A Primeira Vez: Conto Erótico de Descoberta
Rita tinha vinte anos e nunca tinha estado com ninguém. Não por falta de oportunidade — tinha tido namorados, beijos, mãos que tentavam ir mais longe — mas porque nunca sentira aquela certeza absoluta de que era aquele o momento e aquela a pessoa. Até conhecer o Gonçalo.
Conheceram-se numa aula de cerâmica, de todas as coisas. Ele estava ao lado dela, a lutar com um vaso que insistia em ficar torto, e quando ela se ofereceu para ajudar, as mãos deles encontraram-se no barro húmido. Foi o toque mais sensual que Rita alguma vez experimentara — os dedos entrelaçados no barro, a roda a girar, a forma a nascer debaixo das mãos de ambos.
Namoraram durante três meses antes de Rita decidir que estava pronta. Não houve pressão da parte dele — Gonçalo era paciente com uma naturalidade que a comovia. Esperava. Respeitava. E quando ela dizia "ainda não", ele sorria e beijava-a na testa como se dissesse "quando quiseres".
O dia que Rita escolheu foi um sábado de primavera. Gonçalo tinha o apartamento vazio — os colegas de casa tinham ido para o Gerês — e ela apresentou-se à porta com uma mochila, uma garrafa de vinho e um nervosismo que tentava disfarçar com sorrisos.
— Trouxe vinho — disse ela. — Para a coragem.
Gonçalo olhou para ela, para a garrafa, e percebeu. Pegou-lhe na mão e puxou-a para dentro sem fazer perguntas. Sentaram-se no sofá, beberam vinho e conversaram sobre tudo menos sobre o que ambos sabiam que ia acontecer.
Foi Rita quem deu o primeiro passo. Pousou o copo, virou-se para ele e disse simplesmente:
— Quero que sejas tu.
Os olhos dele brilharam, e naquele brilho ela viu ternura, desejo e responsabilidade misturados. Ele pegou-lhe no rosto com ambas as mãos e beijou-a devagar, como se estivesse a escrever uma carta de amor com os lábios.
Foram para o quarto de mãos dadas. Gonçalo tinha mudado os lençóis — ela notou — e havia uma vela acesa na mesinha de cabeceira. Pequenos gestos que diziam "eu também pensei nisto". A ternura desses detalhes fez com que o nervosismo se transformasse em antecipação.
Despiram-se devagar, camada por camada. Gonçalo tinha o corpo magro e fibroso de quem andava de bicicleta todos os dias, e quando Rita lhe passou os dedos pelo peito, sentiu o coração dele a bater quase tão depressa quanto o seu.
— Também estás nervoso — disse ela, surpreendida.
— Claro que estou — respondeu ele. — Quero que seja perfeito para ti.
— Já é — disse ela, e era verdade.
Gonçalo explorou o corpo dela com uma paciência infinita, descobrindo os sítios que a faziam suspirar, os que a faziam rir (era terrivelmente sensível às cócegas na cintura), os que a faziam gemer baixinho. Quando a boca dele desceu pelo seu corpo, Rita fechou os olhos e deixou-se levar por sensações que eram completamente novas.
Houve dor — breve, aguda, como um beliscão que se dissolve rapidamente. Gonçalo parou, olhou-a nos olhos, e ela acenou para ele continuar. O desconforto deu lugar a uma pressão estranha, depois a uma sensação de plenitude, e finalmente a ondas de prazer que foram crescendo como a maré.
Não foi perfeito — foi melhor. Foi real. Foi desajeitado em certos momentos, terno em outros, engraçado quando os corpos não cooperaram como nos filmes. Riram juntos, ajustaram posições, murmuraram pedidos e respostas. E quando finalmente encontraram um ritmo que era só deles, Rita percebeu porque tinha esperado: não era pelo momento perfeito, mas pela pessoa certa.
Depois, ficaram abraçados no escuro, com as pernas entrelaçadas e as respirações a acalmarem devagar.
— Obrigada — sussurrou ela.
— Obrigado eu — respondeu ele, beijando-lhe o topo da cabeça.
Rita adormeceu com um sorriso, sabendo que a cerâmica não era a única coisa que podia ser moldada a quatro mãos.
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