A Massagem Que Mudou Tudo: Conto Erótico
Helena marcara a massagem por recomendação de uma amiga. "Vai ao André", dissera Cláudia com um sorriso enigmático. "Ele tem mãos mágicas." Helena pensara que era apenas uma expressão, mas quando se deitou na marquesa do pequeno estúdio em Santos e sentiu os polegares dele desfazerem o nó que tinha no ombro direito há meses, percebeu que Cláudia não exagerava.
André era fisioterapeuta de formação mas trabalhava por conta própria num espaço acolhedor — luz suave, música ambiente, aroma de lavanda. Tinha mãos grandes com dedos longos e fortes, e uma forma de tocar que combinava precisão técnica com intuição pura. Helena sentiu os músculos relaxarem um a um, como nós que se desfazem numa corda.
— Tens muita tensão acumulada — disse ele, trabalhando a zona lombar. — O que fazes profissionalmente?
— Advogada. Especialização em direito de família. Divórcios, custódia, essas alegrias.
— Isso explica — respondeu ele, e as mãos desceram pela coluna com uma pressão firme e constante que a fez suspirar.
A massagem estava a terminar quando André chegou aos pés. Helena não sabia que tinha os pés tão sensíveis — ou talvez nunca ninguém lhes tivesse dado a atenção que ele dava. O polegar dele percorria o arco do pé com uma pressão precisa, e ela sentiu uma onda de calor subir pelas pernas que nada tinha a ver com relaxamento muscular.
Voltou na semana seguinte. E na seguinte. À terceira sessão, Helena admitiu para si mesma que o motivo já não era apenas terapêutico. Esperava o dia da massagem com uma antecipação que se parecia demasiado com desejo.
Na quarta sessão, André trabalhava-lhe as costas quando as mãos desceram pelas laterais do corpo, roçando a curva dos seios cobertos pela toalha. Foi um toque profissional, anatomicamente correcto, mas Helena sentiu um arrepio que a percorreu de cima a baixo.
— Tudo bem? — perguntou ele, notando a reacção.
— Sim — respondeu ela, com a voz mais rouca do que pretendia. — Não pares.
Houve uma pausa. O ar no estúdio tornou-se mais denso. As mãos dele retomaram o movimento, mas algo tinha mudado — o toque era o mesmo mas a intenção era diferente, carregada de uma electricidade que ambos sentiam.
— Helena — disse ele suavemente, parando. — Eu tenho uma regra sobre clientes.
— Então deixo de ser tua cliente — respondeu ela, virando-se na marquesa.
A toalha deslizou e Helena não a segurou. Ficaram a olhar-se — ela deitada, exposta, vulnerável; ele de pé, com as mãos ainda brilhantes de óleo, a luta entre profissionalismo e desejo visível nos olhos escuros.
O profissionalismo perdeu.
André baixou-se e beijou-a. As mãos oleadas percorreram-lhe o corpo agora sem barreiras, sem toalhas, sem regras. Helena arqueou-se ao toque dele como se o seu corpo fosse um instrumento que só ele sabia tocar. Cada ponto de tensão que ele conhecia das sessões anteriores tornou-se um ponto de prazer que ele explorava com a mesma perícia.
Ele despiu-se com a ajuda dela — mãos trémulas a puxar a t-shirt, dedos oleados a desabotoar calças. Na marquesa estreita, os corpos tinham de estar colados para caberem, e essa proximidade forçada tornava cada movimento mais intenso. Helena sentia cada músculo do corpo dele — aquele corpo que trabalhava corpos todos os dias — contra o seu.
André virou-a de barriga para baixo, e o que começou como massagem transformou-se em algo que não tinha nome técnico. A boca dele seguiu o caminho que as mãos tinham traçado tantas vezes, descendo pela coluna, parando na curva das costas, continuando. Helena agarrou os bordos da marquesa e rendeu-se ao prazer que vinha em ondas cada vez mais altas.
Quando finalmente se uniram, foi com a intensidade de quem conteve o desejo durante semanas. A marquesa protestou com rangidos rítmicos, e Helena já não se importava em ser silenciosa. Os gemidos dela misturaram-se com os dele num dueto que nenhum disco de música ambiente conseguiria abafar.
Depois, ficaram deitados na marquesa — absurdamente pequena para dois — com as pernas entrelaçadas e a rir da situação.
— Vou precisar de uma marquesa maior — disse ele.
— Ou de uma cama — sugeriu ela. — A minha fica a quinze minutos daqui.
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