Contos Eróticos

A Festa Privada em Lisboa: Conto Erótico

P Paula Camargo
07 Apr 2026 8 min leitura 26 visualizacoes
A Festa Privada em Lisboa: Conto Erótico

Aviso: este conto contém conteúdo adulto explícito. Destinado a leitores com 18 anos ou mais. Todos os personagens são adultos fictícios que agem com pleno consentimento. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.

I. O Convite

O envelope chegou pelo correio interno do escritório numa quinta-feira de Novembro. Não tinha remetente — apenas o nome de Beatriz escrito com uma caligrafia antiga a tinta azul escura, e dentro um cartão de papel algodão com duas linhas: Sábado. 22h. Rua de São Bento, 214. Trazer máscara veneziana.

Beatriz tinha vinte e nove anos e trabalhava em consultoria financeira, o que significava que passava os dias a construir modelos de risco para empresas que tinham medo do futuro. Estava habituada a avaliar probabilidades. Avaliou as probabilidades daquele envelope durante dois dias.

Toda a gente tem um amigo excêntrico. O dela chamava-se Gonçalo, era decorador de interiores, e tinha aquele círculo social fluido e sofisticado que parecia existir em paralelo com o mundo normal, apenas mais bem iluminado. Beatriz lembrava-se de uma noite em que ele lhe mostrara os perfis de acompanhantes em Lisboa como quem faz uma visita guiada a um bairro desconhecido — sem julgamento, com curiosidade académica. Quando lhe mostrou o cartão, ele sorriu com o sorriso de quem sabe exactamente do que se trata. — Ah, o Henrique voltou de Berlim.

— Quem é o Henrique?

— Alguém que dá festas que se recordam. — Gonçalo devolveu-lhe o cartão. — Vai. Usa algo que te faça sentir invencível. E a máscara, claro.

Na sexta à tarde, Beatriz foi à Rua Garrett e comprou uma máscara de cetim preto com penas de avestruz. Não porque alguém lha pediu. Porque queria sentir-se invencível.

II. O Príncipe Real

A morada da Rua de São Bento era um palacete de três andares que Beatriz passara dezenas de vezes sem nunca notar, o que era impossível e ao mesmo tempo perfectamente explicável, porque havia coisas no Príncipe Real que só eram visíveis para quem as procurava. A fachada estava iluminada a candeeiros de rua e havia um homem à porta com um fato que custava mais do que o salário mensal de Beatriz, que verificou os nomes numa lista e acenou.

O interior era o que Lisboa teria sido se o Marquês de Pombal tivesse tido mais imaginação e menos pressa. Tectos com frescos restaurados, espelhos venezianos em cada parede, uma escadaria de mármore que levava a um primeiro andar cheio de gente — trinta, quarenta pessoas, todas bem vestidas, muitas com máscaras, a beber champanhe e a conversar com a leveza de quem está completamente no seu elemento.

Havia música — um quarteto de cordas num canto que tocava Bach com a precisão de quem sabe que ninguém está a ouvir. Beatriz pegou num copo de espumante que um empregado lhe ofereceu numa bandeja prateada e ficou na periferia durante alguns minutos, a calibrar o espaço.

A festa não era uma orgia. Era, pelo menos na aparência, uma festa de gala a que tinham sido convidadas pessoas que se entendiam sem precisar de explicar muito. Os convites eram pessoais, a lista era curta, e o que acontecia depois dos dois primeiros copos dependia inteiramente de cada um.

Foi o homem junto à janela quem se aproximou primeiro.

III. O Desconhecido

Usava uma máscara de couro cinzento que lhe cobria os olhos e o nariz mas deixava livre a boca — generosa, bem desenhada, com o tipo de sorriso que parecia sempre saber mais do que dizia. Tinha talvez quarenta anos, ombros largos, e a voz de alguém habituado a ser ouvido.

— Primeira vez? — perguntou.

— Tão óbvio? — respondeu ela.

— A forma como olhas para a sala. Como se estivesses a perceber as regras sem que ninguém as diga.

— E há regras?

— Há sempre regras — disse ele. — As mais bonitas são as que não precisam de ser escritas.

Chamava-se Marco, era de Lisboa, e trabalhava em algo relacionado com arte que ele descreveu de forma deliberadamente vaga. Conversaram durante quarenta minutos sobre coisas que não tinham nada a ver com o que ambos pensavam — sobre arquitectura modernista, sobre uma exposição no MAAT, sobre a diferença entre o Porto e Lisboa como cidades para viver — e a conversa era boa, genuinamente boa, do tipo em que o tempo desaparece sem aviso.

Quando ele disse — Quer ver o resto da casa? — Beatriz sabia exactamente o que significava e disse que sim.

O segundo andar era diferente. A iluminação era mais baixa, a música apenas um murmúrio que subia do andar de baixo. Havia portas fechadas e portas entreabertas, e do interior de algumas chegavam sons que faziam Beatriz consciente do seu próprio pulso. Marco não tentou abrir nenhuma delas. Levou-a a uma sala ao fundo do corredor — uma biblioteca com estantes do chão ao tecto e um sofá de pele envelhecida junto à janela com vista para o jardim.

— Aqui podemos ouvir sem ser perturbados — disse ele.

— Ouvir o quê?

Ele sentou-se e estendeu a mão. — Ouvir o que quisermos que aconteça.

IV. A Biblioteca

Beatriz sentou-se ao lado dele e tirou a máscara. Ele fez o mesmo. Sem as máscaras, eram apenas duas pessoas num sofá, o que era de alguma forma mais íntimo do que qualquer coisa que a máscara poderia ter permitido.

Os beijos começaram devagar, como sempre começam quando as duas pessoas se estão genuinamente a conhecer em vez de a executar um ritual aprendido. Marco beijava com uma atenção que a fez desfazer-se aos poucos — as mãos nos seus ombros, no seu pescoço, na curva da sua cintura com uma pressão que era exactamente a certa.

Do andar de baixo subia o murmúrio da festa — conversas, risadas, a música de câmara. Do corredor, de longe, chegavam os sons das portas entreabertas que Beatriz deixara para trás. E naquela biblioteca rodeada de livros, ela e Marco construíram o seu próprio mundo com a concentração de dois leitores absortos.

Ela desfez os primeiros botões da sua camisa branca e ele deixou-a fazer. A pele dele era quente e havia uma cicatriz no ombro esquerdo que ela traçou com a ponta do dedo e que ele deixou ser traçada sem explicação. Às vezes as marcas do corpo não precisam de narrativa.

Quando ele a deitou no sofá e lhe percorreu o corpo com a paciência de alguém que sabe que tem tempo, Beatriz desligou a parte da cabeça que avaliava riscos e deixou-se estar completamente naquele quarto, naquele momento, com aquele homem desconhecido que se tornara, nos últimos noventa minutos, a pessoa com quem mais queria estar.

O prazer construiu-se em camadas — primeiro a superfície, depois mais fundo, depois um lugar que ela raramente deixava ser alcançado. Marco era atento e generoso e sabia quando avançar e quando parar. Quando ela finalmente se permitiu soltar, foi com uma espécie de surpresa, como se o seu próprio corpo lhe guardasse segredos que só revelava quando ela parava de vigiar.

Depois ficaram deitados no sofá estreito, ele meio sentado, ela com a cabeça no peito dele, enquanto a festa continuava no andar de baixo com a indiferença alegre das festas boas.

V. A Madrugada

Às duas da manhã, desceram as escadas de mão dada. A sala estava mais vazia mas mais animada — como acontece sempre quando os mais discretos vão para casa e os mais intrépidos ficam. Gonçalo estava encostado a um fresco com um copo de porto na mão, e quando viu Beatriz ergueu o copo num brinde.

Marco arranjou-lhe um táxi e quando se despediu, na porta, beijou-a na face com uma delicadeza que era ela própria uma forma de respeito. — Próxima vez que o Henrique fizer festa — disse ele —, vou saber que chegas sozinha mas não ficas por muito tempo.

Ela riu. — Como sabes que há próxima vez?

— Porque agora sabes que existe este mundo.

No táxi de volta para casa, com o Príncipe Real a ficar para trás, Beatriz ficou a olhar para as ruas iluminadas de Lisboa e a pensar que havia uma versão da cidade que ela não conhecia, que existia em paralelo com os dias e as reuniões e os modelos de risco — uma versão mais lenta, mais quente, onde as regras mais bonitas eram as que não precisavam de ser escritas.

Para conhecer o universo das acompanhantes de luxo em Lisboa e os seus perfis, visita acompanhantes Lisboa. Outros contos relacionados: O Encontro com a Acompanhante: Conto de Luxo, A Noite na Casa de Swing: Conto Iniciático, O Hotel de Luxo no Douro: Conto Sensual.

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