Contos Eróticos

Festa de Halloween: Fantasias e Desejos

P Paula Camargo
13 Jan 2026 4 min leitura 49 visualizacoes
Festa de Halloween: Fantasias e Desejos

A festa de Halloween era no terraço de um prédio no Intendente, decorado com abóboras, teias de aranha artificiais e luzes roxas que davam a toda a gente um ar sobrenatural. Simone vestira-se de vampira — vestido preto justo até ao chão, lábios vermelhos de sangue falso, uma capa que esvoaçava com a brisa de outubro. Sentia-se poderosa, misteriosa, completamente diferente da contabilista de segunda a sexta.

Foi na fila do bar que o viu. Estava vestido de lobo — não com um fato peludo, mas com subtileza: calças escuras, camisa aberta no peito, orelhas discretas, e umas lentes de contacto amarelas que brilhavam na luz roxa. Quando se virou para ela, o efeito foi imediato e perturbador.

— Uma vampira — disse ele, com uma voz grave que combinava perfeitamente com o disfarce. — A noite melhorou substancialmente.

— Um lobo — respondeu ela, aceitando a bebida que ele lhe ofereceu. — Devo ter medo?

— Só se quiseres.

Chamava-se Bruno. Na vida real era arquitecto, mas naquela noite era outra coisa — a versão libertada de si mesmo, desinibida pelo disfarce e pela escuridão. Simone compreendia perfeitamente. Havia algo nos disfarces de Halloween que dava permissão para ser quem não se ousava ser nos outros 364 dias do ano.

Dançaram entre fantasmas e zombies, com a música electrónica a pulsar como um coração acelerado. A capa de Simone envolvia-os quando se aproximavam, criando um casulo privado no meio da festa. As mãos de Bruno encontraram a cintura dela por baixo da capa, e os dedos apertaram-na com uma possessividade que a vampira nela aprovava.

— Sabes o que fazem os lobos quando encontram o que querem? — sussurrou ele ao ouvido.

— O quê?

— Não largam.

A festa continuava ao redor, mas eles criaram um universo paralelo. Cada beijo discreto sabia a sangue falso dos lábios dela e a whisky do copo dele. Cada toque era escondido pela capa, pela multidão, pelas sombras do terraço. A adrenalina do semi-público — a possibilidade de serem vistos — era um combustível que nenhum dos dois queria apagar.

Bruno levou-a para um canto do terraço onde as luzes não chegavam e a vista se abria sobre os telhados de Lisboa. Encostou-a ao parapeito e beijou-lhe o pescoço — o pescoço da vampira — com uma mordidela suave que a fez gemer.

— Estás a morder uma vampira — disse ela, arqueando-se. — Isso devia ser ao contrário.

— Então morde-me — desafiou ele.

Simone mordeu-lhe o lóbulo da orelha, depois o pescoço, depois o ombro exposto pela camisa aberta. Bruno prendeu a respiração e as mãos subiram pelas costas dela, encontrando o fecho do vestido.

— Aqui não — sussurrou ela, olhando para a festa que continuava a poucos metros.

O apartamento de Bruno ficava no andar de baixo — conveniência ou destino. Desceram pela escada de serviço, tropeçando um no outro, rindo e beijando-se entre lances. Dentro do apartamento, ele não acendeu a luz. As luzes roxas da festa no terraço entravam pela janela, mantendo a atmosfera sobrenatural.

Simone manteve a capa. Bruno manteve as lentes amarelas. Os disfarces ficaram — parcialmente — porque eram eles, aquela noite, mais do que os fatos-macaco de segunda a sexta. A vampira e o lobo encontraram-se no escuro com a urgência de criaturas nocturnas que sabem que a noite tem fim.

Ele desapertou o vestido mas deixou a capa, e a imagem dela — nua sob a capa de vampira, com os lábios vermelhos e os olhos brilhantes — ficou-lhe gravada na memória. Amaram-se com uma intensidade animal, selvagem e livre, sem as regras da vida diurna, sem os papéis sociais, sem nada que não fosse instinto e desejo puro.

Simone descobriu que gritar de prazer era mais fácil quando se era vampira. Bruno descobriu que a ternura era mais intensa quando vinha de um lobo. E ambos descobriram que certas noites merecem disfarces, não para esconder quem somos, mas para revelar quem queremos ser.

De manhã, sem lentes de contacto e sem sangue falso, olharam-se à luz do dia e riram.

— Ainda gostas? — perguntou ela. — Sem o disfarce?

— Gosto mais — respondeu ele. — Porque agora sei o que está debaixo.

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