Reencontro de Verão: Conto de Nostalgia e Paixão
Cinco verões tinham passado desde a última vez que Madalena pisara a Comporta. Cinco verões desde que André e ela se tinham separado naquela mesma praia, com as palavras "preciso de encontrar quem sou" a serem levadas pelo vento junto com o que restava da relação. Agora, aos trinta e três anos, Madalena sabia exactamente quem era. E voltara ao sítio onde se tinha perdido.
A casa de férias dos amigos era a mesma — paredes brancas, portadas azuis, arroz dos arrozais a ondular como um mar verde até ao horizonte. O grupo era o mesmo menos dois: ela e André, que há anos não apareciam ao mesmo tempo. Até agora.
Ele estava sentado na varanda quando ela chegou. Mais magro, com os cabelos mais compridos, uma barba de dias que lhe escurecia o queixo. Vestia a mesma t-shirt desbotada de sempre — ou talvez fosse outra, igual — e tinha uma cerveja na mão e uma expressão que oscilava entre o choque e algo que Madalena reconheceu como a mesma emoção que ela própria sentia.
— Ninguém me disse que vinhas — disse ele.
— Ninguém me disse que vinhas — respondeu ela.
Os amigos em comum — os mesmos que os tinham juntado e depois consolado separadamente — observavam com a ansiedade de quem montou uma armadilha e não tem a certeza de que vai funcionar.
O primeiro dia foi tenso. Educados, distantes, com a cortesia dolorosa de quem já partilhou uma cama e agora não sabe como partilhar uma mesa de jantar. Mas a Comporta tem qualquer coisa que desarma as pessoas — o ritmo lento, a luz dourada, o som dos grilos ao anoitecer — e ao segundo dia, a conversa já fluía, ainda que sobre territórios seguros.
Ao terceiro dia, encontraram-se sozinhos na praia ao pôr-do-sol. Os amigos tinham ido ao supermercado (suspeitamente todos ao mesmo tempo), e Madalena e André ficaram sentados na areia, a olhar para o mesmo oceano que já tinham olhado juntos centenas de vezes.
— Encontraste? — perguntou ele.
— O quê?
— Quem eras. O que foste procurar quando saíste.
Madalena riu, um riso suave que continha cinco anos de crescimento, de erros, de aprendizagens.
— Encontrei. E sabes o que descobri? Que quem eu era sempre incluiu alguém parecido contigo.
André olhou para ela com aqueles olhos castanhos que ela via em sonhos há cinco anos, e a armadura que ambos tinham construído rachou-se como uma concha seca.
— Tive saudades — disse ele, e a simplicidade da confissão doeu mais do que qualquer discurso elaborado.
— Eu também — respondeu ela. — Todos os dias.
O beijo aconteceu com o sol a afundar-se no Atlântico, pintando o céu em tons de laranja e rosa que pareciam deliberadamente românticos. A boca dele era a mesma — ou melhor, porque cinco anos de saudade temperam tudo. Madalena sentiu o sabor de sal e de cerveja e de passado, e o presente tornou-se mais real do que qualquer memória.
Caminharam de mãos dadas até à casa, onde os amigos que regressavam do "supermercado" fingiram surpresa com naturalidade. Mas ninguém os seguiu quando subiram as escadas para o quarto que, por mais uma dessas coincidências demasiado convenientes, era o mesmo que tinham partilhado cinco verões antes.
Despiram-se com uma mistura de familiaridade e novidade. Conheciam os corpos — cada sinal, cada cicatriz — mas cinco anos tinham trazido mudanças: ele mais definido, ela com uma tatuagem nova na anca que ele traçou com o dedo antes de perguntar a história. Foram mudanças que não separavam, mas que davam matéria nova para descobrir.
Amaram-se com a ternura feroz de quem sabe o que é perder e não quer repetir o erro. André percorreu-lhe o corpo como quem relê um livro que marcou a vida — conhecendo as palavras mas encontrando novos significados. Madalena segurou-lhe o rosto entre as mãos enquanto faziam amor, olhando-o nos olhos, recusando-se a fechar os seus, como se quisesse gravar cada expressão para nunca mais esquecer.
O prazer, quando veio, trouxe consigo lágrimas de ambos — não de tristeza, mas da emoção avassaladora de regressar a casa depois de uma viagem demasiado longa. Ficaram abraçados na cama estreita do quarto de verão, com a brisa do Atlântico a entrar pela janela e o som dos amigos a rir lá em baixo como banda sonora da felicidade.
— Desta vez — disse Madalena — fico.
— Desta vez — respondeu André — não te deixo ir.
Os amigos nunca confessaram que tinham planeado tudo. Mas o champanhe que apareceu no jantar — com um bolo que dizia "finalmente" — denunciou-os por completo.
Se este conto erótico te emocionou, explora mais contos de sexo e contos eróticos Portugal. Para os teus reencontros e encontros, visita o EncontrosX — onde as histórias de paixão começam e recomeçam.