Saúde & Vida Sexual

Chancro Mole (Cancelróide): Sintomas e Tratamento

P Paula Camargo
15 Jun 2026 6 min leitura 16 visualizacoes
Chancro Mole (Cancelróide): Sintomas e Tratamento

Este artigo é informativo e não substitui consulta médica especializada. Em caso de sintomas, contacte o seu médico ou ligue para SNS 24 (808 24 24 24).

O Que É o Chancro Mole

O chancro mole, também designado cancelróide ou ulcus molle, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Gram-negativa Haemophilus ducreyi. Caracteriza-se pelo aparecimento de úlceras genitais dolorosas, frequentemente acompanhadas de adenopatia inguinal (inchaço dos gânglios da virilha). É uma das principais causas de úlcera genital a nível mundial, particularmente prevalente em regiões tropicais e subtropicais de África, Ásia e América Latina.

Em Portugal e na Europa Ocidental, o chancro mole é raro, mas clinicamente relevante por duas razões: a importação de casos por viajantes e migrantes provenientes de regiões endémicas, e o papel das úlceras genitais como cofactor que amplifica significativamente a transmissão do VIH (o risco de transmissão do VIH por acto sexual aumenta 3 a 5 vezes na presença de úlcera genital). Qualquer pessoa sexualmente activa em Lisboa ou noutras cidades portuguesas que apresente úlcera genital dolorosa deve ser avaliada clinicamente com urgência.

Transmissão

A transmissão do Haemophilus ducreyi ocorre exclusivamente por contacto sexual directo com as úlceras ou com o exsudado das lesões. O período de incubação é curto — tipicamente 4 a 10 dias após a exposição. A transmissibilidade é elevada: estima-se que uma única exposição a uma úlcera activa tem uma probabilidade de transmissão de cerca de 50% no sexo feminino. O organismo não sobrevive no ambiente exterior e não se transmite por fomites (objectos ou superfícies).

Sintomas e Apresentação Clínica

A lesão inicial é uma pápula eritematosa que evolui rapidamente para pústula e depois para úlcera em 1 a 2 dias. As características da úlcera do chancro mole são distintivas e permitem o diagnóstico clínico diferencial:

  • Dor intensa: É o sintoma cardinal — ao contrário do cancro sifilítico (chancro duro), que é indolor. A dor pode ser muito incapacitante, especialmente durante a micção ou o contacto com roupas.
  • Bordos irregulares e base necrótica: A úlcera tem bordos "minados" (solapados e irregulares), base de aspecto sujo com exsudado necrótico e amarelado, e consistência mole à palpação (daí o nome "mole").
  • Localização: Nos homens, as úlceras são mais frequentes no prepúcio, no sulco balanoprepucial e na glande. Nas mulheres, nos grandes e pequenos lábios, na fúrcula posterior e no colo do útero. Podem ocorrer úlceras extra-genitais (perianal, oral) em associação com práticas sexuais de risco.
  • Número: Frequentemente múltiplas, por auto-inoculação a partir da úlcera inicial.
  • Adenopatia inguinal: Presente em 50% dos casos, unilateral, dolorosa e flutuante (bubão). O bubão pode fistulizar espontaneamente, drenando pus.

Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico diferencial da úlcera genital dolorosa inclui obrigatoriamente:

  • Herpes genital (HSV-1 e HSV-2): Úlceras superficiais, múltiplas, muito dolorosas, com pródromo de ardor/formigueiro e história de recorrências. É a causa mais frequente de úlcera genital em Portugal.
  • Sífilis primária (cancro duro): Úlcera única, indolor, de bordos bem definidos e base limpa e indurada. O diagnóstico diferencial com chancro mole é fundamental — a co-infecção pode ocorrer.
  • Linfogranuloma venéreo (LGV): Úlcera transitória e indolor na fase primária, com adenopatia inguinal dolorosa na fase secundária.
  • Donovanose (granuloma inguinal): Lesões nodulares indolores, sem adenopatia verdadeira.

O diagnóstico definitivo do chancro mole requer cultura de H. ducreyi (sensibilidade 80%) ou técnicas de biologia molecular (PCR), que nem sempre estão disponíveis em todos os laboratórios. Na prática clínica, o diagnóstico é frequentemente presuntivo, baseado na clínica e na exclusão das outras causas de úlcera genital.

Perante qualquer úlcera genital, a avaliação serológica da sífilis (VDRL + TPHA) e a pesquisa de HSV por PCR são obrigatórias. A rastreagem do VIH deve ser sempre oferecida, dado o risco aumentado de co-infecção. Para quem procura informação sobre saúde sexual e prevenção de ISTs em Lisboa, a consulta dos recursos disponíveis em centros de saúde locais é o primeiro passo recomendado — bem como informação disponível em plataformas sobre acompanhantes em Lisboa que promovem práticas sexuais seguras.

Tratamento

O tratamento do chancro mole é eficaz com antibióticos, mas a prescrição deve ser sempre feita por médico, que determinará o esquema terapêutico mais adequado ao perfil do doente e às resistências locais. A azitromicina e a ceftriaxona são os antibióticos de primeira linha internacionalmente recomendados pelo CDC e pela OMS para o tratamento do chancro mole, administrados em dose única — o que facilita a adesão terapêutica. O ciprofloxacino e a eritromicina são alternativas para esquemas multidia. Resistências à eritromicina e ao ciprofloxacino foram documentadas em algumas regiões.

Após o tratamento, as úlceras tendem a melhorar em 3 a 7 dias e a cicatrizar em 1 a 2 semanas. Os bubões volumosos podem necessitar de drenagem cirúrgica. O parceiro sexual deve ser identificado, avaliado e tratado independentemente de apresentar ou não sintomas, se o contacto ocorreu nos 10 dias anteriores ao início dos sintomas.

Prevenção

  • Uso consistente e correcto do preservativo em todos os contactos sexuais com parceiros de estado serológico desconhecido.
  • Rastreagem regular de ISTs para pessoas com múltiplos parceiros sexuais.
  • Evitar actividade sexual enquanto existirem úlceras activas.
  • Rastreagem do VIH após exposição de risco.

Para quem procura serviços de acompanhamento que promovam práticas sexuais seguras em Lisboa, a informação está disponível em plataformas como acompanhantes disponíveis em Lisboa.

Referências

  1. CDC (2021). Chancroid — 2021 Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines. Centers for Disease Control and Prevention. cdc.gov
  2. WHO (2021). Guidelines for the management of symptomatic sexually transmitted infections. World Health Organization. who.int
  3. NHS UK (2024). Sexually transmitted infections (STIs) — Types and symptoms. National Health Service. nhs.uk
  4. PubMed / National Library of Medicine (2023). Pesquisa: Haemophilus ducreyi chancroid diagnosis treatment genital ulcer. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov
  5. INSA — Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (2024). Doenças de Declaração Obrigatória — Infecções Sexualmente Transmissíveis em Portugal. insa.min-saude.pt
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