Contos Eróticos

Conto Erótico: A Revancha

P Paula Camargo
08 Apr 2026 3 min leitura 47 visualizacoes
Conto Erótico: A Revancha

Mariana descobrira a traição de uma forma banal — uma mensagem que não era para ela, um nome que apareceu quando não devia. Não houve drama imediato; houve a frieza que vem depois do choque, aquela calma estranha que precede as grandes decisões. Passara três semanas a fingir que nada acontecera, a observar o homem com quem vivera cinco anos como se o estudasse pela primeira vez, e o que vira não a enchera de raiva mas de uma estranha clareza.

A decisão de sair do apartamento foi tomada numa tarde de chuva. Ligou para uma amiga, arrumou uma mala, e antes de fechar a porta disse apenas: — Preciso de ir. — Ele nem perguntou porquê. O silêncio dele foi a confirmação final de que tinha tomado a decisão certa.

A Noite que Ela Escolheu para Si

Três semanas depois, Mariana estava sentada num restaurante no Bairro Alto com Filipe — alguém que conhecera num evento de trabalho e que a convidara para jantar com uma directeza que achara refrescante depois de anos de passividade disfarçada de consideração. Filipe era diferente: fazia perguntas e ouvia as respostas, tinha opiniões que defendia sem se tornar pesado, e havia nele uma energia que ela reconhecia como vida genuína.

Durante o jantar, Mariana reparou numa coisa: não estava a pensar no ex. Estava ali, completamente, naquela conversa, naquele vinho, nos gestos daquele homem que não conhecia há muito tempo mas com quem se sentia, inexplicavelmente, segura.

— Pareces alguém que acaba de respirar pela primeira vez — disse ele, a determinada altura.

— É exactamente isso — respondeu ela, sem elaborar.

A Revancha Que Não Foi Vingança

Naquela noite, quando voltaram para o apartamento de Filipe — escolha de ambos, sem hesitação — Mariana compreendeu que o que estava a fazer não era revancha no sentido que imaginara. Não era fazer ao outro o que ele lhe fizera. Era reivindicar para si o direito de estar bem, de se deixar tocar por alguém que a via, de sentir o próprio corpo como território que lhe pertencia de novo.

Havia naquilo algo de libertação — não a vingança ruidosa que imaginara nos piores momentos, mas uma forma mais silenciosa e definitiva de se pertencer a si mesma. Filipe era gentil onde o outro fora indiferente, presente onde o outro estivera ausente, e quando ela lhe disse isso — de manhã, com café na mão e a luz da janela a entrar pelo quarto — ele apenas acenou com a cabeça como se percebesse.

Não era o fim de uma história. Era o começo de uma diferente, escrita nos seus próprios termos.

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