No Casamento do Amigo: Um Encontro Proibido
O casamento era numa herdade alentejana, com oliveiras centenárias e mesas compridas decoradas com flores silvestres. Diana estava sentada na mesa seis — a mesa dos amigos solteiros que os noivos juntam estrategicamente, como cupidos matrimoniais — quando o homem de fato azul-escuro se sentou à frente dela.
— Lado do noivo ou da noiva? — perguntou ele, pousando o guardanapo no colo.
— Da noiva. Tu?
— Do noivo. Melhor amigo desde os seis anos.
Chamava-se Vicente. Tinha um sorriso assimétrico que deveria ser imperfeito mas que, nele, era devastador. Quando ria — e ria com frequência — os olhos quase desapareciam, e Diana descobriu que queria fazer qualquer coisa para o ver rir outra vez.
O jantar foi longo, como todos os jantares de casamento, mas Diana não sentiu o tempo passar. Entre o creme de espargos e o borrego assado, entre os brindes e os discursos, construíram uma bolha privada no meio da festa. As pernas debaixo da mesa encontraram-se durante a sobremesa e já não se separaram.
Quando a música começou, Vicente estendeu-lhe a mão. — A tradição diz que se dança no casamento dos amigos.
Dançaram. Não com o distanciamento educado de dois desconhecidos, mas com a proximidade de quem já decidiu que a noite não vai acabar sozinho. O corpo dele contra o dela, a mão nas costas, os lábios junto ao ouvido a sussurrar coisas que a faziam rir e arrepiar ao mesmo tempo.
— Sabias — disse ele — que há uma tradição não oficial nos casamentos?
— Qual?
— Os convidados solteiros são moralmente obrigados a divertir-se tanto quanto os noivos.
— Isso é completamente inventado.
— Completamente. Mas funciona como pretexto?
Diana riu — aquela gargalhada honesta que já não se importava de esconder. Ao redor, os convidados dançavam, os noivos cortavam o bolo, e ninguém reparava nos dois que se afastavam da festa em direcção às oliveiras.
A noite alentejana era quente e estrelada, com o cheiro a erva seca e a flores do campo. Caminharam entre as oliveiras até estarem longe o suficiente da música para ouvirem apenas os grilos. Vicente encostou-a a um tronco centenário — rugoso e quente do sol do dia — e beijou-a.
O beijo soube a champanhe e a bolo de noiva, e Diana agarrou-lhe as lapelas do fato enquanto ele lhe prendia o cabelo com uma mão e a cintura com a outra. A urgência era palpável — toda a noite tinham dançado à volta do desejo como os convidados dançavam à volta da pista.
— Temos um problema logístico — disse ele. — Estamos no meio de uma oliveira.
— A herdade tem quartos — respondeu ela. — Os noivos reservaram para os convidados.
O quarto era simples — cama de ferro, lençóis brancos, uma janela com vista para o olival. Diana sentou-se na cama e tirou os sapatos que a tinham torturado toda a noite. Vicente tirou o casaco, a gravata, e ajoelhou-se à frente dela para lhe massajar os pés.
— Isto — disse ela — é melhor do que o bolo de casamento.
— Isto — respondeu ele, subindo as mãos das pernas — é só o início.
Despiram-se entre risos e beijos, com a música da festa a chegar distante pela janela aberta. O fato dele caiu no chão como uma promessa cumprida, e o vestido dela seguiu-o como uma resposta. Na cama simples da herdade alentejana, sem a pressão de compromissos ou expectativas, descobriram-se com a alegria desinibida de quem sabe que esta noite é um parêntesis na vida normal.
Vicente era divertido até na cama — fazia-a rir nos momentos inesperados, tornando o sexo menos solene e mais humano. Diana descobriu que o riso e o prazer podiam coexistir, e que gargalhar durante o orgasmo era uma experiência extraordinária.
De madrugada, com a festa já terminada e o silêncio do Alentejo como manto, Vicente sussurrou:
— Acho que devemos um agradecimento aos noivos.
— Porquê?
— Pela mesa seis. Sabiam exactamente o que estavam a fazer.
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