Granuloma Inguinal (Donovanose): Guia Clínico
Este artigo é informativo e não substitui consulta médica especializada. Em caso de sintomas, contacte o seu médico ou ligue para SNS 24 (808 24 24 24).
O Que É a Donovanose
A donovanose, oficialmente designada granuloma inguinal, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) crónica causada pela bactéria intracelular obrigatória Klebsiella granulomatis (anteriormente classificada como Calymmatobacterium granulomatis). A doença é endémica em regiões tropicais e subtropicais — particularmente na Índia, Papua Nova Guiné, Brasil, África do Sul e algumas regiões do Pacífico — onde representa uma causa significativa de úlcera genital. Em Portugal e na Europa, é uma IST importada, rara mas clinicamente relevante pelo seu padrão de lesão insidiosa e progressiva que pode ser confundido com outras patologias genitais.
Transmissão e Epidemiologia
O mecanismo exacto de transmissão da donovanose não está completamente esclarecido. A transmissão sexual é considerada a via principal, mas o baixo índice de infecciosidade comparativamente a outras ISTs sugere que pode ser necessária exposição repetida ou que a transmissão por contacto não sexual (via fecal-oral ou cutânea directa) possa ocorrer em populações com precárias condições higiénicas. O período de incubação é variável — de 1 a 12 semanas — o que torna difícil a identificação da fonte de infecção. A co-infecção com outras ISTs (sífilis, VIH) é frequente nas regiões endémicas.
Apresentação Clínica
A donovanose apresenta-se classicamente como lesões genitais de evolução crónica e progressiva, com 4 padrões morfológicos principais:
- Ulcerogranulomatoso (mais frequente): Úlceras de bordos bem delimitados, base carnuda e avermelhada (aspecto de "carne fresca"), indolores ou muito pouco dolorosas, que sangram facilmente ao contacto. A ausência de dor é uma característica distintiva importante.
- Nodular: Nódulos moles avermelhados que ulceram progressivamente.
- Hipertrófico (verrucoso): Lesões com bordos irregulares e vegetantes que mimetizam condilomas ou carcinoma.
- Necrótico: Lesões profundas com destruição tecidual progressiva, odor fétido e aspecto destrutivo. Forma mais grave e menos frequente.
As lesões localizam-se preferencialmente nos órgãos genitais externos (glande, prepúcio, vulva, introito vaginal), na região perianal e, por disseminação linfática, na região inguinal — onde formam pseudobubões (pseudoadenite). Ao contrário do chancro mole, na donovanose não existe adenopatia verdadeira. A evolução sem tratamento é de progressão lenta mas inexorável, com destruição crescente dos tecidos genitais e, nos casos avançados, risco de carcinoma escamoso associado.
A raridade da donovanose em Portugal torna o diagnóstico especialmente difícil — a doença deve ser considerada no diagnóstico diferencial de qualquer lesão genital de evolução crónica, especialmente em indivíduos com história de viagem a regiões endémicas ou de contacto sexual com parceiros provenientes dessas regiões. Para quem vive em Lisboa e procura informação sobre saúde sexual e ISTs, os recursos disponíveis em plataformas como acompanhantes em Lisboa que promovem práticas seguras são um complemento útil à informação clínica.
Diagnóstico
O diagnóstico da donovanose é confirmado pela demonstração histológica dos "corpos de Donovan" — inclusões intracitoplasmáticas características nos histiócitos do tecido de granulação — em preparação por esmagamento (crush preparation) de biópsia da lesão, corada por método de Giemsa ou de Wright. Este achado patognomónico é essencial para confirmar o diagnóstico. A cultura de K. granulomatis é tecnicamente muito difícil e não está disponível na prática clínica. As técnicas de PCR apresentam sensibilidade superior mas têm disponibilidade limitada.
O diagnóstico diferencial inclui sífilis secundária e terciária, cancro (carcinoma escamoso) genital, linfogranuloma venéreo, chancro mole, condilomas genitais e leishmaniose cutânea.
Tratamento
O tratamento da donovanose exige antibioterapia prolongada. A doxiciclina é o antibiótico de primeira linha recomendado pelo CDC, em cursos habitualmente superiores a 3 semanas — até cicatrização completa das lesões. A azitromicina é uma alternativa com a vantagem de poder ser administrada com menor frequência. A eritromicina, o co-trimoxazol e o ciprofloxacino são opções alternativas. A prescrição, a duração e o seguimento terapêutico devem ser sempre da responsabilidade do médico assistente, dado que o tratamento prematuro pode resultar em recidiva. A gravidez é uma situação que requer escolha antibiótica específica — discutir sempre com o obstetra.
O parceiro sexual deve ser avaliado e, se necessário, tratado. O rastreamento do VIH e da sífilis deve ser realizado em todos os casos. A resposta ao tratamento é monitorizada clinicamente pela evolução das lesões — é necessária biópsia de controlo para excluir transformação maligna em lesões de longa evolução.
Complicações
- Elefantíase genital por fibrose linfática progressiva
- Estenose uretral ou anal por cicatrização
- Carcinoma escamoso associado a lesões crónicas não tratadas
- Disseminação hematogénica (rara): lesões ósseas, hepáticas, pulmonares
Prevenção
Não existe vacina disponível para a donovanose. A prevenção baseia-se no uso consistente do preservativo, na rastreagem regular de ISTs em pessoas com múltiplos parceiros sexuais e na vigilância de lesões genitais de evolução crónica, especialmente após viagem a regiões endémicas.
Para quem procura serviços de acompanhamento em Lisboa com práticas sexuais seguras, os recursos estão disponíveis em plataformas como acompanhantes disponíveis em Lisboa.
Referências
- CDC (2021). Granuloma Inguinale (Donovanosis) — 2021 Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines. Centers for Disease Control and Prevention. cdc.gov
- WHO (2021). Guidelines for the management of symptomatic sexually transmitted infections. World Health Organization. who.int
- PubMed / National Library of Medicine (2023). Pesquisa: Klebsiella granulomatis donovanosis diagnosis treatment clinical features. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
- INSA — Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (2024). Doenças de Declaração Obrigatória — ISTs Raras em Portugal. insa.min-saude.pt
- Mayo Clinic (2024). Granuloma inguinale — Symptoms and treatment overview. Mayo Foundation for Medical Education and Research. mayoclinic.org