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A Piscina à Noite: Conto de Verão Proibido

P Paula Camargo
27 Dec 2025 4 min leitura 47 visualizacoes
A Piscina à Noite: Conto de Verão Proibido

A piscina do hotel em Vilamoura fechava às dez da noite. O letreiro dizia-o claramente, em três línguas. Mas às duas da manhã, quando Vera desceu de biquíni e roupão, a água azul-turquesa iluminada por baixo parecia chamá-la com uma voz que não aceitava regras.

Tinha quarenta anos nesse dia. Celebrara-os sozinha no restaurante do hotel com uma garrafa de champanhe e um bolo que pedira ao chef, e sentia-se estranhamente livre. O divórcio fora finalizado na semana anterior, os filhos estavam com o pai, e aquele aniversário era um ponto de recomeço.

Deixou o roupão numa espreguiçadeira e mergulhou. A água estava perfeita — morna da temperatura do dia, mas fresca o suficiente para arrepiar a pele. Flutuou de costas, olhando para as estrelas, sentindo o corpo mais leve do que tinha estado em meses.

— Também és rebelde? — A voz veio de algum sítio entre as espreguiçadeiras.

Vera endireitou-se na água, alarmada. Havia um homem sentado no escuro, com os pés na borda da piscina. Quando se inclinou para a frente e a luz da piscina lhe iluminou o rosto, ela reconheceu-o: era o hóspede que a cumprimentara no elevador, o mesmo que ficara parado a olhar para ela quando se cruzaram no bar.

— Alexandre — disse ele. — Prometo que não sou stalker. Também não conseguia dormir.

— Vera. E estou a considerar chamar a segurança.

Ele riu. — Justo. Mas antes disso, posso fazer-te companhia no mergulho proibido?

Mergulhou antes de ela responder, emergindo a poucos metros com o cabelo colado à testa e um sorriso de rapaz que acabou de fazer uma travessura. Na água iluminada, Vera viu que ele era mais novo — trinta e três, talvez — com ombros de nadador e uma confiança que não era arrogância, apenas certeza de quem era.

Nadaram juntos em silêncio durante minutos. A intimidade de partilharem uma piscina proibida à noite criava uma cumplicidade instantânea, como se já se conhecessem. Quando pararam na parte funda, ambos agarrados à borda, os corpos flutuavam perto um do outro.

— Porque não conseguias dormir? — perguntou ela.

— Porque ontem cruzei-me com uma mulher bonita no elevador e não tive coragem de lhe dizer nada.

— E hoje tiveste?

— Hoje a piscina ajudou. Há algo na água que dissolve a timidez.

Aproximaram-se sem pressa, como dois planetas que entram na órbita um do outro. Debaixo de água, as pernas roçaram-se — a pele lisa dela contra o pelo das pernas dele — e o toque enviou ondas que nada tinham a ver com a piscina.

O primeiro beijo foi debaixo de água, breve e salgado de cloro. O segundo foi à superfície, profundo e lento, com as mãos dele a envolverem-lhe a cintura e os corpos a flutuarem juntos. Vera envolveu as pernas à volta dele e sentiu o desejo crescer entre eles com a mesma inevitabilidade da maré.

— Aqui não — sussurrou ela, olhando para as câmaras do hotel.

Saíram da piscina a pingar, sem se importarem com os roupões ou as toalhas. O quarto de Vera ficava no segundo andar, e entraram deixando um rasto de pegadas molhadas no corredor alcatifado.

Lá dentro, ele secou-a com uma toalha do hotel, passando o algodão pela pele com a atenção de quem seca algo precioso. Quando a toalha desceu pelo peito, Vera prendeu a respiração. Quando chegou à barriga, fechou os olhos. Quando desceu mais, agarrou-se aos ombros dele.

Amaram-se com o cabelo ainda húmido da piscina e o sabor a cloro nos lábios. Alexandre tinha a energia de um homem mais novo e a atenção de um amante generoso, e Vera descobriu que os quarenta anos eram exactamente a idade certa para saber o que queria e pedir sem vergonha.

De manhã, quando o sol entrou pela janela, Vera olhou para o homem adormecido ao seu lado e sorriu. O melhor presente de aniversário que recebera na vida tinha sido dado por um desconhecido numa piscina proibida.

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