Contos Eróticos

Reunião de Colegas: Quando a Tensão Explode

P Paula Camargo
03 Jan 2026 4 min leitura 48 visualizacoes
Reunião de Colegas: Quando a Tensão Explode

O jantar de antigos colegas da faculdade era no restaurante panorâmico do Parque das Nações. Doze pessoas à volta da mesa, vinho a fluir, memórias dos tempos de universidade em Coimbra a serem contadas e recontadas com as distorções que dez anos de nostalgia produzem. Mas para Luísa, só existia uma pessoa naquela mesa: Renato.

Tinham sido colegas de turma e parceiros de trabalhos de grupo. Durante quatro anos, sentaram-se lado a lado em anfiteatros, passaram noites na biblioteca, partilharam apontamentos e cafés. A atracção fora evidente para toda a gente — excepto para eles, que nunca encontraram coragem ou oportunidade para a concretizar.

Agora Renato estava sentado à frente dela, mais bonito do que na universidade, com a confiança que os trinta e dois anos e uma carreira bem-sucedida tinham trazido. E quando os olhos se encontraram por cima dos copos de vinho, Luísa soube que dez anos não tinham mudado absolutamente nada.

— Estás diferente — disse ele, inclinando-se sobre a mesa para ser ouvido acima do barulho.

— Diferente como?

— Mais bonita. Mas isso não é novidade — sempre achei.

Luísa sentiu o rubor subir-lhe pelo pescoço. — Nunca me disseste isso.

— Nunca tive coragem. Era parvo aos vinte e dois.

— E agora?

— Agora sou parvo aos trinta e dois, mas com menos medo.

O jantar estendeu-se, mas Luísa e Renato criaram um mundo paralelo dentro da conversa geral. Falavam com os outros, riam das anedotas, mas os pés debaixo da mesa tinham encontrado um jogo próprio — o sapato dela contra o dele, toques "acidentais" que ninguém via mas que ambos sentiam.

Quando o grupo se dividiu — metade para um bar, metade para casa — Luísa e Renato ficaram suspensos no parque de estacionamento, sem pertencer a nenhum dos grupos.

— Bar ou casa? — perguntou ele.

— Nenhum dos dois — respondeu ela. — Passeio. Contigo.

Caminharam ao longo do rio, com as luzes do Parque das Nações reflectidas na água. Dez anos de histórias para contar — empregos, relacionamentos, viagens — mas a conversa voltava sempre ao mesmo sítio: àqueles anos em que estiveram tão perto e tão longe ao mesmo tempo.

— Lembras-te da noite da queima? — perguntou Renato. — Quando ficámos sozinhos na república depois de todos saírem?

— Claro que me lembro. Quase nos beijámos.

— "Quase" é a palavra mais triste da língua portuguesa.

Pararam junto ao rio. O vento da noite agitava o cabelo de Luísa, e Renato afastou-lhe uma madeixa do rosto com a naturalidade de quem já o fez mil vezes em sonhos.

— Podemos apagar o "quase" — disse ela.

Ele beijou-a. Dez anos de espera condensados num beijo que começou suave e rapidamente se tornou urgente, faminto, como se tentassem recuperar o tempo perdido em minutos. Os braços dele envolveram-na, e Luísa sentiu-se finalmente no sítio certo, como uma peça de puzzle que encontra o seu lugar.

O hotel ficava a cinco minutos. Não falaram no elevador — os olhos diziam tudo. No quarto, Renato acendeu a luz do candeeiro de mesa e olhou para ela como se quisesse memorizar cada detalhe.

— Dez anos — disse ele, desabotoando-lhe o casaco. — Imaginas quantas vezes sonhei com isto?

— Provavelmente tantas como eu — respondeu ela, puxando-lhe a camisa pela cabeça.

Despiram-se com a urgência de uma década de espera, e quando os corpos se encontraram, ambos soltaram o mesmo suspiro — um som de reconhecimento, como se os corpos já se conhecessem de memória e finalmente pudessem confirmar.

Amaram-se com a paixão dos vinte anos e a experiência dos trinta. Renato tocava-a como se cada centímetro de pele fosse uma nota numa partitura que ele estudara durante anos sem poder tocar. Luísa agarrava-se a ele com a intensidade de quem sabe que há oportunidades que não se repetem.

O prazer, quando veio, trouxe consigo uma emoção que os surpreendeu a ambos — não foi apenas físico, foi a libertação de anos de desejo contido, de "e se", de noites a pensar no outro. Luísa chorou depois, e Renato segurou-a sem perguntar porquê.

— Não estou triste — explicou ela. — Estou aliviada.

De manhã, sentados na cama com café do hotel, fizeram um pacto: nunca mais "quase". A partir daquele dia, sempre "sim".

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