Contos Eróticos

Conto Erótico: O Resort na Madeira

P Paula Camargo
21 Mar 2026 3 min leitura 47 visualizacoes
Conto Erótico: O Resort na Madeira

A Madeira tem um clima que não pede licença para entrar no corpo — húmido e quente mesmo em Outubro, com um cheiro a flores que não existem no continente e uma luz que torna tudo ligeiramente irreal. Marta chegara sozinha ao resort, com uma semana de férias que era simultaneamente prémio de um projecto terminado e fuga de um estado mental que precisava de renovação. Levara três livros e a decisão de não falar com ninguém do trabalho durante sete dias.

A piscina infinita com vista para o Atlântico estava quase vazia nas primeiras horas da tarde — a maioria dos hóspedes estava nas excursões ou a dormir a sesta. Havia apenas um outro hóspede: um homem de uns quarenta anos, lendo numa espreguiçadeira com os óculos escuros a esconder a expressão. Marta escolheu o lado oposto da piscina, entrou na água, e nadou sozinha durante vinte minutos com o prazer absoluto de não ter de ser nada para ninguém.

O Encontro nas Alturas do Vulcão

O homem chamava-se Sérgio, era do Porto, e apresentou-se no bar da piscina naquela tarde com o pretexto de uma recomendação de cocktail local — o poncha, que ele ainda não tinha experimentado. Marta recomendou o de maracujá. Ficaram ali sentados enquanto o sol descia sobre o oceano, sem pressa, com aquela facilidade de conversa que às vezes só os locais de férias permitem.

Sérgio estava na Madeira por razões parecidas com as dela: uma transição de vida que ainda não tinha nome definitivo, a necessidade de ar que não cheirasse ao quotidiano. Havia nele uma honestidade tranquila que Marta reconheceu — o tipo de pessoa que não tenta impressionar porque já decidiu há muito que não vale a pena o esforço.

Jantaram juntos, por sugestão de ambos simultaneamente — o que os fez rir. O restaurante tinha vista para o mar e peixe que saboroso de uma forma que a vida no continente não replicava.

A Noite que a Ilha Deu de Presente

A Madeira faz aquilo às pessoas — tira-lhes as camadas de protecção que acumulam nos meses frios, substitui-as por qualquer coisa mais próxima do que são quando não estão a ser nada em particular. Naquela noite, depois de jantarem e caminharem ao longo do passeio sobre o mar, a escolha de subir ao quarto dele foi tão natural que nenhum dos dois sentiu necessidade de a justificar.

O quarto tinha uma varanda sobre o oceano e a janela aberta trouxe para dentro o cheiro da ilha — flor de baunilha e sal e o ar que não existe em mais nenhum sítio. O que se seguiu foi marcado por essa qualidade de presente — não do futuro, não do passado, apenas daquelas horas naquele sítio impossível.

Passaram os dias seguintes com a facilidade dos dois estranhos que se tornaram, temporariamente, território familiar um do outro. Quando partiram — dias diferentes, destinos diferentes — foi com o sorriso de quem recebeu algo inesperado e não o vai devolver.

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