Contos Eróticos

Verão no Algarve: Conto de Paixão

P Paula Camargo
11 Dec 2025 4 min leitura 50 visualizacoes
Verão no Algarve: Conto de Paixão

O sol de agosto pintava a praia da Marinha em tons de ouro e âmbar. Beatriz espalhou a toalha entre as formações rochosas, longe dos grupos de turistas, procurando a solidão que precisava depois de um ano difícil. O divórcio tinha-lhe roubado a confiança, e estas férias sozinha no Algarve eram a sua tentativa de a recuperar.

Ele apareceu vindo do mar, como se tivesse emergido da espuma das ondas. Cabelo loiro descolorido pelo sal, pele bronzeada, uma prancha de bodyboard debaixo do braço. Pousou a prancha a poucos metros dela e sacudiu a água do cabelo num gesto que a fez pensar em cães felizes depois do banho. Ela riu-se, e ele ouviu.

— Peço desculpa, é que pareces um retriever — disse ela, corando imediatamente.

Ele riu alto, uma gargalhada franca que ecoou nas falésias. — Já me chamaram muita coisa, mas retriever é a primeira vez. Sou o Rui.

Rui era instrutor de surf em Lagos, tinha trinta e três anos e um sorriso que parecia permanente. Sentou-se na areia ao lado dela sem pedir licença, como se aquele fosse o lugar mais natural do mundo, e começaram a conversar com a facilidade de quem já se conhece há muito tempo.

À medida que a tarde avançava e o sol descia em direcção ao horizonte, Beatriz deu por si a olhar para o corpo dele com uma atenção que já não se permitia há meses. Os ombros largos, os músculos do abdómen que se contraíam quando ele se ria, a linha de pelo dourado que desaparecia na cintura do calção. Quando levantou os olhos, ele estava a olhar para ela com a mesma intensidade.

— Queres jantar comigo? — perguntou ele, e a simplicidade da questão fez com que fosse impossível recusar.

Jantaram numa tasca em Benagil, com peixe grelhado e vinho branco gelado. Debaixo da mesa, as pernas tocavam-se "acidentalmente" a cada minuto, e cada toque enviava uma onda de calor que nada tinha a ver com a temperatura do Algarve.

Depois do jantar, caminharam pela praia ao luar. A água estava morna, e quando Rui sugeriu um mergulho nocturno, Beatriz olhou à volta — estavam completamente sozinhos — e começou a despir-se. Ficou em roupa interior, sentindo-se exposta mas estranhamente livre. Ele fez o mesmo, e entraram no mar juntos.

A água acariciava-lhes os corpos como mãos líquidas. Flutuavam perto um do outro, os dedos a roçarem-se debaixo de água, até que Rui a puxou para si. O beijo soube a sal e a vinho, a verão e a promessa. As pernas dela envolveram a cintura dele, e sentiram os corpos encaixar-se debaixo de água com uma precisão que tirava o fôlego.

Saíram do mar a tropeçar um no outro, rindo e beijando-se ao mesmo tempo. Na areia ainda quente, deitaram-se sobre a toalha. A pele de Beatriz brilhava com gotículas de água salgada, e Rui passou a língua pelo ombro dela, saboreando o sal como se fosse um manjar.

— Tens a certeza? — perguntou ele, olhando-a nos olhos com uma seriedade que contrastava com o sorriso habitual.

— Nunca tive tanta certeza de nada — respondeu ela.

Amaram-se na praia, com as estrelas como testemunhas e o som das ondas como banda sonora. Rui era terno e atento, lendo o corpo dela como se fosse um mapa onde cada suspiro indicava o caminho certo. Beatriz redescobriu partes de si que julgava adormecidas, sentindo o prazer crescer como uma maré que ninguém consegue travar.

Quando gritou o nome dele, a voz perdeu-se no rugido do oceano. E quando ele se rendeu, momentos depois, caíram abraçados na areia, ofegantes, sorrindo como dois adolescentes.

Ficaram deitados a olhar para as estrelas durante horas, a conversar em sussurros, os corpos entrelaçados. O verão no Algarve ainda tinha três semanas pela frente, e Beatriz soube, naquele momento, que cada uma delas seria inesquecível.

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