Conto Erótico: A Professora e o Aluno
João tinha trinta e dois anos quando voltou à Universidade Nova para uma conferência sobre economia comportamental. Tinha sido aluno de Leonor seis anos antes, num seminário de terceiro ano que ele frequentara com a atenção particular que se dá às coisas que nos interessam verdadeiramente. Ela era a professora mais rigorosa do departamento — e, secretamente admirada por motivos que iam além do académico, a que mais o desafiara. Tinha vinte e oito na altura. Ela teria tido uns quarenta.
Viu-a no coffee break da conferência, junto a uma mesa com croissants, a falar com dois colegas com a atenção habitual que ele reconheceu imediatamente. Não tinha mudado muito — talvez mais serena, talvez com menos urgência de provar algo que na altura ele não sabia que ela prova via. Cruzaram o olhar. Ela sorriu com o reconhecimento genuíno de quem tem boa memória para as pessoas.
O Reconhecimento
— João Ferreira — disse ela, com uma precisão que o agradou. — Economia comportamental. Tiveste um trabalho final excelente sobre vieses cognitivos em decisões de crédito.
O facto de ela se lembrar do trabalho, e não apenas do nome, foi mais impactante do que qualquer elogio mais vago teria sido. Ficaram a falar durante o break e depois durante o almoço, quando acabaram sentados lado a lado por acidente de distribuição de lugares. A conversa foi sobre a conferência, sobre o que tinha acontecido ao trabalho de João nos seis anos seguintes, sobre as diferenças entre a universidade e o mundo profissional na forma como se pensa sobre riscos.
Leonor ouvia com a mesma qualidade de atenção que ele se lembrava das aulas — sem a distância de quem já ouviu tudo, mas com uma presença que tornava o interlocutor mais preciso no que dizia porque se sentia realmente ouvido.
Fora da Universidade
A conferência terminou às seis. Leonor perguntou-lhe se conhecia um lugar próximo para jantar — havia uns colegas que teriam ido mas ela preferia, se ele não se importasse, fugir às conversas de departamento. Havia já ali algo diferente do tom de professora e ex-aluno — uma horizontalidade que não era assumida mas que existia, construída pela distância dos anos e pela forma como ambos tinham mudado de estatuto relativamente um ao outro.
O jantar durou três horas. Descobriram que partilhavam uma série de referências literárias, uma opinião semelhante sobre um livro de economia recente que ambos tinham lido por razões diferentes, e uma disposição para o desacordo que tornava a conversa mais estimulante do que a maioria. Havia algo ali que João não conseguia separar completamente da admiração que sentira enquanto aluno — mas que era, de forma clara, outra coisa agora.
O Fim da Noite
Saíram para a noite fresca de Lisboa sem um destino específico e caminharam durante meia hora pela Baixa. A transição para uma conversa de outra natureza aconteceu de forma gradual — sem declarações dramáticas, sem a teatralidade que estes momentos às vezes adquirem em narrativas. Apenas dois adultos a perceber, ao mesmo tempo e sem precisar de o confirmar em voz alta, que a noite tinha mais para oferecer do que o jantar.
Leonor disse-lhe, com a directidade que sempre o tinha impressionado nela, que aquela era a conversa mais interessante que tivera em meses. Era uma forma de dizer mais de uma coisa ao mesmo tempo, e João percebeu tudo o que estava a ser dito.
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