Contos Eróticos

De Olhos Vendados: Conto de Confiança e Prazer

P Paula Camargo
31 Dec 2025 4 min leitura 44 visualizacoes
De Olhos Vendados: Conto de Confiança e Prazer

— Confias em mim? — perguntou Gustavo, segurando uma faixa de seda preta.

Isabel olhou para a faixa, depois para ele, depois novamente para a faixa. Estavam juntos há quatro meses — o suficiente para conhecerem os corpos um do outro, mas não o suficiente para terem explorado todos os territórios. Aquela noite, ele queria explorar um novo.

— Confio — respondeu ela, e virou-se para ele lhe atar a faixa sobre os olhos.

A escuridão foi imediata e total. Isabel sentiu os dedos dele apertarem o nó com cuidado — firme o suficiente para não escorregar, suave o suficiente para não incomodar. Quando tirou as mãos, ela estava no escuro, e todos os outros sentidos acordaram como animais à espreita.

A primeira coisa que notou foi o silêncio. Depois, o som da respiração dele, que se aproximava e afastava, movendo-se à volta dela. Estava de pé no meio do quarto, de roupa interior, e a impossibilidade de ver tornava cada som amplificado, cada corrente de ar significativa.

— Não te vou tocar durante um minuto — disse ele. — Quero que te habitues.

O minuto foi eterno. Isabel ouvia os passos dele no chão de madeira, sentia o perfume quando passava perto, antecipava o toque que não vinha. A expectativa era uma tortura deliciosa que lhe acelerava o coração e lhe arrepiava a pele.

Quando o toque finalmente chegou, não veio de onde esperava. Não foram as mãos nem os lábios — foi algo macio e fresco a percorrer-lhe o ombro. Uma pena? Um lenço de seda? Sem ver, cada sensação era um mistério que o corpo tentava decifrar.

— O que é isso? — sussurrou ela.

— Não interessa o quê — respondeu ele. — Interessa o que sentes.

O objecto misterioso desceu pelo braço, subiu pelo pescoço, roçou-lhe os lábios. Depois desapareceu e foi substituído por algo diferente — quente e ligeiramente áspero. A barba dele? O hálito? Não conseguia distinguir, e essa incerteza era excitante de uma forma que nunca experimentara.

Os lábios dele — agora reconhecia-os — pousaram no pescoço, naquele ponto exacto debaixo da orelha que ele sabia que a fazia derreter. Isabel inclinou a cabeça e gemeu, e o som pareceu mais alto no escuro, mais íntimo, mais verdadeiro.

Gustavo despiu-a sem pressa, cada peça removida com uma cerimónia que ela sentia mais do que via. O fecho do soutien a abrir-se — o breve momento de frio no peito — os dedos a descerem as alças pelos braços. Depois a renda inferior, deslizando pelas coxas, pelos joelhos, pelos tornozelos.

Nua e vendada, Isabel sentia-se completamente exposta e, paradoxalmente, mais livre do que nunca. Sem a distracção dos olhos, o corpo tornava-se pura sensação. Cada toque de Gustavo — um beijo na clavícula, uma carícia no interior do braço, a ponta da língua a percorrer a linha do quadril — era amplificado mil vezes.

Ele deitou-a na cama com delicadeza. Isabel sentiu o peso do corpo dele sobre o seu — pele contra pele, calor contra calor — e rendeu-se. As mãos dele exploravam-na como se a tocassem pela primeira vez, encontrando pontos sensíveis que nem ela conhecia. Atrás do joelho. O interior do pulso. A curva entre a cintura e a anca.

— Quero que me digas — sussurrou ele ao ouvido — exactamente o que sentes.

E ela disse. Com palavras entrecortadas de gemidos, descreveu cada sensação enquanto ele a percorria com a boca e os dedos. A verbalização tornava tudo mais intenso — nomear o prazer era ampliá-lo, e Gustavo ajustava cada toque em função das palavras dela.

Quando o orgasmo chegou, Isabel sentiu-o não apenas no corpo mas em todo o ser — uma onda que começou onde os dedos dele estavam e se espalhou até às pontas dos dedos dos pés, até ao topo da cabeça, até às lágrimas que escorreram por debaixo da venda.

Gustavo tirou-lhe a venda devagar, e a luz — apenas a luz de duas velas — pareceu ofuscante depois de tanto escuro. O rosto dele estava ali, a centímetros, com uma expressão de ternura e desejo que ela nunca vira tão claramente.

— Agora — disse ela, pegando na faixa de seda — é a tua vez.

Gostaste deste conto erótico? Descobre mais contos eróticos reais e contos de sexo. Para explorar os teus desejos, visita o EncontrosX.

Partilhar:

Artigos Relacionados

A Massagem Tântrica: Conto Sensual

A Massagem Tântrica: Conto Sensual

Sofia tem quarenta anos e a sensação de que o corpo deixou de lhe pertencer. Uma sessão de massagem tântrica com um massagista experiente transforma-se na redescoberta de si própria.