Saúde & Vida Sexual

Squirt: Ejaculação Feminina e Mitos Desvendados

P Paula Camargo
10 Mar 2026 4 min leitura 59 visualizacoes
Squirt: Ejaculação Feminina e Mitos Desvendados

O Que É o Squirt?

O squirt (também chamado de ejaculação feminina ou gushing) é a expulsão de fluido pela uretra feminina durante a actividade sexual, geralmente associada à estimulação do ponto G e ao orgasmo. Apesar de séculos de descrições históricas e culturais, este fenómeno continua a ser alvo de debate científico sobre a sua natureza exacta e prevalência.

Ejaculação Feminina Versus Squirt: Há Diferença?

A investigação científica mais recente distingue dois fenómenos diferentes frequentemente confundidos:

  • Ejaculação feminina "verdadeira": Pequeno volume de fluido (alguns mililitros) produzido pelas glândulas de Skene (análogos femininos da próstata). Este fluido contém PSA (antigénio específico da próstata) e fructose, semelhante ao fluido prostático masculino.
  • Squirt/Gushing: Grande volume de fluido (10-200 ml) que estudos de cistoscopia e análise bioquímica mostram ser predominantemente urina — possivelmente diluída por secreções das glândulas de Skene.

Um estudo francês de 2015 publicado no Journal of Sexual Medicine demonstrou, através de ecografia vesical antes e depois do squirt, que a bexiga se enchia durante a excitação sexual (mesmo em mulheres que tinham urinado antes) e estava vazia após o squirt — sugerindo fortemente uma componente urinária significativa.

Quantas Mulheres Experienciam Ejaculação?

Estudos variam significativamente nas suas estimativas:

  • Ejaculação feminina "verdadeira" (pequeno volume): estimada em 10-54% das mulheres
  • Squirt de grande volume: estimado em 10-15% das mulheres

A variação deve-se a diferenças nas definições utilizadas, metodologias dos estudos, e ao facto de muitas mulheres não reconhecerem ou não relatarem este fenómeno.

Por Que Acontece? A Anatomia Envolvida

A estimulação da "zona G" — área na parede anterior da vagina correspondente ao complexo clitoriano interno — parece ser o principal gatilho. Esta área inclui:

  • Os braços internos e o tecido eréctil do clitóris
  • As glândulas de Skene (para-uretrais)
  • O tecido vascular circundante

A estimulação repetida e intensa desta área pode causar ingurgitamento (enchimento de sangue), criando pressão que pode resultar em ejaculação. A estimulação do clitóris externo simultânea amplifica frequentemente a resposta.

Como Aumentar a Probabilidade de Ejaculação

Para mulheres que desejam explorar a ejaculação:

  1. Excitação prolongada: O ingurgitamento da zona G requer tempo e excitação adequada
  2. Estimulação do ponto G: Uso de dedo(s) em curva de "vem cá" ou brinquedos específicos para ponto G
  3. Pressão abdominal: Pressão suave no abdómen baixo externamente pode amplificar a estimulação
  4. Relaxamento da bexiga: A resistência psicológica em "deixar ir" é frequentemente o maior obstáculo
  5. Comunicação com o parceiro: Descrever o que funciona é fundamental

Desmistificando Equívocos Comuns

  • Mito: "Todas as mulheres podem fazer squirt" — Falso. A anatomia das glândulas de Skene varia significativamente entre mulheres.
  • Mito: "Squirt é sinal de orgasmo intenso" — Não necessariamente. Algumas mulheres squirtam sem orgasmo; outras têm orgasmos intensos sem ejacular.
  • Mito: "Squirt não é urina" — A evidência científica sugere que tem uma componente urinária significativa, o que é perfeitamente normal.
  • Mito: "É possível aprender a fazer squirt assistindo a tutoriais" — A resposta sexual é individual; o que funciona para uma mulher pode não funcionar para outra.

Aspectos Psicológicos e Relacionais

A pressão cultural em torno do squirt — alimentada pela pornografia onde é exagerado e frequentemente simulado — pode criar ansiedade desnecessária. Mulheres que se preocupam em "produzir" squirt tendem a focar-se no resultado em vez de no prazer, o que paradoxalmente reduz a probabilidade de ejaculação. A chave é o relaxamento e o prazer presente.

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