Contos Eróticos

O Trio em Cascais: Conto de Verão

P Paula Camargo
06 Apr 2026 7 min leitura 28 visualizacoes
O Trio em Cascais: Conto de Verão

Aviso: este conto contém conteúdo adulto explícito. Destinado a leitores com 18 anos ou mais. Todos os personagens são adultos fictícios que agem com pleno consentimento. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

I. A Villa

A villa era branca, com bougainvíleas cor-de-rosa a escalar as paredes e uma piscina de água turquesa que reflectia o céu de agosto como um espelho deitado. Ricardo pagara mais do que devia por aquele fim-de-semana, mas olhou para Marta ao chegar — os olhos abertos pela surpresa, o sorriso a abrirse por fases como uma flor em câmara lenta — e soube que valia cada euro.

Joana chegou trinta minutos depois num Uber de Lisboa, com uma mala demasiado grande para dois dias e dois dias de energia a mais. Tinha vinte e seis anos, era amiga de Marta desde o liceu, e tinha aquele dom específico de tornar qualquer ambiente imediatamente mais vivo. Beijou Marta nas duas faces, abraçou Ricardo com a familiaridade de quem o conhece há anos sem nunca ter duvidado que o gosta, e atirou a mala para o quarto de hóspedes com o entusiasmo de uma criança numa festa de aniversário.

— Alguém me explica por que razão não fazemos isto todos os verões? — disse ela, aparecendo na varanda com um fato de banho vermelho que fazia o mesmo que o bougainvíleas fazia às paredes.

Nenhum deles respondeu, mas Ricardo notou que Marta não tirava os olhos de Joana. Conhecia esse olhar. Era o olhar com que Marta via as coisas que queria mas não sabia como pedir.

Havia, entre Ricardo e Marta, uma conversa que começara há seis meses e nunca terminara. Não terminara porque terminá-la implicava uma decisão, e uma decisão implicava consequências que nenhum dos dois queria calcular antes de tempo. A conversa era sobre Joana. Sobre uma fantasia que Marta revelara numa noite de vinho e confiança, e que Ricardo recebera com mais entusiasmo do que ela esperava — ele próprio passara horas a explorar acompanhantes para casais em Lisboa e fóruns de lifestyle antes de se admitir que a ideia lhe interessava —, o que tornara tudo ao mesmo tempo mais próximo e mais complicado.

II. O Calor da Tarde

Passaram a tarde na piscina. Ricardo fazia sangrias com os últimos pêssegos da época e um rosé alentejano que tinha a cor do entardecer. Marta e Joana estavam deitadas em espreguiçadeiras lado a lado, a conversar naquele registo que era exclusivamente delas — veloz, saltitante, cheio de referências que Ricardo nunca conseguia seguir completamente. Achava isso bonito, que houvesse entre as duas um idioma que antecedia o dele.

À medida que as sangrias avançavam e o sol baixava, o tom das conversas mudou. Tornaram-se mais lentas, mais íntimas. Joana estava de lado na espreguiçadeira, a olhar para Marta, e havia qualquer coisa no ar que Ricardo não sabia se era o álcool ou alguma coisa anterior ao álcool.

Foi Marta quem rompeu o silêncio. Com a despreocupação deliberada de alguém que sabe exactamente o que está a fazer, disse: — Joana. Sabes aquela conversa que tivemos em Março?

Joana ficou muito quieta. Depois disse: — Sim.

— O Ricardo também sabe.

Silêncio. O tipo de silêncio que não é ausência de comunicação mas a sua forma mais intensa. Ricardo pôs a sangria na mesa e esperou. Joana olhou para ele — uma avaliação rápida, honesta — e depois de volta para Marta.

— E o Ricardo quer? — perguntou Joana, directamente para ele.

— Só se tu quiseres — respondeu Ricardo, com igual directeza. — E só se for bom para todos. Incluindo para ti e a Marta. Incluindo para a vossa amizade.

Joana ficou em silêncio um momento mais. Depois desatou a rir — não de nervosismo, mas com o alívio genuíno de alguém a quem acabam de dar permissão para ser honesta. — Deus, estão os dois tão sérios. Parece uma reunião de empresa.

E o riso desmontou tudo o que estava tenso, como só o riso verdadeiro consegue fazer.

III. A Noite

Jantaram na varanda com grelhado de robalo e vinho verde, com as luzes de Cascais ao longe e o mar invisível mas presente no ar salgado que chegava. A conversa foi normal — sobre trabalho, sobre viagens, sobre um filme que os três tinham visto e dos quais tinham opiniões radicalmente diferentes. Era uma normalidade que era ela própria uma forma de confiança: a capacidade de estar juntos sem que o que iria acontecer contaminasse o que estava a acontecer.

Quando os pratos foram arrumados e a garrafa de vinho esvaziada, Joana disse: — Vou tomar banho. — E acrescentou, sem olhar para nenhum dos dois em particular: — A porta não tem chave.

Marta esperou que ela desaparecesse no interior da casa e depois voltou-se para Ricardo. Os olhos dela estavam escuros de uma forma que ele reconhecia. — Tens a certeza? — perguntou ela.

— Tenho a certeza de que quero o que tu queres — disse ele. — E tenho a certeza de que o que tu queres é isto.

Ela pegou-lhe na mão e levou-o para dentro.

O quarto principal tinha as janelas abertas para o mar. Joana já não estava no banho — estava deitada na cama, em roupa interior, com um livro aberto no colo que claramente não estava a ler. Quando eles entraram, pousou o livro com a precisão excessiva de quem está a esconder que estava à espera.

O que se seguiu foi construído pela generosidade que existe entre pessoas que se importam genuinamente umas com as outras. Marta era o centro — estava sempre em contacto com Ricardo, a sua familiaridade com ele a ser o fio que ligava tudo — e Joana movia-se em volta com a consciência aguçada de quem sabe que está num espaço que não lhe pertence completamente, e que isso é precisamente o que o torna valioso.

Ricardo descobriu que havia uma diferença entre o desejo que conhecia e o desejo novo que a situação criava — não a substituição de um pelo outro, mas a sobreposição, como dois acordes tocados em simultâneo que criam uma harmonia inesperada. Marta a seu lado, Joana a ler-lhe os gestos com a atenção aprendida de quem conhece a outra desde os quinze anos — havia nisto uma intimidade de tipo completamente diferente de tudo o que conhecera.

Quando o prazer chegou para todos — em vagas separadas mas próximas, como ondas num dia de brisa — ficaram os três em silêncio durante um longo momento, a respirar, a deixar o quarto voltar a ser simplesmente um quarto.

IV. A Manhã Seguinte

Joana acordou primeiro e foi fazer café. Ricardo e Marta encontraram-na na cozinha a partir ovos com a naturalidade de quem sempre ocupou aquele espaço. A villa, de manhã, cheirava a mar e a café e ao dia novo que entrava pela janela.

Não houve estranheza. Isso era, de alguma forma, o mais extraordinário. Joana passou o café a Marta e disse — És tu que mexes os ovos, sabes que eu faço sempre torradinhos —, e Marta empurrou-a do fogão com o ombro como fazia desde que tinham dezasseis anos, e Ricardo sentou-se ao balcão e observou as duas com a sensação nítida de que havia coisas no mundo que o tempo não estraga.

No domingo à tarde, quando Joana apanhou o Uber de volta para Lisboa, abraçou Marta durante muito tempo sem dizer nada. Depois virou-se para Ricardo e disse: — Obrigada por cuidares dela tão bem.

Ele percebeu que ela não estava a falar apenas daquele fim-de-semana.

Para mais histórias de verão e fantasia em Portugal, explora os perfis de acompanhantes para casais em Lisboa ou lê os nossos outros contos: A Noite na Casa de Swing: Conto Iniciático, A Festa Privada em Lisboa: Conto Erótico.

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