Sexualidade e Doenças Crónicas: Adaptar-se
Doença Crónica e Sexualidade
Aproximadamente 40% da população portuguesa vive com pelo menos uma doença crónica. Para muitas pessoas, o diagnóstico e tratamento de uma doença crónica altera profundamente a vida sexual — através de limitações físicas, efeitos dos medicamentos, impacto psicológico, e mudanças na dinâmica relacional. No entanto, adaptar e manter uma vida sexual activa é possível e benéfico para o bem-estar geral.
Doenças Cardiovasculares
O medo de desencadear enfarte durante o sexo é frequente mas geralmente infundado. O sexo tem um gasto energético comparável a subir dois lances de escadas. Directrizes para doentes cardíacos:
- Se consegue subir dois lances de escadas sem dor torácica ou falta de ar, geralmente é seguro ter relações sexuais
- Aguardar 4-6 semanas após enfarte agudo antes de retomar
- Evitar relações logo após refeições pesadas ou com temperaturas extremas
- Os PDE5i (Viagra/Cialis) são contra-indicados com nitratos — informar o cardiologista
A terapia de reabilitação cardíaca frequentemente inclui orientação sobre retoma da actividade sexual — não hesite em perguntar.
Artrite e Doenças Reumatológicas
A dor articular, a rigidez matinal, e a fadiga são os principais obstáculos:
- Escolher horários com menos dor e rigidez (geralmente à tarde)
- Compressas quentes antes do sexo para reduzir a rigidez
- Posições que não sobrecarreguem as articulações afectadas
- Almofadas de apoio e posicionamento
- O parceiro assumir uma posição mais activa durante os períodos de crise
Cancro e Vida Sexual
O diagnóstico de cancro e os seus tratamentos têm impacto profundo na sexualidade:
- Quimioterapia: Fadiga, náuseas, menopausa prematura nas mulheres, supressão hormonal
- Radioterapia pélvica: Fibrose vaginal, dispareunia, disfunção eréctil
- Cirurgia: Alterações anatómicas e de imagem corporal (mastectomia, ostomia, prostatectomia)
A reabilitação sexual oncológica é uma subespecialidade crescente. Muitos hospitais oncológicos em Portugal têm psicólogos e sexólogos na equipa. Não hesite em pedir referenciação.
Doenças Inflamatórias Intestinais (Crohn, Colite)
- A dor abdominal, diarreia e urgência fecal afectam a espontaneidade sexual
- A ostomia (ileostomia, colostomia) requer adaptações de imagem corporal e técnica
- Muitos doentes com ostomia mantêm vidas sexuais activas com poucos ajustes
- Associações de ostomizados (APOG) têm recursos sobre sexualidade
Diabetes e Insuficiência Renal
Já tratadas em artigos específicos, mas como nota geral: tanto a diabetes mal controlada como a insuficiência renal (especialmente em hemodiálise) causam disfunção sexual multifactorial que requer abordagem especializada.
Dor Crónica
Viver com dor crónica afecta profundamente o desejo sexual e a capacidade de prazer. Princípios gerais:
- Optimização da analgesia antes das relações sexuais
- Posições e actividades que não agravem a dor
- Comunicação clara sobre limites
- A terapia sexual especializada em dor crónica existe e é eficaz
Comunicação com o Parceiro
A comunicação aberta sobre as limitações, medos e necessidades específicas de cada doença é fundamental. Os parceiros que não entendem as limitações físicas podem interpretar mal a redução de actividade sexual. Sessões de terapia de casal podem ajudar a navegar estas transições.
A doença crónica é um desafio, não o fim da sexualidade. Na EncontrosX encontrará compreensão e conexão genuína. Registe-se.