Contos Eróticos

A Praia Deserta: Conto de Verão

P Paula Camargo
18 Dec 2025 4 min leitura 51 visualizacoes
A Praia Deserta: Conto de Verão

A praia não tinha nome nos mapas. Ficava algures entre Porto Covo e Vila Nova de Milfontes, acessível apenas por um trilho de terra batida que serpenteava entre arbustos de esteva. Clara descobrira-a por acaso no verão anterior, seguindo um caminho errado, e desde então era o seu refúgio secreto.

Naquela manhã de agosto, desceu o trilho com a mochila às costas, esperando encontrar a praia deserta como sempre. Mas quando chegou ao areal, havia alguém. Um homem sentado numa rocha, com um caderno de desenho no colo e um lápis na mão, tão absorvido no que fazia que não a ouviu chegar.

Clara hesitou. Aquela praia era dela — ou assim gostava de pensar. Mas a curiosidade superou a irritação, e aproximou-se devagar.

— Não sabia que mais alguém conhecia este sítio — disse ela.

Ele levantou os olhos do caderno e Clara viu o que estava a desenhar: a linha das falésias contra o céu, captada com traços rápidos e seguros. Tinha mãos manchadas de grafite, olhos escuros num rosto bronzeado, e um sorriso que parecia pedir desculpa e dar as boas-vindas ao mesmo tempo.

— Sou o Vasco. Artista plástico. Ando à procura de paisagens que ninguém pintou ainda.

— Clara. Bióloga marinha. Ando à procura de praias onde ninguém me encontre.

— Parece que ambos falhámos hoje — disse ele, e os dois riram.

Partilharam a praia com a diplomacia de dois náufragos na mesma ilha. Clara estendeu a toalha a uma distância respeitosa e mergulhou no mar enquanto Vasco continuava a desenhar. Mas quando saiu da água, reparou que o caderno estava virado na sua direcção.

— Estás a desenhar-me? — perguntou, mais divertida do que ofendida.

— A luz do sol na água do teu cabelo era irresistível — confessou ele, sem vergonha. — Posso mostrar-te?

Aproximou-se e ele virou o caderno. O desenho era bonito — não uma reprodução fotográfica, mas uma impressão, uma sugestão do corpo dela a sair do mar, com linhas fluidas que captavam o movimento mais do que a forma. Clara sentiu-se exposta e lisonjeada ao mesmo tempo.

— É bonito — disse ela. — Mas não me pareceu nada com a realidade.

— Isso é porque tu não te vês como eu te vejo — respondeu ele, e a simplicidade da frase desmontou-lhe as defesas.

Passaram a tarde juntos, entre mergulhos e conversas. Vasco falou das cores do Alentejo, de como a luz ali era diferente de qualquer outro lugar em Portugal. Clara falou dos oceanos, das correntes secretas que ligam continentes, da vida invisível debaixo das ondas. Descobriram que partilhavam a mesma paixão pela natureza — ele por cima, ela por baixo da superfície.

Quando o sol começou a descer, o ar ficou dourado e espesso como mel. Clara estava deitada de barriga para baixo, o biquíni desatado nas costas para não deixar marcas, quando sentiu a sombra de Vasco sobre ela.

— Posso? — perguntou ele, com um tubo de protector solar na mão.

Clara acenou que sim. As mãos dele — aquelas mãos de artista, fortes e sensíveis — espalharam o creme pelas costas dela com movimentos longos e firmes. Quando os polegares pressionaram os músculos ao lado da coluna, ela soltou um gemido baixo que os surpreendeu a ambos.

As mãos dele pararam. Depois recomeçaram, mais devagar, mais intencionais. Desceram pela cintura, pelos flancos, e quando os dedos roçaram a lateral do peito, Clara virou-se. O biquíni caiu e ela não o apanhou.

Vasco olhou para ela como olhava para as paisagens que desenhava — com atenção, com reverência, tentando memorizar cada detalhe. Depois baixou-se e beijou-a. O beijo soube a sal e a sol, e as mãos dele percorreram-lhe o corpo com a mesma fluidez com que desenhava.

Fizeram amor na areia quente, com o som das ondas como única testemunha. Clara agarrou-se aos ombros dele enquanto o prazer a inundava como uma maré, e quando gritou, o som perdeu-se nas falésias e voltou como eco, como se a própria natureza respondesse.

Ficaram na praia até as estrelas aparecerem, deitados na areia que ainda guardava o calor do dia. Vasco desenhava-a de memória no caderno, agora sem pudor, e Clara olhava para o céu pensando que há segredos que só as praias desertas sabem guardar.

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