Contos Eróticos

Conto Erótico: Uma Noite de Verão em Lisboa

P Paula Camargo
12 Apr 2026 3 min leitura 46 visualizacoes
Conto Erótico: Uma Noite de Verão em Lisboa

Lisboa em Agosto tem uma energia particular — o calor que não vai embora com o pôr do sol, a cidade esvaziada dos seus habitantes e tomada por estrangeiros com o tempo lento, e uma sensação generalizada de que as regras normais não se aplicam durante estas semanas. Foi nesse contexto que Beatriz saiu sozinha uma quinta-feira à noite, sem plano definido, apenas com vontade de sentir o vento do rio e ver onde isso a levava.

Acabou num terraço no Intendente, com uma caipirinha que estava demasiado doce e uma vista sobre os telhados que compensava tudo. A mesa ao lado tinha três pessoas — duas mulheres e um homem — que discutiam animadamente sobre arquitectura brutalista. O homem, André, era professor de arquitectura na Técnica, como veio a perceber quando a conversa se alargou naturalmente para incluir a mesa dela. Tinha cabelo grisalho nas têmporas e gestos largos quando falava, e Beatriz achou-o imediatamente interessante, o que a surpreendeu.

O Vinho e as Horas que Passam Depressa

As amigas de André foram-se embora às onze, com abraços e promessas de mensagens. Ele ficou. Beatriz ficou. Pediram mais vinho e continuaram a conversar — de Lisboa, de como a cidade mudara nos últimos dez anos, de sítios que tinham desaparecido e de outros que resistiam. Havia na conversa uma facilidade que Beatriz associava a pessoas que não precisavam de impressionar ninguém, e isso era, por si só, sedutor.

— Há um miradouro aqui perto que quase ninguém conhece — disse ele, por volta das meia-noite. — Se quiseres ver Lisboa antes de ela acordar.

Beatriz sabia que não era apenas um miradouro que estava em jogo. Disse que sim na mesma.

O miradouro existia: um passadiço estreito no topo de um edifício que André conhecia pelo dono, com Lisboa estendida em baixo como um mapa de luzes. Ficaram de pé, ombros a tocar, sem falar durante um tempo que parecia longo mas não era desconfortável. Depois ele virou-se para ela com um olhar directo mas sem urgência.

A Madrugada que Só Acontece uma Vez

O que se seguiu foi a lentidão que só a noite quente de Agosto permite — beijos sem destino definido, mãos que exploram com a mesma curiosidade que os olhos tinham tido mais cedo, palavras ditas baixinho que não precisavam de ser lembradas depois porque pertenciam apenas àquele momento e àquela cidade.

No apartamento dele, próximo do Castelo, havia livros por todo o lado e uma janela aberta por onde entrava o ruído distante da cidade. Beatriz ficou até às quatro da manhã, altura em que apanhou um táxi de volta a casa com o cabelo desarranjado e um sorriso que não conseguia controlar.

Não voltaram a encontrar-se — não porque houvesse má vontade, mas porque aquilo tinha sido completo em si mesmo. Uma noite de Agosto em Lisboa, inteirinha, sem nada que lhe faltasse.

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