Contos Eróticos

O Chefe e a Secretária: Fantasia no Escritório

P Paula Camargo
19 Dec 2025 4 min leitura 48 visualizacoes
O Chefe e a Secretária: Fantasia no Escritório

Marta trabalhava como assistente de direcção na sede de uma empresa tecnológica no Parque das Nações há dois anos. Conhecia cada hábito de Duarte, o director de operações: o café duplo às nove, a forma como passava a mão pelo cabelo quando estava concentrado, o perfume que usava — sândalo e bergamota — e que ficava no escritório depois de ele sair.

Duarte, por sua vez, reparava em coisas que um chefe não deveria reparar: como a saia de Marta subia ligeiramente quando ela se sentava, o brilho labial que ela retocava depois do almoço, a forma como as mãos dela se moviam no teclado com a mesma graciosidade de uma pianista.

A tensão entre eles era um segredo que toda a gente no escritório conhecia. Os colegas trocavam olhares quando os dois ficavam sozinhos na sala de reuniões, e a assistente da recepção já tinha apostado com o informático sobre quando — não se — a coisa aconteceria.

Aconteceu numa sexta-feira, às nove da noite, quando o edifício já estava vazio. Tinham ficado a preparar uma apresentação para segunda-feira — ou pelo menos era esse o pretexto. Marta estava inclinada sobre a mesa de reuniões, a reorganizar slides impressos, quando sentiu a presença dele atrás de si.

— Marta — disse ele, e a forma como pronunciou o nome — devagar, quase saboreando as sílabas — fê-la endireitar-se lentamente.

— Sim?

— Aquele gráfico da página sete... — começou ele, mas a frase morreu quando os olhos se encontraram. De perto, com as luzes do escritório reduzidas ao mínimo, os olhos dele eram quase negros.

— Que tem o gráfico? — sussurrou ela, embora soubesse que já não estavam a falar de gráficos.

Duarte fechou os olhos durante um segundo — o segundo em que decidiu que dois anos de profissionalismo eram suficientes. Quando os abriu, deu um passo em frente. Marta não recuou.

O primeiro beijo foi contra a mesa de reuniões, rodeados de papéis e canetas e post-its coloridos que pareciam absurdamente triviais naquele momento. A boca dele era exactamente como Marta imaginara durante incontáveis reuniões entediantes — quente, decidida, com um toque de café que deveria ser desagradável mas que nele era irresistível.

As mãos dele encontraram a cintura dela, puxando-a para si. Marta sentiu a evidência do desejo dele contra a anca e o próprio corpo respondeu com um calor súbito que lhe subiu pela barriga. Agarrou-lhe a gravata — aquela gravata azul-escura que ele usava às sextas — e puxou-o para mais perto.

— Dois anos — disse ela entre beijos. — Dois anos a olhar para ti sem poder tocar.

— Eu sei — respondeu ele. — Cada dia foi um exercício de autocontrolo.

Duarte sentou-a na mesa, afastando papéis que caíram pelo chão como folhas de outono. As mãos dele subiram pelas coxas, por baixo da saia, enquanto ela lhe desapertava a camisa botão a botão, revelando um peito que era mais forte do que o fato deixava adivinhar.

Fizeram amor na mesa de reuniões, com a cidade iluminada através das janelas panorâmicas como plateia. Depois no sofá do escritório dele. Depois no chão alcatifado. Cada vez diferente, cada vez mais descontraídos, como se libertassem meses de tensão acumulada em cada round.

Marta descobriu que Duarte, o director controlado e meticuloso, perdia todo o controlo quando ela lhe mordia o lóbulo da orelha. Duarte descobriu que Marta, a assistente reservada e eficiente, tinha uma voz capaz de gemidos que o faziam perder a razão.

Às duas da manhã, vestidos com roupas amarrotadas e cabelos desalinhados, comeram pizza fria da caixa que estava no frigorifico da copa e riram-se como adolescentes.

— Segunda-feira vai ser interessante — disse ela.

— Segunda-feira — respondeu ele, puxando-a para o seu colo — vamos ter de ser muito profissionais.

Não foram.

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