O Hotel de Luxo no Douro: Conto Sensual
Aviso: este conto contém conteúdo adulto explícito. Destinado a leitores com 18 anos ou mais. Todos os personagens são adultos fictícios que agem com pleno consentimento. Qualquer semelhança com pessoas reais é coincidência.
I. A Chegada ao Vale
Clara saiu da A4 em Pinhão às cinco da tarde e ficou parada no acostamento durante dois minutos, com o motor a trabalhar, a olhar para o rio. O Douro corria lento e escuro entre as encostas de socalcos que a esta hora do dia tinham a cor exacta do mel. Havia silêncio. Não o silêncio da cidade a uma hora tardia — silêncio real, o tipo que tem textura e que entra pelos pulmões de forma diferente do ar de Lisboa.
Tinha quarenta e dois anos, era médica ortopedista, e não tirava férias reais há três anos. Este fim-de-semana não era bem férias — era uma prescrição que ela própria se dera depois de adormecer a uma conferência sobre próteses de anca que ela própria estava a apresentar. O hotel ficara na memória de uma conversa de anos atrás, alguém de quem ela não se lembrava mas cujas palavras ficaram: O Douro em Setembro é a coisa mais bonita que alguma vez vi.
O hotel era de construção antiga, uma quinta recuperada com o gosto contido de quem tem dinheiro suficiente para não precisar de o provar. O quarto dela tinha uma varanda sobre o vale, uma banheira de pés junto à janela, e uma garrafa de Ramos Pinto tawny na mesinha com um bilhete: Para as tardes que merecem ser lentas.
Clara abriu a garrafa, encheu o copo, sentou-se na cadeira da varanda e ficou a olhar para o rio até o sol desaparecer atrás das encostas. Quando os morcegos começaram a surgir no céu cor-de-âmbar, percebeu que estava completamente presente no momento pela primeira vez em meses. Talvez anos.
Foi nesse estado de presença improvável que abriu o Tinder — não antes de ter passado por outros separadores, entre eles uns acompanhantes no Porto que a deixaram curiosa antes de os fechar, como se pertencessem a uma versão de si que precisava de mais uma noite de vinho para existir.
II. O Match
Não era habituada ao Tinder. Tinha a aplicação há seis meses e usara-a esporadicamente com a eficiência clínica que aplicava a tudo — avaliação rápida, decisão, próximo. A maioria das conversas começavam sobre trabalho e terminavam a marcar encontros que ela desmarcava com educação e sem remorso porque havia sempre uma urgência cirúrgica mais real do que qualquer data.
A foto dele mostrava alguém junto a um barco rabelo, com o Douro ao fundo. Cabelo grisalho apesar de não ter mais de quarenta e cinco anos, a julgar pelo rosto, e um sorriso que não estava a tentar nada. Profissão: enólogo. Localização: a 3 quilómetros.
Era demasiado coincidente para não ser sinal de alguma coisa.
O match aconteceu às 19h14. Às 19h22, ele já tinha escrito: Estás mesmo no Douro? O que é que uma médica de Lisboa está a fazer no Pinhão?
A beber o teu tawny e a perguntar-me a mesma coisa, respondeu ela.
A conversa durou quarenta minutos. Chamava-se André, tinha quarenta e seis anos, e estava no Douro a preparar a colheita de Setembro para uma quinta familiar em Alijó. Tinha um humor seco que ela apreciou imediatamente, e a capacidade rara de fazer perguntas reais em vez de perguntas de protocolo. Perguntou-lhe porque é que uma médica que claramente trabalhava demasiado escolhera o Douro para parar. E ela, sem saber bem porquê, respondeu a verdade: — Porque preciso de lembrar que o mundo existe fora de um hospital.
— O Douro é bom para isso — respondeu ele. — Quer que te mostre o melhor sítio para ver o entardecer de amanhã?
III. O Entardecer
André apareceu no hotel às cinco e meia com uma mochila que continha, descobriu ela, uma garrafa de vinho branco Quinta do Crasto e dois copos de cristal enrolados em pano de cozinha. Eram detalhes que diziam tudo sobre quem era.
Caminharam pela estrada de terra que subia entre os vinhedos durante vinte minutos. Clara, habituada ao asfalto de Lisboa, sentia cada pedra do caminho através das solas dos ténis e achava isso agradável de uma forma inesperada. André caminhava devagar, sem pressa, e de vez em quando parava para lhe mostrar qualquer coisa — a uva touriga nacional no seu melhor momento, uma pedra de xisto que partia a luz de uma forma particular, a vista que se abria a cada curva do caminho como um presente repetido.
O sítio era uma plataforma de xisto natural, parcialmente escondida pela vinha, de onde se via o Douro em toda a largura, a quinta do outro lado do rio com os seus terraços geométricos, e o céu que começava a ganhar as cores que só existem no Douro em Setembro — laranja, rosa, bordeaux, num gradiente que parecia pintado por alguém que nunca quis parar.
Sentaram-se no xisto com o vinho entre eles e ficaram em silêncio durante o tempo que o entardecer precisava. Clara estava consciente da presença dele ao seu lado — o calor que irradiava, a tranquilidade que não era passividade mas era, ela percebeu, a qualidade de alguém que passou anos a aprender a estar quieto.
— Vês aquela quinta ali? — disse ele, apontando para uma forma branca na encosta oposta. — É do meu avô. Foi lá que aprendi a provar o vinho aos sete anos. O meu avô punha uma gota na língua e dizia: fecha os olhos. Não penses. Sente.
— E funciona?
— Funciona para o vinho — disse ele. — Acho que funciona para tudo o resto também.
Clara fechou os olhos. Sentiu o xisto quente ainda com o calor do dia debaixo das palmas das mãos, o ar que cheirava a terra e a uva madura, o som do rio muito abaixo, e a presença dele ao lado, tão quieta e tão presente. Quando abriu os olhos, André estava a olhar para ela.
O beijo foi inevitável. Não porque a situação o ditasse, mas porque eram duas pessoas adultas que sabiam exactamente o que queriam e tinham deixado de ter paciência para não o ter.
IV. O Quarto
Voltaram ao hotel de mão dada, sem pressa, com a noite a instalar-se sobre o Douro. André ficou à porta do quarto dela até ela o convidar a entrar, o que ela fez com a simplicidade de quem abre uma porta porque quer que alguém entre.
A banheira de pés já tinha água quente — ela tivera o cuidado de a encher antes de sair. A ideia ocorrera-lhe no caminho, com a timidez específica de quem raramente planeia estas coisas, e aquela pequena antecipação — a água quente à espera, a garrafa de tawny na mesinha — tinha agora a qualidade de um convite que ela própria se surpreendera a construir.
Entraram na banheira em silêncio, com a varanda aberta e o rio invisible mas presente lá fora. A água estava ao nível dos ombros e as velas que ela acendera projetavam sombras suaves nas paredes brancas. André lavou-lhe o cabelo com uma lentidão que parecia ter o mesmo tempo do entardecer — sem urgência, com a plena consciência de que o melhor de qualquer coisa é o momento antes do auge.
Depois, já fora da banheira, enrolados nos roupões do hotel, Clara sentiu o peso dos últimos meses dissolver-se nos ombros com a mesma gradualidade com que o sol desaparecera atrás das encostas. André era um amante que lia o corpo dela como lia o vinho — com atenção, com respeito pelo que encontrava, sem tentar apressar a revelação.
Fizeram amor com a janela aberta para o rio e a noite a entrar pela varanda como mais um hóspede bem-vindo. Clara descobriu que havia formas de se entregar que não eram rendição — era a diferença entre ceder e escolher. Ela escolheu.
V. O Domingo
André ficou para o pequeno-almoço e levou-a a Alijó de manhã para conhecer a quinta do avô. O homem tinha noventa e dois anos e um aperto de mão firme, e quando soube que ela era médica disse, com uma seriedade absoluta: — Então percebe de colheitas também. Tudo o que vive precisa da mesma coisa: luz, paciência, e a hora certa para ser aberto.
Clara olhou para André, que estava a rir com o rosto virado para o vinhedo, e pensou que havia verdades que vinham de lugares inesperados.
Na segunda-feira, de volta à A4 em direcção a Lisboa, com o Douro já para trás, ligou o telemóvel e encontrou trinta e seis mensagens de trabalho. Respondeu a oito, deixou as restantes para mais tarde, e telefonou à secretária para bloquear o próximo fim-de-semana no calendário.
Para encontros reais com mulheres elegantes e discretas no norte de Portugal, consulta os perfis de acompanhantes no Porto. Outros contos do Douro e de Portugal: O Domingo em Sintra: Conto Romântico, O Encontro no Porto.