Contos Eróticos

A Vizinha do Andar de Cima: Conto Sensual

P Paula Camargo
14 Dec 2025 4 min leitura 50 visualizacoes
A Vizinha do Andar de Cima: Conto Sensual

Miguel mudou-se para o terceiro andar do prédio na Graça em setembro. O apartamento era pequeno mas luminoso, com chão de taco e janelas que enquadravam o Tejo. Estava perfeito — ou estaria, não fossem os saltos altos que ouviva todas as noites no andar de cima, caminhando de um lado para o outro como um pêndulo inquieto.

Encontrou-a pela primeira vez nas escadas, numa manhã de terça-feira. Ela descia enquanto ele subia, e o espaço estreito obrigou-os a virar-se de lado para passarem um pelo outro. Nesse breve momento, Miguel registou tudo: cabelo ruivo apanhado num coque desordenado, sardas espalhadas pelo nariz, olhos cor de mel, um perfume que misturava baunilha com qualquer coisa cítrica.

— Bom dia — disse ela, com um sorriso rápido. — Sou a Leonor, do quarto andar.

— Miguel. Terceiro.

— Ah, o vizinho novo. Desculpa se faço barulho — tenho a mania de andar pela casa enquanto penso.

— Não te preocupes — mentiu ele, porque na verdade já se habituara ao som dos passos dela como quem se habitua a uma canção de embalar.

Nas semanas seguintes, os encontros multiplicaram-se. Na caixa do correio, nas escadas, à porta do prédio. Cada vez, os cumprimentos duravam mais, as conversas estendiam-se, os sorrisos demoravam-se. Miguel começou a reparar em detalhes: a forma como ela mordia o lábio inferior quando pensava, como inclinava a cabeça quando ouvia, como os olhos dela se escureciam ligeiramente quando ele se aproximava.

Uma noite, Leonor bateu-lhe à porta com uma garrafa de vinho e um pedido de desculpa.

— Rebentou-me um cano na cozinha e a água vai demorar a voltar. Posso usar o teu chuveiro? Em troca, trago este Alentejano que é uma maravilha.

Miguel abriu a porta e tentou não pensar no facto de que ela ia estar nua no seu chuveiro, separada dele apenas por uma cortina de plástico. Sentou-se no sofá, abriu a garrafa e serviu dois copos enquanto o som da água corria na casa de banho.

Leonor saiu envolta numa toalha dele, com o cabelo ruivo molhado a cair-lhe pelos ombros. Sentou-se no sofá ao lado dele, pegou no copo de vinho e bebeu um gole longo. A toalha era curta e as pernas dela — longas, pálidas, salpicadas de sardas — estavam impossíveis de ignorar.

— Obrigada — disse ela. — Não imaginas como precisava disto.

— Do chuveiro ou do vinho?

— De companhia — respondeu ela, e o tom mudou. Não era mais conversa de vizinhos. Era confissão.

Miguel pousou o copo. Leonor pousou o dela. O espaço entre eles no sofá era tão pequeno que bastou uma ligeira inclinação para que os lábios se encontrassem. O beijo começou suave, quase experimental, mas rapidamente se aprofundou. Ela sabia a vinho tinto e a pasta de dentes — tinha escovado os dentes no banho, um detalhe de premeditação que o excitou mais do que queria admitir.

A toalha afrouxou-se quando ele lhe puxou pela cintura. Leonor não a segurou. Deixou-a cair com a naturalidade de quem se desfaz de um disfarce, e Miguel contemplou-a com uma reverência silenciosa. As sardas continuavam pelos ombros, pelo peito, como uma constelação privada que só ele estava a ver.

Ele despiu-se com menos elegância, atrapalhado com os botões, e ela riu — um riso baixo e rouco que lhe acendeu o sangue. Deitaram-se no sofá primeiro, depois no chão quando o sofá se revelou demasiado estreito, e finalmente na cama, onde os lençóis frescos os acolheram como uma ilha.

Miguel percorreu-lhe o corpo com a boca, parando em cada sarda como se fosse um ponto num mapa do tesouro. Leonor suspirava, gemia, murmurava instruções que ele seguia com devoção. Quando a língua dele encontrou o sítio certo, ela arqueou as costas e agarrou os lençóis com força, os gemidos crescendo até se transformarem num grito abafado contra a almofada.

Depois, foi ela quem o explorou. Com as mãos, com a boca, com uma curiosidade paciente que o levou ao limite e o trouxe de volta, vezes sem conta, até que ele implorou. Uniram-se com a urgência de quem esperou tempo demais, e o ritmo que encontraram era o mesmo dos passos dela no andar de cima — constante, hipnótico, inevitável.

Muito depois, deitados na escuridão, Leonor riu-se baixinho.

— Agora vais ouvir os meus passos de maneira diferente — disse ela.

— Agora — respondeu Miguel — vou ouvir os teus passos e desejar que desçam as escadas.

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