Contos Eróticos

Vindimas no Douro: Conto de Outono

P Paula Camargo
07 Jan 2026 4 min leitura 47 visualizacoes
Vindimas no Douro: Conto de Outono

Setembro no Douro era uma sinfonia de cores — vinhas em tons de ouro e carmesim, o rio a serpentear prateado entre as encostas, o céu de um azul que só existia ali. Carlota aceitara o convite para participar nas vindimas de uma quinta familiar perto do Pinhão, mais por curiosidade do que por amor ao vinho. O que encontrou foi muito mais embriagante.

Ele chamava-se Eduardo e era o enólogo da quinta. Quarta geração de uma família que fazia vinho desde o século XIX. Tinha mãos grandes e calejadas, cabelo escuro sempre um pouco despenteado, e falava de uvas com a mesma paixão com que outros falam de amores.

O primeiro dia de vindima foi exaustivo. Carlota, habituada ao ar condicionado do escritório, sentiu cada músculo protestar enquanto cortava cachos sob o sol de setembro. Eduardo trabalhava ao lado dela, guiando-lhe as mãos no corte correcto, e cada vez que os dedos se tocavam entre as uvas, Carlota sentia o pulso acelerar.

Ao fim da tarde, sentaram-se no muro da vinha com um copo de vinho do ano anterior. O sol pintava o vale em tons de mel, e Carlota tinha as mãos manchadas de sumo de uva — roxo escuro que parecia tatuagem.

— Tens as mãos de uma vindimadora — disse Eduardo, pegando-lhe na mão para examinar.

— São só nódoas — respondeu ela.

— Não. São troféus. Cada mancha é uma história.

Ele não largou a mão. Levou-a aos lábios e beijou-lhe os dedos manchados, um a um, provando o sumo das uvas na pele dela. O gesto foi tão inesperado e tão sensual que Carlota prendeu a respiração.

Os outros vindimadores já tinham ido embora quando Eduardo a levou ao lagar — a sala de pedra onde, na tradição, as uvas eram pisadas a pé. O tanque estava cheio de uvas acabadas de colher, e o aroma adocicado preenchia o ar como um perfume intenso.

— Queres experimentar? — perguntou ele, tirando os sapatos.

Carlota descalçou-se e entrou no lagar. As uvas esmagavam-se debaixo dos pés, frias e húmidas, e o sumo escorria entre os dedos dos pés com uma sensualidade inesperada. Eduardo entrou ao lado dela e começaram a pisar juntos, rindo da estranheza do acto.

À medida que se moviam, os pés escorregavam nas uvas e equilibravam-se um no outro. As mãos encontraram ombros, cinturas, ancas. O sumo subia pelos tornozelos, pelas barrigas das pernas, e os corpos aproximavam-se naturalmente para manter o equilíbrio.

— Estou toda suja — disse Carlota, olhando para as pernas manchadas de roxo.

— Estás perfeita — respondeu Eduardo, e beijou-a no meio do lagar, com os pés enterrados em uvas e o cheiro do mosto a envolvê-los.

Saíram do lagar com as pernas roxas e os lábios inchados de beijos. Eduardo levou-a à adega — a sala subterrânea onde os tonéis de carvalho guardavam vinhos que esperavam anos para serem provados. A temperatura ali era fresca, o silêncio era catedral, e o cheiro a madeira e vinho velho era inebriante.

Estenderam mantas entre os tonéis e Carlota deixou Eduardo despir-lhe a roupa manchada de uva. As mãos dele — enólogo e agricultor — eram ásperas mas gentis, e percorriam-lhe o corpo com a atenção de quem avalia um vinho raro: observar, cheirar, provar.

Ele provou-a como provava os vinhos — com paciência, com reverência, detectando notas que ela nem sabia ter. Carlota agarrou-se aos tonéis de carvalho enquanto ondas de prazer a percorriam, e os gemidos ecoavam na adega como se as paredes os amplificassem.

Amaram-se entre vinhos de décadas, com o sabor das uvas ainda nos lábios e o frescor da adega a contrastar com o calor dos corpos. Eduardo era tão meticuloso no amor como no vinho — atento às nuances, paciente com a fermentação, sabendo exactamente quando intervir e quando deixar a natureza seguir o seu curso.

De madrugada, abriram uma garrafa especial — um vintage de 1998 que o avô dele guardara — e beberam directamente do gargalo, deitados nas mantas, com o som dos tonéis a suspirar à volta deles.

— Volta no próximo ano — disse ele. — Para as vindimas.

— Volto — prometeu ela. — Mas não é pelas uvas.

Gostaste deste conto erótico? Explora mais contos eróticos e contos de sexo. Para os teus encontros, visita o EncontrosX.

Partilhar:

Artigos Relacionados