Contos Eróticos

Conto Erótico: O Spa Privado

P Paula Camargo
25 Mar 2026 3 min leitura 46 visualizacoes
Conto Erótico: O Spa Privado

Carla e Diogo tinham onze meses juntos e uma vida que, de fora, parecia equilibrada: apartamento partilhado em Cascais, bons empregos, amigos em comum, férias planeadas. Mas havia entre eles uma aceleração crónica que não era desamor — era excesso de vida a acontecer ao mesmo tempo — e Carla tinha começado a sentir que se cruzavam mais do que se encontravam.

A reserva do spa privado foi um impulso de quinta-feira de manhã, enquanto esperava o autocarro. Viu o anúncio — jacuzzi privado, duas horas, champanhe incluído, numa quinta nos arredores de Sintra — e pagou antes de pensar duas vezes. Avisou Diogo por mensagem: Sábado à tarde temos compromisso. Roupa confortável. Ele respondeu com um emoji de ponto de interrogação. Ela com um emoji de coração e nenhuma explicação adicional.

O Tempo que Não Vai a Lado Nenhum

A quinta tinha uma vegetação que abafava os sons do mundo exterior e um silêncio que era audível — Carla apercebeu-se disso logo ao entrar, que havia algo no ar ali que desacelerava sem esforço. A sala de jacuzzi era pequena e quente, com luz âmbar e uma janela para um jardim de lavanda. A garrafa estava em gelo. Não havia telemóveis porque a regra da casa assim o pedia, e os dois perceberam, ao deixá-los na recepção, que havia ali um alívio que nenhum dos dois esperava sentir.

Entraram para a água quente com o silêncio de duas pessoas que precisavam de falar mas que, por uma vez, deixaram o silêncio fazer o trabalho primeiro. Diogo apoiou a cabeça no rebordo e fechou os olhos. Carla observou-o durante um momento e achou-o mais novo assim — mais parecido com a pessoa de quem se apaixonara.

— Não me lembro da última vez que estivemos duas horas sem nada obrigatório a acontecer — disse ele, sem abrir os olhos.

— É a ideia — disse ela.

A Redescoberta no Calor da Água

O champanhe ficou em gelo durante mais tempo do que devia. Havia conversas que aconteceram na água quente que não teriam acontecido nos contextos normais da vida — coisas pequenas e importantes ao mesmo tempo, o tipo de intimidade que não é drama mas é real. Carla disse que se sentia invisível às vezes. Diogo disse que tinha medo de estar a falhar sem perceber em quê. Nenhum dos dois ficou na defensiva.

O que se seguiu foi natural e sem urgência — mãos que se encontravam debaixo da água, um beijo que tinha a temperatura do jacuzzi e a qualidade de algo reencontrado. Havia naquilo a memória do início e a maturidade do que tinham construído, e os dois cabiam nesse espaço sem conflito.

Saíram duas horas depois, com os ombros baixos e a expressão de quem dormiu bem — o que não tinham feito, mas era a mesma coisa.

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