Conto Erótico: Como Foi o Meu Encontro Real
Vou ser honesta: a semana antes do encontro foi um inferno de ansiedade. Não é isso que se lê nos contos eróticos habituais — normalmente saltam directamente para a parte do desejo fluente e da confiança inabalável. Mas a realidade, pelo menos a minha, foi: vi o perfil dele dez vezes por dia, reli as mensagens que trocámos, tentei imaginar o que ia dizer quando ele chegasse ao café e não consegui ir além de um "olá" ensaiado que soava falso mesmo dentro da minha cabeça.
Chama-me Margarida, tenho trinta e três anos, e aquele era o meu segundo encontro marcado através de uma plataforma de adultos. O primeiro tinha sido desastroso não por razões dramáticas mas por razões banais: não havia química nenhuma, a conversa foi educada e vazia, saímos do café com o alívio conjunto de que aquilo tinha acabado. Desta vez era diferente — nas mensagens havia uma qualidade que não conseguia definir mas que reconhecia. Ele escrevia com atenção.
O Café e o Momento de Ver
Cheguei ao café com cinco minutos de atraso deliberado — não queria estar sentada à espera, vulnerável ao escrutínio. Ele já estava, de pé junto ao balcão com um café, e quando me viu foi com um reconhecimento imediato e um sorriso que era mais aliviado do que sedutor. O que me agradou. Sedutor eu não teria sabido responder. Aliviado percebi — era igual ao que eu estava a sentir.
— Também estavas nervoso? — perguntei, passados cinco minutos de conversa que tinham corrido melhor do que esperava.
— Muito — disse ele, sem hesitação. — Reli as mensagens todas esta manhã para me lembrar porquê queria vir.
Aquilo desfez qualquer coisa em mim. Não era a versão filtrada de si próprio que aparecia nos primeiros encontros — era uma pessoa com a guarda baixa porque tinha decidido que valia mais a pena assim.
O Que Acontece Depois do Café
Ficámos no café duas horas. Depois fomos jantar porque nenhum dos dois queria que aquilo acabasse. Ao jantar percebemos que havia entre nós uma compatibilidade que não era só atracção mas algo mais composto — gostos partilhados, visões do mundo que se sobrepunham sem se sobrepor demasiado, humor com o mesmo registo. Quando ele perguntou se queria continuar a noite, eu disse que sim sem precisar de calcular.
O encontro real tem uma textura que a fantasia não consegue replicar: os momentos estranhos e engraçados que a fantasia elimina, as pequenas imperfeições que tornam outra pessoa humana e por isso desejável, a aprendizagem rápida e mútua do que o outro gosta e como o outro funciona. É mais trabalhoso e mais real e, exactamente por isso, mais valioso.
Voltámos a encontrar-nos. Ainda nos encontramos. Não sei como nomear o que isto é, mas sei que foi o melhor resultado possível de um encontro marcado com ansiedade uma semana antes.
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