Chancro Mole (Cancelróide): Sintomas e Tratamento
Este artigo é informativo e não substitui consulta médica especializada. Em caso de sintomas, contacte o seu médico ou ligue para SNS 24 (808 24 24 24).
O Que É o Chancro Mole
O chancro mole, também designado cancelróide ou ulcus molle, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Gram-negativa Haemophilus ducreyi. Caracteriza-se pelo aparecimento de úlceras genitais dolorosas, frequentemente acompanhadas de adenopatia inguinal (inchaço dos gânglios da virilha). É uma das principais causas de úlcera genital a nível mundial, particularmente prevalente em regiões tropicais e subtropicais de África, Ásia e América Latina.
Em Portugal e na Europa Ocidental, o chancro mole é raro, mas clinicamente relevante por duas razões: a importação de casos por viajantes e migrantes provenientes de regiões endémicas, e o papel das úlceras genitais como cofactor que amplifica significativamente a transmissão do VIH (o risco de transmissão do VIH por acto sexual aumenta 3 a 5 vezes na presença de úlcera genital). Qualquer pessoa sexualmente activa em Lisboa ou noutras cidades portuguesas que apresente úlcera genital dolorosa deve ser avaliada clinicamente com urgência.
Transmissão
A transmissão do Haemophilus ducreyi ocorre exclusivamente por contacto sexual directo com as úlceras ou com o exsudado das lesões. O período de incubação é curto — tipicamente 4 a 10 dias após a exposição. A transmissibilidade é elevada: estima-se que uma única exposição a uma úlcera activa tem uma probabilidade de transmissão de cerca de 50% no sexo feminino. O organismo não sobrevive no ambiente exterior e não se transmite por fomites (objectos ou superfícies).
Sintomas e Apresentação Clínica
A lesão inicial é uma pápula eritematosa que evolui rapidamente para pústula e depois para úlcera em 1 a 2 dias. As características da úlcera do chancro mole são distintivas e permitem o diagnóstico clínico diferencial:
- Dor intensa: É o sintoma cardinal — ao contrário do cancro sifilítico (chancro duro), que é indolor. A dor pode ser muito incapacitante, especialmente durante a micção ou o contacto com roupas.
- Bordos irregulares e base necrótica: A úlcera tem bordos "minados" (solapados e irregulares), base de aspecto sujo com exsudado necrótico e amarelado, e consistência mole à palpação (daí o nome "mole").
- Localização: Nos homens, as úlceras são mais frequentes no prepúcio, no sulco balanoprepucial e na glande. Nas mulheres, nos grandes e pequenos lábios, na fúrcula posterior e no colo do útero. Podem ocorrer úlceras extra-genitais (perianal, oral) em associação com práticas sexuais de risco.
- Número: Frequentemente múltiplas, por auto-inoculação a partir da úlcera inicial.
- Adenopatia inguinal: Presente em 50% dos casos, unilateral, dolorosa e flutuante (bubão). O bubão pode fistulizar espontaneamente, drenando pus.
Diagnóstico Diferencial
O diagnóstico diferencial da úlcera genital dolorosa inclui obrigatoriamente:
- Herpes genital (HSV-1 e HSV-2): Úlceras superficiais, múltiplas, muito dolorosas, com pródromo de ardor/formigueiro e história de recorrências. É a causa mais frequente de úlcera genital em Portugal.
- Sífilis primária (cancro duro): Úlcera única, indolor, de bordos bem definidos e base limpa e indurada. O diagnóstico diferencial com chancro mole é fundamental — a co-infecção pode ocorrer.
- Linfogranuloma venéreo (LGV): Úlcera transitória e indolor na fase primária, com adenopatia inguinal dolorosa na fase secundária.
- Donovanose (granuloma inguinal): Lesões nodulares indolores, sem adenopatia verdadeira.
O diagnóstico definitivo do chancro mole requer cultura de H. ducreyi (sensibilidade 80%) ou técnicas de biologia molecular (PCR), que nem sempre estão disponíveis em todos os laboratórios. Na prática clínica, o diagnóstico é frequentemente presuntivo, baseado na clínica e na exclusão das outras causas de úlcera genital.
Perante qualquer úlcera genital, a avaliação serológica da sífilis (VDRL + TPHA) e a pesquisa de HSV por PCR são obrigatórias. A rastreagem do VIH deve ser sempre oferecida, dado o risco aumentado de co-infecção. Para quem procura informação sobre saúde sexual e prevenção de ISTs em Lisboa, a consulta dos recursos disponíveis em centros de saúde locais é o primeiro passo recomendado — bem como informação disponível em plataformas sobre acompanhantes em Lisboa que promovem práticas sexuais seguras.
Tratamento
O tratamento do chancro mole é eficaz com antibióticos, mas a prescrição deve ser sempre feita por médico, que determinará o esquema terapêutico mais adequado ao perfil do doente e às resistências locais. A azitromicina e a ceftriaxona são os antibióticos de primeira linha internacionalmente recomendados pelo CDC e pela OMS para o tratamento do chancro mole, administrados em dose única — o que facilita a adesão terapêutica. O ciprofloxacino e a eritromicina são alternativas para esquemas multidia. Resistências à eritromicina e ao ciprofloxacino foram documentadas em algumas regiões.
Após o tratamento, as úlceras tendem a melhorar em 3 a 7 dias e a cicatrizar em 1 a 2 semanas. Os bubões volumosos podem necessitar de drenagem cirúrgica. O parceiro sexual deve ser identificado, avaliado e tratado independentemente de apresentar ou não sintomas, se o contacto ocorreu nos 10 dias anteriores ao início dos sintomas.
Prevenção
- Uso consistente e correcto do preservativo em todos os contactos sexuais com parceiros de estado serológico desconhecido.
- Rastreagem regular de ISTs para pessoas com múltiplos parceiros sexuais.
- Evitar actividade sexual enquanto existirem úlceras activas.
- Rastreagem do VIH após exposição de risco.
Para quem procura serviços de acompanhamento que promovam práticas sexuais seguras em Lisboa, a informação está disponível em plataformas como acompanhantes disponíveis em Lisboa.
Referências
- CDC (2021). Chancroid — 2021 Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines. Centers for Disease Control and Prevention. cdc.gov
- WHO (2021). Guidelines for the management of symptomatic sexually transmitted infections. World Health Organization. who.int
- NHS UK (2024). Sexually transmitted infections (STIs) — Types and symptoms. National Health Service. nhs.uk
- PubMed / National Library of Medicine (2023). Pesquisa: Haemophilus ducreyi chancroid diagnosis treatment genital ulcer. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
- INSA — Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (2024). Doenças de Declaração Obrigatória — Infecções Sexualmente Transmissíveis em Portugal. insa.min-saude.pt