Saúde & Vida Sexual

Sexualidade e Doenças Crónicas: Adaptar-se

P Paula Camargo
25 May 2026 3 min leitura 61 visualizacoes
Sexualidade e Doenças Crónicas: Adaptar-se

Doença Crónica e Sexualidade

Aproximadamente 40% da população portuguesa vive com pelo menos uma doença crónica. Para muitas pessoas, o diagnóstico e tratamento de uma doença crónica altera profundamente a vida sexual — através de limitações físicas, efeitos dos medicamentos, impacto psicológico, e mudanças na dinâmica relacional. No entanto, adaptar e manter uma vida sexual activa é possível e benéfico para o bem-estar geral.

Doenças Cardiovasculares

O medo de desencadear enfarte durante o sexo é frequente mas geralmente infundado. O sexo tem um gasto energético comparável a subir dois lances de escadas. Directrizes para doentes cardíacos:

  • Se consegue subir dois lances de escadas sem dor torácica ou falta de ar, geralmente é seguro ter relações sexuais
  • Aguardar 4-6 semanas após enfarte agudo antes de retomar
  • Evitar relações logo após refeições pesadas ou com temperaturas extremas
  • Os PDE5i (Viagra/Cialis) são contra-indicados com nitratos — informar o cardiologista

A terapia de reabilitação cardíaca frequentemente inclui orientação sobre retoma da actividade sexual — não hesite em perguntar.

Artrite e Doenças Reumatológicas

A dor articular, a rigidez matinal, e a fadiga são os principais obstáculos:

  • Escolher horários com menos dor e rigidez (geralmente à tarde)
  • Compressas quentes antes do sexo para reduzir a rigidez
  • Posições que não sobrecarreguem as articulações afectadas
  • Almofadas de apoio e posicionamento
  • O parceiro assumir uma posição mais activa durante os períodos de crise

Cancro e Vida Sexual

O diagnóstico de cancro e os seus tratamentos têm impacto profundo na sexualidade:

  • Quimioterapia: Fadiga, náuseas, menopausa prematura nas mulheres, supressão hormonal
  • Radioterapia pélvica: Fibrose vaginal, dispareunia, disfunção eréctil
  • Cirurgia: Alterações anatómicas e de imagem corporal (mastectomia, ostomia, prostatectomia)

A reabilitação sexual oncológica é uma subespecialidade crescente. Muitos hospitais oncológicos em Portugal têm psicólogos e sexólogos na equipa. Não hesite em pedir referenciação.

Doenças Inflamatórias Intestinais (Crohn, Colite)

  • A dor abdominal, diarreia e urgência fecal afectam a espontaneidade sexual
  • A ostomia (ileostomia, colostomia) requer adaptações de imagem corporal e técnica
  • Muitos doentes com ostomia mantêm vidas sexuais activas com poucos ajustes
  • Associações de ostomizados (APOG) têm recursos sobre sexualidade

Diabetes e Insuficiência Renal

Já tratadas em artigos específicos, mas como nota geral: tanto a diabetes mal controlada como a insuficiência renal (especialmente em hemodiálise) causam disfunção sexual multifactorial que requer abordagem especializada.

Dor Crónica

Viver com dor crónica afecta profundamente o desejo sexual e a capacidade de prazer. Princípios gerais:

  • Optimização da analgesia antes das relações sexuais
  • Posições e actividades que não agravem a dor
  • Comunicação clara sobre limites
  • A terapia sexual especializada em dor crónica existe e é eficaz

Comunicação com o Parceiro

A comunicação aberta sobre as limitações, medos e necessidades específicas de cada doença é fundamental. Os parceiros que não entendem as limitações físicas podem interpretar mal a redução de actividade sexual. Sessões de terapia de casal podem ajudar a navegar estas transições.

A doença crónica é um desafio, não o fim da sexualidade. Na EncontrosX encontrará compreensão e conexão genuína. Registe-se.

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