Saúde & Vida Sexual

Granuloma Inguinal (Donovanose): Guia Clínico

P Paula Camargo
16 Jun 2026 6 min leitura 17 visualizacoes
Granuloma Inguinal (Donovanose): Guia Clínico

Este artigo é informativo e não substitui consulta médica especializada. Em caso de sintomas, contacte o seu médico ou ligue para SNS 24 (808 24 24 24).

O Que É a Donovanose

A donovanose, oficialmente designada granuloma inguinal, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) crónica causada pela bactéria intracelular obrigatória Klebsiella granulomatis (anteriormente classificada como Calymmatobacterium granulomatis). A doença é endémica em regiões tropicais e subtropicais — particularmente na Índia, Papua Nova Guiné, Brasil, África do Sul e algumas regiões do Pacífico — onde representa uma causa significativa de úlcera genital. Em Portugal e na Europa, é uma IST importada, rara mas clinicamente relevante pelo seu padrão de lesão insidiosa e progressiva que pode ser confundido com outras patologias genitais.

Transmissão e Epidemiologia

O mecanismo exacto de transmissão da donovanose não está completamente esclarecido. A transmissão sexual é considerada a via principal, mas o baixo índice de infecciosidade comparativamente a outras ISTs sugere que pode ser necessária exposição repetida ou que a transmissão por contacto não sexual (via fecal-oral ou cutânea directa) possa ocorrer em populações com precárias condições higiénicas. O período de incubação é variável — de 1 a 12 semanas — o que torna difícil a identificação da fonte de infecção. A co-infecção com outras ISTs (sífilis, VIH) é frequente nas regiões endémicas.

Apresentação Clínica

A donovanose apresenta-se classicamente como lesões genitais de evolução crónica e progressiva, com 4 padrões morfológicos principais:

  • Ulcerogranulomatoso (mais frequente): Úlceras de bordos bem delimitados, base carnuda e avermelhada (aspecto de "carne fresca"), indolores ou muito pouco dolorosas, que sangram facilmente ao contacto. A ausência de dor é uma característica distintiva importante.
  • Nodular: Nódulos moles avermelhados que ulceram progressivamente.
  • Hipertrófico (verrucoso): Lesões com bordos irregulares e vegetantes que mimetizam condilomas ou carcinoma.
  • Necrótico: Lesões profundas com destruição tecidual progressiva, odor fétido e aspecto destrutivo. Forma mais grave e menos frequente.

As lesões localizam-se preferencialmente nos órgãos genitais externos (glande, prepúcio, vulva, introito vaginal), na região perianal e, por disseminação linfática, na região inguinal — onde formam pseudobubões (pseudoadenite). Ao contrário do chancro mole, na donovanose não existe adenopatia verdadeira. A evolução sem tratamento é de progressão lenta mas inexorável, com destruição crescente dos tecidos genitais e, nos casos avançados, risco de carcinoma escamoso associado.

A raridade da donovanose em Portugal torna o diagnóstico especialmente difícil — a doença deve ser considerada no diagnóstico diferencial de qualquer lesão genital de evolução crónica, especialmente em indivíduos com história de viagem a regiões endémicas ou de contacto sexual com parceiros provenientes dessas regiões. Para quem vive em Lisboa e procura informação sobre saúde sexual e ISTs, os recursos disponíveis em plataformas como acompanhantes em Lisboa que promovem práticas seguras são um complemento útil à informação clínica.

Diagnóstico

O diagnóstico da donovanose é confirmado pela demonstração histológica dos "corpos de Donovan" — inclusões intracitoplasmáticas características nos histiócitos do tecido de granulação — em preparação por esmagamento (crush preparation) de biópsia da lesão, corada por método de Giemsa ou de Wright. Este achado patognomónico é essencial para confirmar o diagnóstico. A cultura de K. granulomatis é tecnicamente muito difícil e não está disponível na prática clínica. As técnicas de PCR apresentam sensibilidade superior mas têm disponibilidade limitada.

O diagnóstico diferencial inclui sífilis secundária e terciária, cancro (carcinoma escamoso) genital, linfogranuloma venéreo, chancro mole, condilomas genitais e leishmaniose cutânea.

Tratamento

O tratamento da donovanose exige antibioterapia prolongada. A doxiciclina é o antibiótico de primeira linha recomendado pelo CDC, em cursos habitualmente superiores a 3 semanas — até cicatrização completa das lesões. A azitromicina é uma alternativa com a vantagem de poder ser administrada com menor frequência. A eritromicina, o co-trimoxazol e o ciprofloxacino são opções alternativas. A prescrição, a duração e o seguimento terapêutico devem ser sempre da responsabilidade do médico assistente, dado que o tratamento prematuro pode resultar em recidiva. A gravidez é uma situação que requer escolha antibiótica específica — discutir sempre com o obstetra.

O parceiro sexual deve ser avaliado e, se necessário, tratado. O rastreamento do VIH e da sífilis deve ser realizado em todos os casos. A resposta ao tratamento é monitorizada clinicamente pela evolução das lesões — é necessária biópsia de controlo para excluir transformação maligna em lesões de longa evolução.

Complicações

  • Elefantíase genital por fibrose linfática progressiva
  • Estenose uretral ou anal por cicatrização
  • Carcinoma escamoso associado a lesões crónicas não tratadas
  • Disseminação hematogénica (rara): lesões ósseas, hepáticas, pulmonares

Prevenção

Não existe vacina disponível para a donovanose. A prevenção baseia-se no uso consistente do preservativo, na rastreagem regular de ISTs em pessoas com múltiplos parceiros sexuais e na vigilância de lesões genitais de evolução crónica, especialmente após viagem a regiões endémicas.

Para quem procura serviços de acompanhamento em Lisboa com práticas sexuais seguras, os recursos estão disponíveis em plataformas como acompanhantes disponíveis em Lisboa.

Referências

  1. CDC (2021). Granuloma Inguinale (Donovanosis) — 2021 Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines. Centers for Disease Control and Prevention. cdc.gov
  2. WHO (2021). Guidelines for the management of symptomatic sexually transmitted infections. World Health Organization. who.int
  3. PubMed / National Library of Medicine (2023). Pesquisa: Klebsiella granulomatis donovanosis diagnosis treatment clinical features. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  4. INSA — Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (2024). Doenças de Declaração Obrigatória — ISTs Raras em Portugal. insa.min-saude.pt
  5. Mayo Clinic (2024). Granuloma inguinale — Symptoms and treatment overview. Mayo Foundation for Medical Education and Research. mayoclinic.org
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