Contos Eróticos

O Fotógrafo e a Modelo: Sessão Após Horas

P Paula Camargo
24 Dec 2025 4 min leitura 47 visualizacoes
O Fotógrafo e a Modelo: Sessão Após Horas

O estúdio ficava num armazém reconvertido em Marvila, com janelas industriais que deixavam entrar a luz do Tejo. Luísa trabalhava como modelo fotográfica há cinco anos, e pensava que já nada a surpreendia — até receber o briefing de Nuno para a sessão daquela noite: "Retratos de intimidade. Sem roupa. Sem maquilhagem. Sem pose."

Nuno era um fotógrafo reconhecido no circuito artístico, com exposições em galerias de Lisboa e Paris. Tinha fama de ser exigente, obsessivo com a luz, e absolutamente profissional. Era essa fama que convencera Luísa a aceitar o trabalho — isso e a forma como ele falava sobre o projecto, com uma paixão que transformava a nudez em arte.

Chegou ao estúdio às nove da noite. Nuno já tinha preparado tudo: fundo preto, duas softboxes laterais, música ambiente — Chet Baker, suave e melancólico. Estava de calças de ganga e camisa preta, a câmara ao pescoço como um amuleto.

— O conceito é simples — explicou ele. — Quero captar a vulnerabilidade. Não a nudez do corpo, mas a nudez da pessoa. O momento em que deixas de posar e começas a ser.

Luísa despiu-se na sala de preparação com a naturalidade de quem já o fez centenas de vezes. Mas quando saiu para o estúdio, envolta apenas num roupão que deixou cair à frente da câmara, sentiu algo diferente. Talvez fosse a música. Talvez fosse a forma como Nuno olhava através da objectiva — não para o seu corpo, mas para dentro dela.

— Não poses — pediu ele. — Não penses. Apenas está.

Os primeiros minutos foram estranhos. Luísa sentia-se observada de uma forma nova, mais profunda do que nas sessões habituais. Mas à medida que o obturador disparava — click, click, click — e a voz de Nuno ia guiando ("vira o rosto para a luz", "fecha os olhos", "respira fundo"), algo dentro dela descontraiu.

— Isso — disse ele, e a voz tinha uma textura diferente, mais rouca. — Exactamente isso. Estás linda.

Não era um piropo. Era uma constatação artística. Mas o efeito no corpo de Luísa foi físico — um calor que começou no peito e se espalhou. Ela estava nua diante dele, e pela primeira vez na carreira, sentia-se nua de verdade.

— Posso mudar a luz? — perguntou ele, aproximando-se para ajustar uma softbox. Estava tão perto que Luísa sentiu o calor da pele dele, o cheiro a café e a químicos fotográficos.

— Sim — disse ela, e a palavra saiu como um sussurro.

Ele ajustou a luz, mas não se afastou. Ficou ali, a centímetros dela, a câmara esquecida ao pescoço, os olhos nos dela.

— Luísa — disse ele —, se eu te beijar agora, perco toda a credibilidade profissional.

— Se não me beijares — respondeu ela —, perdes algo mais importante.

A câmara ficou na mesa. As luzes ficaram acesas — ele disse depois que era deformação profissional, precisava de ver tudo. Beijou-a sob os holofotes, e Luísa sentiu que a sessão fotográfica não tinha terminado — tinha apenas mudado de formato.

Nuno fotografava com as mãos agora, memorizando as curvas e os ângulos do corpo dela com a mesma obsessão com que enquadrava as fotografias. Cada toque era preciso, cada beijo deliberado. Quando a deitou no fundo de tecido preto e desceu pelo corpo dela com a boca, Luísa arqueou-se como uma escultura que ganha vida.

Fizeram amor sob a luz artificial que ele tinha preparado para as fotografias, e havia algo estranhamente poético em serem iluminados pela mesma luz que deveria ter captado apenas imagens. Cada posição era um enquadramento, cada gemido um disparo do obturador, cada orgasmo uma exposição perfeita.

Depois, Nuno pegou na câmara e fotografou-a como estava — deitada, saciada, com o cabelo espalhado no tecido preto e um sorriso nos lábios que nenhuma direcção artística conseguiria fabricar.

— Esta — disse ele, olhando para o ecrã da câmara — é a fotografia que eu procurava.

Se este conto erótico te inspirou, descobre mais contos de sexo e histórias de sexo. Para encontros artísticos e sensuais, visita o EncontrosX.

Partilhar:

Artigos Relacionados