Conto Erótico: Sessão Fotográfica Sensual
Raquel tinha trinta e seis anos e nunca se fotografara de forma sensual na vida adulta. Havia aquelas fotografias da adolescência que todos têm e que preferia não lembrar, e depois nada — anos de fotos de grupo e selfies de férias que documentavam a vida sem a revelar. A ideia surgiu depois de uma separação, numa daquelas listas mentais de coisas que queria fazer para si própria: ver um pôr do sol no Alentejo, aprender a cozinhar peixe, deixar alguém fotografar-me de forma que me faça sentir bela.
Encontrou João nas redes sociais — fotógrafo especializado em retratos íntimos, com um portefólio a preto e branco que tinha mais poesia do que sensacionalismo. Marcou sessão com a clareza de quem sabe o que quer: fotos para si própria, não para publicar, não para impressionar ninguém. João respondeu que esse era exactamente o tipo de cliente com quem trabalhava melhor.
O Estúdio e a Câmara que Revelava
O estúdio de João ficava em Marvila, num armazém convertido com luz natural da tarde. Havia tecidos pendurados, um sofá antigo, uma banheira de pé que servia de adereço e um silêncio que não era vazio mas atento. João recebeu-a com chá e passou os primeiros vinte minutos sem câmara — só a conversar, a perceber que posições a faziam sentir-se ela própria, o que gostava e o que não gostava no seu corpo, onde estava a força e onde estava a insegurança.
— Não vou fotografar o que não és — disse ele, antes de pegar na câmara. — Por isso fala.
Raquel falou. E ao falar percebeu que havia coisas que não dissera em voz alta nunca: que tinha vergonha das ancas desde os vinte anos e que estava farta de ter vergonha delas. Que gostava dos seus próprios olhos mas nunca sabia onde olhar nas fotografias. João ouviu e depois disse apenas: — Essas ancas vão ser a melhor parte das fotografias. E os teus olhos olham para mim.
Ser Vista sem Julgamento
A sessão durou duas horas. Raquel começou com roupa, foi removendo camadas à medida que a confiança crescia, e em nenhum momento houve pressão ou expectativa além da que ela própria definia. João fotografava com uma concentração que era inteiramente sobre ela — não sobre a imagem, não sobre a composição, mas sobre o que ela era naquele momento.
Havia intimidade naquilo que não dependia de toque — era a intimidade de ser visto com atenção, de ter o próprio corpo tratado como algo digno de cuidado artístico. Quando Raquel viu as primeiras fotografias no ecrã do computador de João, ficou em silêncio durante muito tempo.
— Sou eu? — disse, finalmente.
— Sempre foste — respondeu ele.
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