Sífilis: Sintomas, Fases e Tratamento
O Que É a Sífilis?
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Após décadas de declínio, está em forte ressurgência em Portugal e em toda a Europa — os casos aumentaram mais de 300% na última década, particularmente entre homens que fazem sexo com homens (HSH) e jovens adultos. Não tratada, a sífilis progride por fases com consequências graves e potencialmente fatais.
Transmissão
- Contacto directo com cancros sifilíticos (úlceras) ou lesões cutâneas durante sexo vaginal, anal ou oral
- Da mãe para o feto durante a gravidez (sífilis congénita) — pode causar nados-mortos, defeitos graves ou morte neonatal
- O vírus não sobrevive fora do corpo — não se transmite por contacto casual
As Quatro Fases da Sífilis
Sífilis Primária (Semanas 1-12 após infecção)
O sinal característico é o cancro sifilítico — uma úlcera indolor, de bordos bem definidos e base endurecida, no local de entrada da bactéria (genitais, ânus, lábios, garganta). Frequentemente acompanhado de adenopatia indolor regional. O cancro cura espontaneamente em 3-6 semanas, dando falsa impressão de resolução.
Sífilis Secundária (Semanas 4-12 após cancro)
Esta fase é a mais diversa e pode mimetizar muitas outras doenças ("grande simuladora"). Manifestações incluem:
- Roséola sifilítica: Exantema maculopapular generalizado, classicamente nas palmas das mãos e plantas dos pés — sinal muito característico
- Adenopatias generalizadas
- Condilomas planos (lesões muito contagiosas) na região anogenital
- Alopecia em placas ("comida de traça")
- Sintomas gerais: febre, mal-estar, artralgias
Sífilis Latente
Período sem sintomas activos mas com sorologia positiva. Divide-se em latente precoce (menos de 2 anos desde infecção, ainda com risco de transmissão) e latente tardia (mais de 2 anos, risco de transmissão baixo mas sífilis terciária pode desenvolver-se anos depois).
Sífilis Terciária (Anos a décadas depois)
Afecta apenas cerca de 15-30% dos não tratados, mas com consequências graves:
- Neurossífilis: Meningite, AVC, demência, psicose, tabes dorsalis
- Sífilis cardiovascular: Aneurisma da aorta, insuficiência aórtica
- Gomas sifilíticas: Lesões granulomatosas destrutivas em múltiplos órgãos
Diagnóstico
- Testes não treponémicos: VDRL ou RPR — rastreio e seguimento de tratamento (título diminui com cura)
- Testes treponémicos: TPHA, FTA-ABS, ELISA — confirmatórios, permanecem positivos após cura
- Sempre investigar neurossífilis em doentes com sintomas neurológicos ou psiquiátricos
Tratamento
A sífilis mantém-se excelentemente sensível à penicilina:
- Sífilis primária, secundária e latente precoce: Penicilina G benzatínica 2,4 MU IM, dose única
- Sífilis latente tardia ou terciária: Penicilina G benzatínica 2,4 MU IM semanalmente, 3 semanas
- Neurossífilis: Penicilina G aquosa IV durante 10-14 dias (internamento)
- Em caso de alergia à penicilina: doxiciclina (não na gravidez)
Após o tratamento, o seguimento serológico é obrigatório para confirmar resposta terapêutica.
Sífilis e VIH
A sífilis e o VIH têm uma relação bidireccional importante: as úlceras sifilíticas aumentam a transmissão do VIH em 2-5 vezes, e o VIH pode alterar a apresentação clínica e resposta ao tratamento da sífilis. O teste de VIH é recomendado em todos os casos de sífilis diagnosticada.
O rastreio regular de ISTs é fundamental para a saúde individual e colectiva. Na EncontrosX promovemos a responsabilidade sexual. Registe-se e faça parte de uma comunidade consciente.