Contos Eróticos

O Hotel em Sintra: Conto Erótico

P Paula Camargo
12 Dec 2025 4 min leitura 50 visualizacoes
O Hotel em Sintra: Conto Erótico

O nevoeiro de Sintra tinha qualquer coisa de sobrenatural naquela noite de outubro. Inês estacionou em frente ao pequeno hotel de charme, um palacete do século XIX convertido com bom gosto, e respirou fundo. Precisava daquele fim-de-semana de retiro — longe do escritório, longe das responsabilidades, longe de tudo.

O hotel era mais bonito do que nas fotografias. Tectos altos com estuques, mobília de época, uma lareira acesa no salão onde um homem de meia-idade lia um livro com uma chávena de chá ao lado. Levantou os olhos quando ela passou e acenou com a cabeça, um gesto cortês de outro tempo.

Inês instalou-se no quarto, tomou um banho longo, vestiu um vestido simples de malha e desceu para jantar. O restaurante do hotel era íntimo — apenas seis mesas — e o homem da lareira estava sentado sozinho numa delas. O empregado conduziu-a à mesa ao lado.

— Boa noite — disse ele, fechando o livro. Tinha olhos cinzentos como o nevoeiro lá fora e uma voz que parecia veludo. — Bernardo.

— Inês. O que está a ler?

— Eça de Queirós. O Primo Basílio. Pareceu-me adequado ao cenário.

Ela sorriu. — Um romance sobre desejo proibido num hotel. Muito adequado.

Durante o jantar, as mesas separadas tornaram-se irrelevantes. Viravam-se um para o outro, as conversas cruzavam-se entre garfadas de bacalhau e goles de vinho de Colares. Bernardo era professor de História da Arte em Coimbra, e falava dos palácios de Sintra como se fossem velhos amigos com segredos por contar.

Depois do jantar, sentaram-se junto à lareira. O hotel estava quase vazio — apenas eles e um casal idoso que se retirou cedo. A lenha estalava, o nevoeiro pressionava contra as janelas como um animal curioso, e o espaço entre eles no sofá foi diminuindo imperceptivelmente.

— Sabias que este palacete pertenceu a uma condessa que era famosa pelas suas festas secretas? — disse ele, o braço estendido no encosto do sofá, quase a tocar-lhe o ombro.

— Festas secretas? — repetiu ela, inclinando-se.

— Dizem que nestas salas aconteciam coisas que a sociedade lisboeta de oitocentos nunca admitiria em público.

— Talvez as paredes ainda se lembrem — murmurou Inês, e quando se virou para ele, os rostos estavam tão perto que sentiu a respiração dele nos lábios.

O beijo aconteceu como os melhores beijos acontecem — inevitável e surpreendente ao mesmo tempo. A boca dele era quente e sabia a vinho e a promessa. As mãos dele seguraram-lhe o rosto com uma delicadeza que a fez tremer, como se ela fosse uma obra de arte que ele queria admirar antes de tocar.

Subiram pela escadaria de madeira que rangia sob os seus passos, e cada degrau era um passo mais perto de algo que ambos queriam mas que nenhum ousava nomear. O quarto dele era maior que o dela, com uma cama de dossel e cortinas de veludo bordeaux.

Bernardo acendeu apenas uma vela. Na penumbra dourada, despiu-a com a reverência de quem desembrulha um presente raro. Beijou-lhe as pálpebras, as têmporas, o ponto sensível atrás da orelha que a fez gemer baixinho. Cada gesto era lento, deliberado, como se tivessem toda a eternidade.

Na cama de dossel, sob os lençóis de algodão egípcio, os corpos encontraram uma linguagem que dispensava palavras. Ele lia-lhe as reacções como quem lê um texto precioso, ajustando, explorando, descobrindo. Inês agarrou-se às colunas do dossel quando o prazer se tornou quase insuportável, e ele não parou até que ela se desfez em ondas que a deixaram trémula e sem fôlego.

Adormeceram entrelaçados enquanto o nevoeiro de Sintra envolvia o palacete como um abraço. De manhã, tomaram o pequeno-almoço juntos, com a cumplicidade tímida de quem partilhou segredos que a luz do dia torna mais reais.

Se este conto erótico te transportou, explora mais contos eróticos Portugal e histórias de sexo na nossa colecção. Para viver os teus próprios encontros, visita o EncontrosX.

Partilhar:

Artigos Relacionados

Conto Erótico: A Confissão

Conto Erótico: A Confissão

Havia coisas que se pensam durante anos sem dizer. E depois há o momento em que se diz — e tudo o que se tinha antes fica irreconhecível.