Contos Eróticos

A Suite Presidencial: Uma Noite de Luxo

P Paula Camargo
14 Jan 2026 4 min leitura 48 visualizacoes
A Suite Presidencial: Uma Noite de Luxo

O email dizia apenas: "Suite 801. Às 21h. Vestido preto. Sem perguntas." Estava assinado com a inicial A. — o mesmo A. que há três semanas mandava flores anónimas para o escritório de Mariana, sempre com cartões enigmáticos que a faziam corar diante dos colegas.

Mariana sabia quem era. Alexandre — o cliente novo da empresa, CEO de uma startup de tecnologia, com quem trocara olhares durante reuniões que se prolongavam mais do que o necessário. Nunca tinham falado de nada pessoal. Nunca tinham ficado sozinhos. Mas a electricidade entre eles era tão óbvia que até o estagiário comentava.

O hotel era o mais luxuoso de Lisboa — mármores, lustres, empregados que pareciam ler pensamentos. Mariana atravessou o lobby de vestido preto e sapatos altos, com o coração a martelar tão forte que tinha a certeza de que o porteiro ouvia. No oitavo andar, a porta da suite 801 estava entreaberta.

A suite presidencial era absurda de bonita. Sala de estar maior do que o apartamento de Mariana, com sofás de veludo, uma mesa posta para dois com velas e flores, vista panorâmica sobre o rio iluminado. E Alexandre, de fato escuro sem gravata, com dois copos de champanhe nas mãos e uma expressão que misturava nervosismo e determinação.

— Vieste — disse ele.

— Não devia ter vindo — respondeu ela. — Somos profissionais. Tu és meu cliente.

— Esta noite não sou. Esta noite sou só um homem que não consegue deixar de pensar em ti.

Jantaram com a formalidade a desmoronar-se a cada gole de champanhe. O jantar era impecável — vieiras, bacalhau confitado, soufflé de chocolate — mas nenhum dos dois prestava atenção à comida. As conversas gravitavam para o pessoal: infâncias, sonhos, medos. Alexandre confessou que nunca fizera nada assim. Mariana confessou que era exactamente por isso que tinha vindo — porque ele era diferente.

Depois do jantar, ele ligou a música — jazz suave, Chet Baker novamente — e estendeu-lhe a mão para dançar. Na sala da suite, com Lisboa a brilhar lá fora como um tapete de diamantes, dançaram apertados, a cabeça dela no ombro dele, as mãos dele nas costas dela.

— Há uma banheira nesta suite — disse ele — que é do tamanho de uma piscina pequena.

— Estás a convidar-me para um banho? — perguntou ela, levantando a cabeça.

— Estou a convidar-te para tudo o que quiseres.

A banheira era de mármore branco, com torneiras douradas e uma janela com vista para a ponte. Alexandre encheu-a com água quente e sais que cheiravam a rosa e sândalo. Despiram-se um ao outro — ele primeiro a ela, com a solenidade de quem desembrulha uma obra de arte, depois ela a ele, com a curiosidade de quem abre um presente que esperou muito tempo.

Na banheira, os corpos submersos encontraram-se debaixo de água como dois mundos que colidem em câmara lenta. Alexandre lavou-lhe o cabelo com os dedos, massajou-lhe os ombros tensos, e quando os lábios desceram pelo pescoço molhado, Mariana fechou os olhos e deixou o luxo envolvê-la como uma segunda pele.

Da banheira passaram para a cama — king size, lençóis de algodão egípcio de 800 fios que acariciavam a pele como seda. Alexandre explorou-a com a meticulosidade de um CEO que não deixa nenhum detalhe ao acaso. Cada beijo era estratégico, cada carícia calculada para maximizar a resposta, cada toque ajustado em função dos sons que ela produzia.

Mariana descobriu que o luxo amplifica os sentidos. Os lençóis sob as costas eram tão macios que cada movimento se tornava uma carícia adicional. O champanhe no sangue fazia cada toque mais eléctrico. A vista de Lisboa pela janela — aquela vista de um milhão de euros — enquadrava os corpos entrelaçados como uma moldura dourada.

O orgasmo veio em ondas luxuosas — não o espasmo rápido do quotidiano, mas uma subida longa, sustentada, como um elevador panorâmico que sobe devagar para que se aprecie a vista. Mariana agarrou-se aos lençóis de 800 fios e gritou, e as paredes insonorizadas da suite presidencial guardaram o segredo.

De madrugada, vestidos com roupões felpudos do hotel, sentaram-se na varanda com os restos do champanhe.

— Segunda-feira — disse Mariana — vai ser impossível estar numa reunião contigo sem pensar nisto.

— Segunda-feira — respondeu Alexandre — vou propositadamente prolongar cada reunião.

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