SNS 24 (808 24 24 24).

O Que É a Doença de Peyronie?

A doença de Peyronie é uma condição urológica caracterizada pela formação de placas de tecido fibroso (cicatricial) no interior do pénis, conduzindo a curvatura, dor durante a erecção e, frequentemente, disfunção eréctil. Afecta entre 3% e 9% dos homens adultos, sendo mais prevalente na faixa dos 40 aos 70 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade.

A condição tem impacto considerável na qualidade de vida e na vida sexual, pelo que o diagnóstico precoce é determinante para melhorar o prognóstico. Se reside no Porto e procura apoio especializado, pode também consultar acompanhantes no Porto para suporte emocional durante o processo de recuperação.

Causas e Factores de Risco

A origem exacta da doença de Peyronie ainda não é totalmente conhecida, mas a teoria mais aceite aponta para microtraumatismos repetidos no tecido eréctil, que desencadeiam uma resposta inflamatória anómala e consequente fibrose.

  • Traumatismo peniano: Dobramento do pénis durante a actividade sexual ou desportiva.
  • Predisposição genética: Associação com a doença de Dupuytren (contratura palmar).
  • Doenças autoimunes: Lupus, artrite reumatóide e outras condições inflamatórias sistémicas.
  • Diabetes mellitus: Altera a cicatrização e aumenta o risco de fibrose.
  • Hipertensão e tabagismo: Comprometem a circulação peniana.
  • Cirurgia prostática: Prostatectomia radical pode preceder o aparecimento da doença.

Fases da Doença

A doença de Peyronie evolui tipicamente em duas fases distintas:

Fase Activa (Aguda)

Dura entre 6 e 18 meses. Caracteriza-se por dor durante as erecções, formação progressiva da placa e agravamento da curvatura. É durante esta fase que a doença está em evolução e o tratamento conservador tem maior relevância.

Fase Crónica (Estável)

A dor cessa, a curvatura estabiliza e a placa pode calcificar. Nesta fase, a cirurgia correctiva pode ser considerada se a deformidade impedir a actividade sexual.

Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, mas pode ser complementado por exames imagiológicos:

  • Ecografia peniana com Doppler: Identifica a localização e extensão da placa, bem como o fluxo sanguíneo eréctil.
  • Fotografias documentais: O doente pode ser solicitado a fotografar a erecção para avaliar o grau de curvatura.
  • Injecção intracavernosa: Indução de erecção farmacológica para avaliação objectiva em contexto clínico.

Opções de Tratamento

Tratamento Conservador (Fase Activa)

Na fase activa, o objectivo é travar a progressão e reduzir a inflamação. As opções incluem:

  • Vitamina E oral: Antioxidante com efeito modesto; frequentemente usada como adjuvante.
  • Pentoxifilina: Melhora a microcirculação e inibe a síntese de colagénio tipo I.
  • Colagenase de Clostridium histolyticum (CCH): Injecção intralesional aprovada pela EMA que dissolve as fibras de colagénio da placa. Requer múltiplas sessões e técnica especializada.
  • Verapamil intralesional: Bloqueador dos canais de cálcio injectado directamente na placa; resultados variáveis.

Ondas de Choque Extracorporais (ESWT)

A terapia por ondas de choque de baixa intensidade é uma opção não invasiva crescentemente utilizada na fase activa. As ondas acústicas estimulam a vascularização local e podem reduzir a placa. Vários estudos clínicos demonstram melhoria da dor e da função eréctil, embora o efeito sobre a curvatura seja mais modesto. O tratamento é ambulatório, sem anestesia, e efectuado em várias sessões.

Cirurgia Correctiva (Fase Crónica)

Indicada quando a curvatura é superior a 30–45 graus, impede a penetração ou quando existe disfunção eréctil associada não responsiva a medicação. As principais técnicas são:

  • Plicatura de Nesbit: Encurtamento do lado convexo do pénis para corrigir a curvatura. Técnica simples, com bons resultados, mas pode resultar em ligeiro encurtamento.
  • Enxerto (incisão e enxertia): Incisão na placa e preenchimento com enxerto. Preserva o comprimento, mas tem maior risco de disfunção eréctil pós-operatória.
  • Prótese peniana inflável: Indicada quando existe disfunção eréctil grave associada. Resolve simultaneamente a curvatura e a disfunção.

Recuperação e Resultados

A recuperação cirúrgica dura entre 4 e 8 semanas, com retoma gradual da actividade sexual. A satisfação pós-operatória é elevada — estudos reportam taxas de satisfação entre 70% e 90%. A disfunção eréctil pós-cirúrgica é o principal risco e deve ser discutida exaustivamente com o urologista antes da decisão.

Impacto na Vida Sexual

A doença de Peyronie provoca frequentemente ansiedade de desempenho, vergonha e evitamento da intimidade. O acompanhamento psicossexual em paralelo com o tratamento urológico melhora significativamente os resultados. Muitos homens recorrem a companhia especializada no Porto como forma de manter a autoestima e a proximidade emocional durante a fase de tratamento.

Quando Consultar um Urologista

Procure avaliação especializada se:

  • Sentir dor persistente durante as erecções
  • Notar curvatura progressiva do pénis
  • Identificar um nódulo ou placa endurecida sob a pele peniana
  • A curvatura impedir ou dificultar a relação sexual
  • Desenvolver disfunção eréctil associada

Perguntas Frequentes

A doença de Peyronie cura-se sozinha?

Em cerca de 10–15% dos casos há resolução espontânea. Na maioria, a doença estabiliza mas não reverte sem tratamento. A intervenção precoce na fase activa tem melhores resultados.

As ondas de choque eliminam a placa?

As ondas de choque podem reduzir a placa e a dor, mas raramente a eliminam por completo. São mais eficazes na melhoria da função eréctil e redução da dor do que na correcção da curvatura.

A cirurgia é definitiva?

Na grande maioria dos casos, sim. Recidivas são raras após cirurgia bem indicada e executada.

A doença afecta a fertilidade?

A doença de Peyronie em si não afecta a produção de espermatozóides. Contudo, a disfunção eréctil associada pode dificultar a concepção natural.

É possível ter relações durante a fase activa?

Depende do grau de curvatura e da presença de dor. O urologista avaliará caso a caso e aconselhará sobre posições ou técnicas que minimizem o traumatismo.

O tratamento com colagenase está disponível em Portugal?

Sim, a CCH (Xiapex) está disponível em centros urológicos especializados em Portugal, embora não seja comparticipada pelo SNS.

Qual o tempo mínimo de espera antes de optar pela cirurgia?

Recomenda-se aguardar pelo menos 12 meses após a estabilização da doença (fase crónica) antes de avançar para cirurgia electiva.

Conclusão

A doença de Peyronie é tratável e não deve ser motivo de resignação. Com acompanhamento urológico adequado, existe uma variedade crescente de opções terapêuticas — desde tratamentos conservadores e ondas de choque até cirurgia correctiva — que permitem recuperar a função sexual e a qualidade de vida. O primeiro passo é sempre a consulta especializada.

Referências

  1. NHS UK (2024). Peyronie's disease. nhs.uk
  2. Mayo Clinic (2025). Peyronie's disease — Symptoms and causes. mayoclinic.org
  3. PubMed / NCBI (2023). Extracorporeal shock wave therapy for Peyronie's disease: systematic review. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  4. DGS — Direcção-Geral da Saúde (2024). Saúde do Homem. dgs.pt
  5. SNS 24 (2025). Doenças do pénis e próstata — Informação ao cidadão. sns24.gov.pt
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